— Se*xo com outras pessoas é apenas um hobby até eu superar isso e enterrar a minha decepção com a minha esposa.
Evans bufou, irritado.
— Isso é um absurdo. Você acha que Audrey tem outros?
Max ficou tenso.
— Não acho que seja assim agora, mas as inseguranças sempre estarão lá quando você se envolve com uma mulher com um passado duvidoso.
— Essas inseguranças não são por causa da Audrey, são por sua causa. Corrigiu o seu amigo com firmeza. — Se você realmente quer paz, deveria reconsiderar o divórcio. Encontre uma mulher por quem você se sinta fisicamente atraído e não precise traí-la.
Max bateu a palma da mão na mesa e cerrou o maxilar.
— Eu nunca darei o divórcio à Audrey. Ele rosnou. — Eu a amo e não vou deixá-la feliz com ninguém. Além disso, não acho que seria bom para a saúde mental dela deixá-la. Ninguém vai querê-la. Se eu a deixar, ela morrerá sozinha. Ninguém quer uma mulher assim.
Evans apertou os lábios e balançou a cabeça.
— A vida nos traz surpresas, Sr. De la Vega.
O empresário ficou ainda mais tenso e olhou feio para ele.
— Você também está traindo a sua esposa, idi*ota. Não venha me dar lições de ética moral.
Evans deu de ombros calmamente.
— A diferença é que eu não amo a minha esposa. Eu nunca a amei e ela sabe muito bem que eu mexo com outras pessoas. Mas você cruzou uma linha e isso é horrível.
Max estreitou os olhos.
— Que linha?
Evans olhou para ele seriamente.
— Você dormiu com a melhor amiga dela, isso é realmente ultrajante.
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Não há nada pior do que o ego de um trapaceiro: eles se acreditam intocáveis, superiores àqueles que os amam, refugiam-se na própria arrogância... mas a vida, implacável, sempre contra-ataca quando menos esperam.
O grafite dançava sobre a folha de papel, deixando linhas suaves a cada movimento. Audrey desenhava com concentração, deixando a sua mente vagar entre formas e sombras. Desde criança, a arte era seu refúgio. Desenhar permitiu que ela criasse um mundo onde ela fosse suficiente, onde ela pudesse ser bonita, forte e valiosa sem precisar da aprovação de ninguém.
O som da porta da frente se abrindo a fez pular. Ela piscou várias vezes, sentindo o coração batendo forte no peito. Não era o horário em que Max costumava chegar. Ele esqueceu alguma coisa em casa?
Ela levantou-se imediatamente, alisou o vestido de algodão que estava usando e caminhou rapidamente até a entrada. Lá estava ele. Alto, impecavelmente vestido no seu terno de grife, sua gravata agora afrouxada, dando-lhe uma aparência mais relaxada.
— Eu não sabia que você chegaria em casa tão cedo. Ela disse com um sorriso trêmulo, brincando com as bordas do vestido.
Maximiliano olhou para ela por alguns segundos, sua expressão impenetrável como sempre.
— Você preparou o jantar? Ele perguntou, tirando o relógio do pulso e colocando-o na mesa mais próxima.
Audrey assentiu rapidamente.
— Sim, sim, a comida está pronta. Basta aquecê-la um pouco.
Max assentiu em aprovação antes de esticar os braços e massagear a nuca.
— Bom. Leve para o quarto. Vou tomar um banho e comeremos juntos.
Audrey sentiu a respiração falhar por um momento.
Ele queria jantar com ela? No quarto?
Fazia meses que não compartilhavam um momento tão a sós, que não jantavam juntos sem tensão ou indiferença. O seu coração disparou imediatamente e uma onda de emoção percorreu o seu corpo.
— Sim, claro, vou esquentar agora mesmo. Ela respondeu entusiasmada, sentindo a suas bochechas queimarem.
Max não disse mais nada, apenas subiu as escadas em direção ao banheiro, deixando Audrey num estado de excitação nervosa.
Meu Deus.
Pela primeira vez em muito tempo, senti que algo poderia estar mudando.
Com um sorriso largo, ela rapidamente se dirigiu à cozinha, onde a sua babá, a mulher que a criou desde pequena, organizava algumas coisas na despensa.
— Nana! Exclamou ela com a voz animada. — Max chegou cedo.
A mulher virou-se lentamente, cruzando os braços sobre o peito e levantando uma sobrancelha.
— E o que isso significa, menina?
Audrey foi até o fogão e ligou o fogo para esquentar a comida.
— Significa que jantaremos juntos. Ele me pediu para levar a comida para o quarto.
A sua babá suspirou, encostando-se no balcão com uma expressão séria.
— Mmm, e isso é motivo para você pular de alegria como se eu tivesse te dado a lua?
Audrey ignorou o tom cético da mulher e continuou a mexer cuidadosamente o molho do jantar.
— Nana, se você tivesse visto os olhos com que ele olhou para mim... Ela sussurrou, quase como se tivesse medo de quebrar o feitiço da noite. — Meu Deus, será que dessa vez está mudando?
A mulher permaneceu em silêncio por alguns segundos, observando-a com olhos cansados.
— Audrey… Ela disse com uma voz paciente, aproximando-se dela. — Não quero que você se sinta m*al, mas você sabe que Maximiliano tem um jeito de adoçar as coisas quando lhe convém.
— Não, desta vez é diferente, me desculpe. Ela respondeu firmemente, como se tentasse se convencer. — Estou me esforçando muito, Nana. Tenho sido mais compreensiva, mais paciente, mais... mais tudo.
A mulher pegou uma cadeira e sentou-se, apoiando os cotovelos na mesa e olhando para Audrey com evidente arrependimento nos olhos.
— Não me entenda m*al, minha menina. Eu daria qualquer coisa para que o seu marido a tratasse com a dignidade e o amor que você merece. Mas, Audrey... migalhas de afeto deixam com fome alguém que está morrendo de amor. E você merece mais do que isso.
Audrey olhou para baixo, segurando a colher com força.
— Mas… e se desta vez for diferente?
A babá balançou a cabeça.
— Quem me dera que fosse, minha menina. Mas o amor verdadeiro não é um jogo de azar. Você não deveria estar aqui, com o coração na garganta, esperando para ver se ele realmente te ama desta vez.
O silêncio ficou denso na cozinha.
Audrey sabia que a sua babá estava certa. Mas ela também sabia que não poderia deixar de sentir aquela pequena centelha de esperança no seu peito.
— Vou tentar. Ela sussurrou. — Não quero desistir.
A babá pegou as mãos dela delicadamente.
— Não é errado lutar por amor, minha menina... mas certifique-se de que eles também estejam lutando por você.
Audrey não sabia o que dizer. Ela apenas assentiu, embora, no fundo do coração se recusasse a ser vencido pela dúvida.
Cuidadosamente, ela serviu a comida numa bandeja e tirou da geladeira a sobremesa especial que havia feito para Max.
— Você pode me passar a caixa de suco? Ela perguntou com um sorriso animado.
A babá suspirou, tirando-a e colocando na bandeja.
— Esse homem não merece o que você está fazendo por ele, mas se isso te faz feliz, vá em frente.
Audrey pegou a bandeja com as duas mãos e respirou fundo antes de caminhar em direção às escadas.
Ela subiu os degraus, com o coração batendo forte no peito, com aquela sensação de que talvez, só talvez, dessa vez seria diferente.
Porque quando você ama com todo o seu ser, você se apega até ao menor sinal de esperança.
Embora às vezes a esperança seja apenas uma ilusão disfarçada de promessa.