— Ah meu Deus, Kyungsoo eu sinto muito!
Chanyeol estava segurando o bebê que havia acabado de nascer, Kyungsoo estava na sala de recuperação minutos depois de ter acordado, ele nem sequer havia pego seu filho nos braços ainda, e já estava tendo que dividi-lo com o bando de tios corujas que haviam entrado na sala sem nem terem a permissão.
— Pobre criança, Kyungsoo, você precisa ser forte.
Sehun também estava lá, e assim como Chanyeol, olhava para a criança com cara de espanto. Kyungsoo estava ficando assustado, os médicos não haviam dito nada sobre qualquer problema no parto ou qualquer deformidade na criança, Mingyu deveria ter nascido saudável. Chanyeol o entregou em suas mãos, Kyungsoo finalmente conheceu seu filho, e não parecia ter nada de errado com ele, pelo contrário, era um bebê lindo.
— Eu sinto muito, Kyungsoo, mas ele é a cara do Jongin.
O pequeno ômega teria batido nos dois alfas idiotas se não estivesse preso naquela cama, eles o haviam assustado para nada, eram dois malas mesmo, e nem eram para estar ali, aquele momento deveria ser apenas dele e Jongin, Chanyeol e Sehun deveriam ter esperado lá fora com Lu Han e Baekhyun, e não terem entrado escondido junto com Jongin. Eram dois intrometidos.
Intrometidos! E pareciam dois carrapatos grudados em Jongin, nem mesmo estando casados eles pareciam se desgrudar. E não reclamaria muito disso, era divertido no fim das contas, e sempre ficaria constrangido quando Jongin os mandasse embora porque precisava acasalar.
Jongin era outro que sempre o mataria de vergonha.
Mas no fim das contas, não reclamaria de nada, esse misto de sensações o fazia se sentir completo, em uma família completa, tendo ao seu lado pessoas maravilhosas. Afinal, se não fosse Chanyeol, eles não estariam ali hoje. Mingyu precisava amar muito o tio Chanyeol.
— Saiam daqui, saiam! — Jongin os empurrou para fora da sala, e mesmo à contragosto os dois alfas saíram da sala, finalmente deixando o casal e seu novo bebê sozinhos.
Kyungsoo segurava seu filho nos braços, estava tão feliz que seu coração martelava no peito. Aquilo era tão injusto, havia o carregado por nove meses para ele nascer igualzinho ao pai, Mingyu não tinha nada seu, ele era exclusivamente Jongin, todos os detalhes do rosto lembravam o alfa, a cor dos olhos e o formato do nariz. Mas assim estava bom, sempre que olhasse para seu filho, lembraria que tinha um alfa que o amava de verdade, e o quanto eles eram uma família feliz.
O alfa puxou a cadeira mais para perto, podendo estar ao lado de seu ômega enquanto ele amamentava seu filho, queria guardar aquela imagem para sempre em sua memória. Kyungsoo estava despenteado, seu rosto estava com uma cor estranha, parecia cansado e abatido, partos são sempre mais complicados para ômegas machos, algo que Jongin não gostaria nem de imaginar.
Ele tinha desmaiado no primeiro grito que Kyungsoo deu na sala de cirurgia, só acordou horas depois.
— Desculpe não ter ficado do seu lado durante o parto, alfas não foram feitos para assistir esse tipo de cena, não temos um estômago tão forte. — ele ria, mas estava envergonhado, havia prometido ficar ao lado de seu marido naquele momento tão importante, e falhado miseravelmente.
Kyungsoo jamais ficaria zangado com algo assim, por mais preocupado que tivesse ficado ao ver Jongin indo ao chão naquele momento, ele tentava entender o lado do alfa, além de que não adiantaria de nada ficar chateado naquela hora, pelo contrário, estragaria aquele momento tão perfeito.
— Jongin, eu te amo demais pra me chatear com essas coisas.
O alfa sorriu encarando os olhos de seu ômega, era o ômega mais perfeito que seus olhos já tiveram o prazer de conhecer, tinha sorte de tê-lo em sua vida, e mesmo sendo um alfa tão i****a e insensível, havia conseguido encontrar um ômega que venceria todas aquelas barreiras. Kyungsoo não desistiu dele, e ele nunca desistiria de Kyungsoo, independente das coisas viessem a acontecer.
O mais importante era não deixar o amor morrer.
— Estou tão feliz pelo nosso filho ter nascido, já não aguentava mais de ansiedade.
— Nem eu, estava louco para ver o rostinho dele. — Kyungsoo olhava abobada para aquele bebê, que agora dormia tranquilamente nos braços de sua omma — Não sabia que estava tão ansioso quanto eu para conhecer o nosso filho.
— Eu queria muito ver o rosto do nosso filho, ver como ele seria, se seria parecido comigo, estou tão feliz em ver o quanto ele é a minha cara. — o alfa passou a mão pelos pequenos fios de cabelo de seu filho, não tiraria seus olhos daquela cena nunca, ele era perfeito — Tá sentindo o cheiro forte que vem dele?
— Nosso bebê é um alfa.
A porta se abriu e um garotinho passou correndo, era Jooheon, que havia vindo conhecer seu novo irmãozinho. Jongin o pôs no colo para que ele pudesse ver. A enfermeira que havia trazido o ômega menor saiu os deixando sozinhos e em privacidade. Jooheon olhava curioso para o bebê tão pequeno.
— Olha, Jooheon, esse é o seu irmão Mingyu.
Jooheon sorriu banguela, ele também estava feliz.
[...]
Dizem que a felicidade é algo passageiro, que não se pode agarrar com as mãos, e que estamos sempre fadados a nos encontrarmos em momentos tristes outra vez. A vida é como uma grande roda-gigante, uma hora você está bem no alto, sentindo aquele frio na barriga e a sensação de liberdade, junto com aquele ventinho gelado que te dá arrepios. Outra hora estamos embaixo, olhando apenas para o chão, vendo as pessoas serem felizes lá no alto. Nessas horas, você sente vontade de abandonar a roda-gigante. E nessas horas, sentir o toque leve das mãos de quem está sentado ao nosso lado é a melhor coisa, é aquilo que nos faz permanecer ali, e saber que uma hora a roda-gigante vai girar de novo.
Seis meses depois do nascimento de Mingyu, o avô de Kyungsoo veio à falecer, o pequeno ômega já havia chorado muito, agarrado ao corpo morto do avô, naquela cama de hospital, o ômega Kim só saiu de lá quando Jongin apareceu com seus dois filhos, para lembra-lo de que o Sr. Do não era a única pessoa que o amava.
Jooheon também chorou, havia se apegado ao vovô pelo tempo em que ele passou com a família. O Sr. Do havia partido após dizer que seus últimos dias haviam sido os mais felizes de sua vida, e agora estaria se juntando à sua amada esposa para sempre, havia pedido para Kyungsoo não chorar. Mas aquele pedido não poderia ser atendido.
No enterro haviam poucas pessoas, o Sr. Do não tinha muitos amigos íntimos, o padeiro, o dono da floricultura e a dona do mercadinho eram os únicos ali que não eram parentes, ou amigos de Jongin, que haviam ido prestar suas condolências a Kyungsoo. A música lenta e triste tornava aquele ar fúnebre ainda mais pesado, Kyungsoo só queria fugir dali, fugir de tudo o que estava acontecendo naquele momento. Não queria acreditar que seu avô havia mesmo partido.
E no fim da noite, Kyungsoo havia sumido.
Jongin não fez alarde disso, ficou em casa com seus filhos enquanto Kyungsoo esfriava a cabeça, o ômega precisava de um tempo para pensar, para sentir à sua dor em paz, todos mereciam ter um tempo para raciocinar tudo o que havia acontecido, para colocar as coisas no lugar. Do Kyungsoo, agora Kim Kyungsoo, havia passado por muita coisa nos últimos dois anos, sua vida havia virado de cabeça para baixo.
Não se arrependia de nada, todas aquelas escolhas o haviam levado para os braços do amor de sua vida, tanto as escolhas boas, como também as ruins. Se no final da noite pudesse estar ao lado de Jongin, tudo valeria à pena, tudo sempre valeria à pena.
Quando a madrugada chegou e Kyungsoo ainda não havia retornado para casa, Jongin começou a ficar preocupado, já era tarde demais para um ômega estar sozinho fora de casa, as crianças já estavam dormindo há muito tempo, o dia logo amanheceria, e não havia nenhum sinal de Kyungsoo. Jongin conseguia sentir que Kyungsoo não estava em perigo, mas mesmo assim não deixava de ficar preocupado, era para ele já ter voltado.
Decidiu não esperar mais. Precisou acordar uma das empregadas da casa para pedir que ela tomasse conta das crianças enquanto saia para buscar Kyungsoo. Seu coração começava a apertar, sabia que seu pequeno ômega estava chorando de novo, que o coração do menor estava ferido e despedaçado. E ninguém melhor para concertar esse estrago do que o alfa que tanto amava.
Não era uma busca sem direção, pra falar a verdade Jongin sabia exatamente onde Kyungsoo estava. E não havia lugar melhor para terminar aquela história, do que o lugar onde tudo começou. A porta da lanchonete estava destrancada quando chegou, não demorou muito até encontrar o pequeno ômega sentado no chão ao lado do balcão.
— Sabia que estaria aqui.
O alfa sentou ao lado de seu marido, Kyungsoo se encolheu contra seus olhos escondendo o rosto, não queria que Jongin o visse daquele jeito, ele estava deplorável. O menor ficou em silêncio, e por alguns minutos Jongin respeito a sua vontade de apenas ficar quieto e se esconder. Mas estava ali para mostrar que ficaria ao seu lado em momentos difíceis, e não queria que Kyungsoo derramasse mais nenhuma lágrima.
Era fácil colocar o pequeno ômega em seu colo, Kyungsoo era leve e pequeno, poderia leva-lo em seus braços para qualquer lugar. E levaria, o levaria para sempre. Jongin acariciou os cabelos de seu amado sentindo Kyungsoo ficar ainda mais mole em seus braços, as lágrimas molhavam a roupa do maior. Só queria mima-lo até que a dor passasse, só queria estar com ele, estar ali por ele.
— Esse lugar sempre vai guardar a essência do meu avô, o resto de vida que vou guardar para mim, enquanto esse lugar existir, ele sempre existirá. — o menor sussurrava rente ao peito do alfa, sua voz estava grossa pelo choro, Jongin sentia seu coração arder o ouvindo falar.
— Enquanto o seu amor por ele existir, ele sempre existirá em seu coração, Kyungsoo.
Apertou ainda mais aquele abraço, o menor afundou-se completamente no peito de seu marido e aspirou seu cheiro. Aquele cheiro sempre o lembraria que Jongin era real, sempre o lembraria da grande bolha de felicidade que Jongin era para si. E enquanto tivesse Jongin, seria feliz.
Felicidade não lhe faltaria, ele tinha seu alfa, e dois filhos maravilhosos, algo que há quase dois anos atrás jamais sonharia em ter. Ainda havia muita felicidade para se ter. Jongin havia entrado em sua vida trazendo tudo aquilo, trazendo Jooheon, trazendo seu bando de amigos intrometidos e s*******o, e havia lhe presenteado com o filho alfa mais lindo que poderia ter.
Sua vida ao lado de seu avô havia sido feliz, e sua vida ao lado de Jongin e seus filhos, seria feliz em dobro.
— Jongin, eu sou feliz com você.
O alfa sorriu ao ouvir aquilo, dizer que era feliz era bem diferente do que o “eu te amo” que estava acostumado a ouvir, saber que Kyungsoo era feliz aquecia por demais seu coração. Se Kyungsoo era feliz, era porque estava fazendo a coisa certa, era porque as coisas estavam seguindo no rumo certo.
— E eu sou o alfa mais feliz do mundo com você.
Aquela pequena lanchonete havia sido o palco daquele grande espetáculo chamado amor, fora ali onde pela primeira vez havia posto os olhos sobre o ômega que mudaria sua vida, o lugar onde pela primeira vez sentiu seu cheiro. Ela havia sido testemunha do primeiro beijo, da primeira troca de olhares, do primeiro suspiro. As coisas não seriam iguais se aquela lanchonete não existisse.
Então benditas sejam as lanchonetes, e benditos sejam os ômegas que trabalham nelas. Benditos sejam os alfas que param para comer ali, e benditos sejam os filhos que choram por colo. E no fim de tudo, benditos sejam os casais que se apaixonam nas lanchonetes.
— Kyungsoo, eu amo você.