Episódio 5

1982 Palavras
— A primeira coisa que você precisa fazer se quiser salvar o seu casamento é sair daqui. Declarou ele, sentando-se ereto na cadeira. — Mas eu quero pelo menos tentar. Ela insistiu. Jackson balançou a cabeça em descrença. — Eu amo a minha prima, mas às vezes os métodos dela não são limpos, querida. Ele argumentou seriamente. Audrey engoliu em seco, sentindo-se ainda mais confusa. — Então o que posso fazer? Ela perguntou desesperadamente, agarrando a saia do vestido. O médico apoiou os braços na mesa e olhou para ela intensamente. — O que você precisa fazer é se perguntar se realmente vale a pena continuar lutando por algo que está te destruindo. Declara ele. — Não, eu não estou me destruindo... — E segundo, pare de dar ouvidos a pessoas que só querem te ver afundar. Ele insiste, sem deixá-la falar. Audrey olhou para ele com os olhos arregalados. — Katie só quer me ajudar. Ela é minha melhor amiga, ela está sempre certa. Ele sussurrou. Jackson deu uma risada sem humor. — Oh sério? Porque o que eu vejo é que ela te colocou numa situação ridíc*ula com um cara que você nem conhece só para humilhar a sua dignidade na frente do seu marido. Isso está ajudando? A ruiva sentiu a garganta fechar. Nunca pensei nisso dessa maneira. — Não acho que ela queira me machucar. Ela diz, incerta. — Talvez não, mas se eu te der um ponto de vista masculino... você deveria se comunicar com o seu marido em vez de criar esses cenários infantis e estúpi*dos que colocam o seu casamento em risco. — Não sou boa em me comunicar... Não sou especialista em muitas coisas... Estou um pouco atrasada em questões da vida. Ela admitiu, com a voz embargada. Jackson olhou para ela com uma mistura de ternura e severidade. — E você é muito ingênua, infelizmente. Ele disse gentilmente. — Vamos, vamos sair daqui. Eu vou te levar para casa. Audrey hesitou por um momento. — Você não vai me ajudar? — Estou fazendo isso... tirando você daqui. Ele diz, apertando a mão dela. ✿·━━━━━━━━※━━━━━━━━·✿ Maximiliano De la Vega saiu do carro com a testa franzida e o maxilar tenso. A brisa noturna da cidade pouco fez para aliviar o peso do seu peito. Ao lado dele, Evans Miller, o seu melhor amigo desde a faculdade, fechou a porta do carro e ajustou o paletó, lançando-lhe um olhar cauteloso. — Você tem certeza disso, Max? Ele perguntou em voz baixa enquanto ambos se dirigiam à entrada do Sheraton. — Não temos escolha, Evans. Rosnou Maximilian, passando a mão pelos cabelos, frustrado. — O novo sócio comprou algumas das ações, que estavam em queda. Se tudo correr bem, conseguiremos estabilizar as perdas sem que ninguém faça perguntas. — Mas as coisas não parecem boas. Murmurou Evans, olhando para o amigo. — Precisamos de um plano urgente antes que os Coltons percebam que o relatório do semestre passado foi falsificado por mim e pelo contador. Se descobrirem que mentimos para eles, Max, estamos ferrados. Max bufou de irritação e empurrou as portas do restaurante com força, entrando no luxuoso saguão. A sua expressão era fria, impenetrável, mas por dentro a pressão o consumia. — Eles não saberão. Declarou ele, caminhando em direção à mesa reservada. — Com o investimento desse novo parceiro, recuperaremos o capital perdido no meu projeto fracassado, e os meus sogros idi*otas não descobrirão. Evans afundou na cadeira à sua frente, olhando ao redor discretamente. — Espero que sim, Max. Não quero ser quem acaba pagando o preço. Antes que Maximiliano pudesse responder, um garçon aproximou-se com um sorriso sarcástico. Ele era um homem de constituição frágil, com uma expressão engraçada e olhos brilhantes que pareciam zombar de tudo e de todos. — Senhores, é estranho vê-los sem companhia feminina esta noite. Ele comentou com uma sobrancelha arqueada. Evans riu divertido e recostou-se na cadeira. — Hoje estamos sendo fiéis às nossas esposas. Disse ele com falsa solenidade, brindando com o seu copo imaginário com o de Max. O garçon soltou uma risada enquanto balançava a cabeça. — Pobres esposas… Maximiliano olhou para cima severamente. — Você está aqui para nos servir, não para fazer comentários inapropriados. O garçon fingiu uma expressão ofendida e sorriu m*aliciosamente. — Estou apenas tentando animar a noite, Sr. De la Vega. Agora, o que você gostaria de beber? Veneno sob demanda ou fentanil com gelo? Evans inclinou-se para frente, apertando os olhos. — Você quer nos matar? O garçon riu suavemente e colocou o caderno no bolso. — Eu não, senhores… mas o destino sempre cobra o seu preço dos infiéis. — Você é um fofoqueiro, traga-nos o de sempre. Max rosnou. — Volto já, infiéis... desculpem, senhores... Com isso, ele lançou-lhes um último olhar significativo e foi embora, deixando para trás uma tensão palpável no ar. Maximiliano estreitou os olhos e passou a mão na nuca, tentando ignorar o desconforto repentino que se instalou no seu peito. — Esse cara tem um problema. Murmurou Evans, pegando o cardápio. Maximiliano não respondeu. Ele apenas olhou fixamente para a mesa, com uma sensação da qual não conseguia se livrar. ✿·━━━━━━━━※━━━━━━━━·✿ Katie Müller estava no seu luxuoso quarto quando o seu telefone vibrou na cômoda. Ele olhou para a tela e franziu a testa ao ver o nome do seu primo, Jackson. Ele revirou os olhos antes de responder. — O que você quer, Jackson? Ela perguntou com irritação. — Quero que você pare de me usar para sua estu*pidez, Katie. Ele retrucou, com a voz gélida do outro lado da linha. A modelo bufou, sentando-se em frente ao espelho da penteadeira enquanto admirava o seu reflexo. — Eu só queria ajudar a minha amiga. Ela respondeu fingindo inocência. — Não me venha com essa. Rosnou o médico. — Eu te conheço muito bem, cobra. Eu sei que há uma agenda oculta em tudo que você faz, e ajudar a sua amiga não estava no topo da sua lista de prioridades. Katie cerrou os dentes, mas manteve a voz leve. — Max os viu juntos? — Não. Ele respondeu, com irritação evidente. — Graças a Deus consegui levar Audrey para casa antes que algo pior acontecesse. Eu evitei infortúnios desnecessários na vida daquela pobre mulher. — Você é um idi*ota. Ela cuspiu, a sua paciência evaporando. — E você é uma manipuladora. Retrucou Jackson. — Pare de machucar ainda mais os outros, Katie. A vida pode te cobrar caro. A mulher soltou uma risada sarcástica. — Não me dê sermão, Jackson. Coloque a sua moral onde ela se encaixa. Id*iota. — Só estou avisando. Ele disse firmemente. — Não brinque com as pessoas como se fossem peças de xadrez. Um dia você vai conhecer alguém que vai lhe dar um xeque-mate. Katie, furiosa, desligou a ligação e jogou o telefone na cômoda. O seu reflexo no espelho lhe devolveu a imagem de uma linda mulher, mas, os seus olhos ardiam de raiva. Com um grito de frustração, ela pegou um frasco de perfume e o jogou contra a parede. Cacos de vidro caíram a seus pés enquanto ela ofegava. — Droga de vida! Nesse momento, a porta se abriu ligeiramente e a empregada espiou nervosamente. — Senhora… Katie virou-se bruscamente para ela. — Você sabe se o meu marido está em casa? Ela perguntou friamente. A jovem engoliu em seco antes de responder. — Não, senhora. O cavalheiro saiu e não disse para onde estava indo. A modelo sentiu uma pontada de raiva percorrer o seu corpo. Ela se levantou de um salto e caminhou em direção à empregada, agarrando os seus cabelos sem piedade. — E para que dia*bos estou te pagando se você nem consegue me dar uma resposta útil? Ela cuspiu, empurrando-a em direção à porta. A jovem gemeu de dor, mas não ousou protestar. Katie a soltou abruptamente. — Saia. Ela ordenou. Quando a porta se fechou, ela respirou fundo, tentando se acalmar. Ela não conseguia acreditar que o seu plano de arruinar a noite daquela garota gorda e estúpi*da havia falhado. E o pior é que o marido continuou a ignorá-la. Mas isso não importava. Se havia uma coisa que ela sabia fazer, era conseguir o que queria. E se ela não conseguisse destruir a autoestima de Audrey em público, ela faria isso em particular. Com um sorriso m*alicioso, ela tirou o robe de seda dos ombros e deixou o tecido cair no chão. A sua pele perfeita brilhava na luz fraca do quarto. Ela foi até o espelho e começou a posar, pegando o celular e capturando cada ângulo do seu corpo esbelto e tonificado. Uma foto. Depois outra. E outra. Cada uma mais provocante que a outra, garantindo que a iluminação realçasse a perfeição da sua silhueta. Ela sorriu m*aliciosamente, imaginando a reação de Max quando os visse. — Quando você chegar em casa hoje à noite, não vai querer tocar naquela baleia da sua esposa. Ela pensou com uma satisfação doentia. Ela anexou as imagens e escreveu uma pequena mensagem: Você se lembra de como eu faço você se sentir, amor? Espero que Audrey não toque em você esta noite, porque depois de ver isso, você não vai querer tocar em mais nada. Com um dedo tremendo de antecipação, ela apertou enviar. Ela deitou-se na cama com um sorriso triunfante, esperando a reação de Max. Ela sabia que alcançaria o seu objetivo. Eu sabia que mesmo que ele ne*gasse a influência dela, aquelas fotos o assombrariam. E Audrey... Audrey continuaria a mesma mulher insegura, enquanto Katie se certificaria de que Max nunca mais a olhasse com desejo. A vitória tinha um sabor delicioso. ✿·━━━━━━━━※━━━━━━━━·✿ Max desligou o telefone, agitado. Katie não o deixava em paz, enviando-lhe constantemente fotos nuas ou em qualquer pose para lembrá-lo de quão linda e perfeita ela era, e isso, aos olhos do empresário, diminuía as suas expectativas em relação à imagem da esposa. — Pare de olhar fotos daquela mulher nua. Disse o seu amigo. — Você está criando uma imagem ridíc*ula e irreal de como essa mulher é. — Cale a boca. Interrompeu o empresário. Depois de alguns minutos de silêncio constrangedor, Max suspirou profundamente e passou a mão no rosto. — Eu não me importava com a aparência da Audrey antes... Ele confessou baixinho, sem olhar para o amigo. Evans levantou os olhos do cardapio, intrigado. — E agora? Ele perguntou sarcasticamente. — Depois que comecei a dormir com Katie e outras mulheres, sinto-me desconfortável que ele esteja... assim. Max tomou um gole de uísque, sem ousar dizer a palavra. — Gorda. Acrescentou Evans, erguendo uma sobrancelha. — Max, você sabia como ela era desde o começo. Audrey sempre foi gordinha e cheia de curvas. Isso nunca te incomodou. Na verdade, você a amava por ser assim. Max resmungou, girando o copo na mão. — As coisas mudam. Evans colocou o cardápio de lado e olhou para ele seriamente. — Você mudou, Max. Audrey continua a mesma. Você tem que lembrar que ela tem problemas de tireoide, desequilíbrio hormonal... não é culpa dela. Max fez uma careta de desgosto. — Eu não me importo. Eu queria que ela fosse como a Katie fisicamente, queria que ela tivesse um passado tão limpo quanto o da amiga dela. Evans soltou uma risada incrédula. — Você não pensava assim antes. Você encheu os seus olhos de vaidade, e quando um homem perde o respeito pela esposa, não há como voltar atrás. Ele balançou a cabeça. ‍​‌‌​ ‌‌‌​​‌​‌‌​‌​ ​‌ ‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌ ‌​​​‌ ‌‌‍
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