2 Olívia

1182 Palavras
Conhecer a Itália sempre foi o meu sonho.. Eu economizei a minha vida inteira para poder conhecer o lugar que a minha querida avozinha nasceu. Tudo bem que eu só tenho vinte e dois anos.. Acho que dizer que economizei a minha vida inteira é um pouco exagerado, mas qualquer dinheiro que eu ganhava fazia questão de guardar. Sempre que a minha avó falava da sua Itália eu sentia como se já a conhecesse, não era para menos Nena era apaixonada por sua terra. Quando surgiu a oportunidade de intercâmbio, eu não pensei duas vezes.. Aquela era uma oportunidade única, bem para alguém com as minhas condições financeiras.. Se eu não aproveitasse a oportunidade, logo apareceria um imprevisto me fazendo gastar todo o dinheiro que eu tinha.. Problema que surge na vida do pobre com dinheiro planejado deveria ser uma coisa a ser estudada. Nos primeiros dias foi difícil.. Mas eu sou intercambista de gastronomia, sou uma apaixonada pela culinária Italiana e devia aquilo a minha avó. Como ela nunca conseguiu retornar a sua terra eu resolvi fazer isso, de quebra eu iria me especializar ainda mais na culinária italiana.. Sei que tudo que eu fazia não chegava aos pés do quê minha avó fazia, mas estar ali era uma oportunidade de aguçar aquilo. —O que acha de alugarmos um apartamento? – Silvia perguntou, ela também era intercambista e brasileira.. Era bom ter uma pessoa que falava a mesma língua que eu. —Você ficou louca? Eu m*l consegui pagar o meu intercâmbio —falei e ela revirou os olhos.. Silvia era dona de lindos olhos castanhos, os mesmos viviam escondidos por um óculos de grau. Tinha cabelos cor de mel e era mais baixa do que eu.. Graças ao meu pai eu tinha quase um e setenta de altura. Não chegava a ser uma modelo de passarela.. Mas também não media um cinquenta e cinco como a minha mãe. —Eu vou arrumar um emprego —ela falou e eu levantei a sobrancelha, bem aquilo realmente era necessário.. Ainda assim não sabia se iria ser suficiente. —se nós duas arrumamos um trabalho, acho que fica mais fácil —falou e vendo por aquele lado.. Eu era intercambista de gastronomia, mas toparia qualquer coisa até mesmo ser garçonete. Eu achava mais viável, Silvia tinha total razão. —Que emprego pretende arrumar? —ela deu de ombros —Desde que ele pegue as minhas contas.. Posso até retirar c**ô de cachorro —falou e eu tive que ri, deitada na minha cama olhando o teto.. Eu me virei para vê-la e Silvia já estava a me olhar. —Você tem pretensão de alguma coisa? —perguntou e eu balancei a minha cabeça, se tinha uma coisa que eu tinha era experiência de emprego. —Acho que eu também não me importaria de retirar c**ô de cachorro —falei e ela bufou, apanhou uma almofada e atirou em minha direção. —Cretina.. Nem pense em roubar a minha ideia —falou e nós duas gargalhamos, era ótima a nossa convivência. Silvia é o tipo de pessoa que você conhece e se identifica na hora.. Eu estava grata por ter ela ali, aquilo aplacava a saudade da minha família. Não podia falar todos os dias com meus pais.. Seria muito caro e eu não podia me dar aquele luxo. —olha só qualquer coisa que virmos relacionado a trabalho nós vamos tentar —falou e eu concordei, na nossa situação não era o caso de escolher. —Por mim tudo bem.. Só quero poder falar com os meus pais ao menos uma vez na semana —falei e vi ela se encolher, não sabia qual era o lance de Silvia com os pais dela.. Ela m*l tocava no assunto e se retraia quando eu falava dos meus. Uma semana se passou.. Parece que não era tão fácil assim arrumar emprego por ali, mas ter uma apartamento em Florença já era um sonho para mim e eu o queria mais do que tudo. Se ele fosse só um quarto e sala seria o melhor lugar do mundo.. Eu não aguentava mais dividir banheiro. Para Silvia as coisas também não estavam lá as melhores, ela tinha mais rejeições do que eu.. Mas também ela tinha mais tentativas. Talvez fosse coisa do destino.. Ou preferia acreditar que tinha dedo da minha avó, em uma tarde eu vi o anuncio de um restaurante e eu tive certeza que aquela era a minha chance. Como já era bem tarde eu deixei para ir no dia seguinte.. Estava com uma confiança gritante dento de mim e sabia que algo de bom iria me acontecer. No dia seguinte.. Como eu estava livre das aulas, acho que aquele também foi o motivo de ter deixado para o dia seguinte. Eu estava a caminho do lugar.. Sei que deveria colocar algo mais profissional, mas aquele vestido era uma das minhas melhores roupas. O dia quente não me deixava sair de casa sem uma garrafinha de água.. Geralmente ela ficava na mochila, mas eu não queria molhar o que tinha ali. Quando eu estava perto do meu destino, o meu celular apitou anunciando uma nova mensagem. Eu peguei o aparelho vendo se tratar de Silvia. Quando eu sai ela ainda dormia, agora me mandavam uma mensagem desejando-me boa sorte. Balancei a cabeça e continuei com o celular na mão.. Se tudo desse certo, eu ainda poderia passear um pouco já que era cedo e eu agradecia aos céus por aquilo. —Está perdida.. Princesa? —me assustei com a voz grave e o inglês perfeito, a pergunta parecia direcionada a mim.. Já que a sombra estava a minha frente. Assim que levantei os meus olhos, eu tive que piscá-los imediatamente. O homem parado a minha frente era uma verdadeira visão, cabelos negros e olhos verdes.. Eu achava que era alta, mas na frente dele eu não era nada.. Chegava ao seu peito, que apesar de estar coberto pelo terno de três peças sob medida.. Não conseguia esconder como ele era forte, o queixo quadro com uma barba rala o fazia tão sexy.. O jeito que me olhava deixava-me a ponto de entrar em combustão. Perfeição definia aquele homem a minha frente.. Tentação e caminho sem volta também. —Eu falo italiano —abri a boca fingindo tranquilidade —não, eu não estou perdida —ele continuou a me encarar de cenho franzido. —Americana? —balancei a minha cabeça.. Deus por que eu sentia-me tremular a cada vez que ele falava.. Não que tivesse falado muito, mas já era o suficiente para me deixar.. Não sabia nem nomear aquilo. —Brasileira —falei com orgulho quase estufando o peito —Se me dá licença.. Eu tenho um compromisso —falei correndo, me afastando dele.. O homem que eu m*l conhecia e que me deixou tonta, ficou para trás.. Ele não tentou me impedir ou me seguir e dei graças a Deus por aquilo, não sabia se gostava do que ele fazia crescer dentro de mim. Certamente nunca mais o veria.. Era melhor assim.
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