We need the truth

2152 Palavras
— Omma Kyungsoo vai vim morar com Jooheon? — o garoto abriu um imenso sorriso no momento em que viu seu tão amado omma confirmar com a cabeça, jogou-se nos braços do mais velho o apertando com a pouca força que seus bracinhos tinham. Estava feliz, muito feliz em saber que finalmente teria a família que tanto queria ter, que seria como as outras crianças que tinham um pai e uma mãe. Jooheon estava tão feliz que essa felicidade m*l cabia em seu peito. Pulava pela casa anunciando para as paredes e para os móveis que agora ele teria uma Omma. Jongin apenas sorria maravilhado com a cena, enquanto Kyungsoo chorava. Chorava por também estar feliz, feliz por si mesmo e pelo pequeno filhote saltitante, feliz por aquela família, feliz por Jongin. Parecia que as coisas finalmente estavam entrando nos eixos, e ele estava próximo a experimentar de novo o que realmente era ser completo. Depois que perdeu seus pais, Kyungsoo sentia que parte de si havia ficado vazia, e agora esse vazio estava sendo preenchido completamente. — O nosso filhote está tão feliz, Jongin. — Kyungsoo dizia enquanto abraçava o alfa pela cintura e era correspondido pelo mesmo — Acho que vou ter um treco. — Ele não é o único que está feliz. — o Kim respondeu se aproximando mais dos lábios do menor, até conseguir tocar seus lábios de forma rápida e singela. Mas sempre tão carregado de carinho. O celular vibrou no bolso, era insistente, acabou o buscando com uma das mãos e o nome ChanYeol, na verdade estava escrito “Encosto”, mas era o Chanyeol, brilhava na tela — Preciso atender, o ChanYeol nunca liga em horário de trabalho se não for importante. Kyungsoo não disse nada. O Park falava apressado e havia uma barulheira de fundo. Reconhecia aquele mandarim em quilômetros de distância, e aquela era uma péssima hora para ouvir aquela voz. Tinha horas que odiava seu trabalho. — Preciso ir pra empresa. — não estava nenhum pouco satisfeito com isso, queria ficar ali e curtir sua família mais um pouco, o trabalho deixaria pra depois — Os sócios chineses estão lá para uma reunião, mas eu prometo que assim que tudo terminar eu volto correndo pra casa. — Você precisa cuidar da sua empresa, meu amor, se falir, quem vai me sustentar? O alfa riu e beijou o baixinho mais uma vez antes de sair. E Kyungsoo ficou ali, sozinho com seu pequeno filhote, que ainda pulava de um lado pro outro pela casa, parecia que alguém tinha ligado uma bateria de carro nele, o menino tinha uma energia de dar inveja em qualquer pilha. O ômega sentou-se no sofá, e não demorou muito até sentir os bracinhos do menino o abraçarem pela barriga de maneira carinhosa, o pequeno Kim encostou a cabeça no braço do mais velho e Kyungsoo conseguiu ouvir algo parecido com um suspiro. — O que acha de ter um irmãozinho, Jooheon? O menino rapidamente levantou a cabeça e curioso encarou o maior, sua boca se abriu entre um sorriso e uma expressão surpresa. Kyungsoo achou aquilo muito fofo. — A cegonha vai trazer um bebê para Omma Kyung e Appa Jongin? — Jooheon saltou do sofá e começou a pular diante de Kyungsoo, que queria rir e chorar ao mesmo tempo — Os meninos da escola tem irmãozinhos e uma Omma, eu vou ter os dois, Omma Kyung? E lá estava Kyungsoo chorando novamente, quase tendo um treco de felicidade. Queria tanto contar logo para Jongin e se livrar do peso daquele medo, dizer para Jongin o quanto estava feliz em ter um filho dele, o quanto sempre quis ter um bebê. Queria falar tudo de uma vez, queria chorar, queria rir, queria sair por aí comprando com as coisas do seu bebê. Mas que droga! Seu coração estava explodindo, estava tão feliz por ter uma família completa, tão feliz por finalmente realizar seus sonhos. Por que tinha que ser assim? Por que tinha que ter tanto medo de falar as coisas? Não deveria ser assim, só deveria contar de uma vez e pronto. Ter medo de falar era praticamente o mesmo que duvidar do amor de Jongin. E não era dessa maneira que queria sua família. — Jooheon, você acha que o seu pai vai gostar de saber do bebê?     [...]     — Nós vamos adotar. A reunião acabou sendo bem curta, tudo o que precisava ser resolvido já havia sido feito por ChanYeol, o motivo para ter sido chamado era outro, o Park precisava falar com ele, precisa esquecer aquele mundo adulto em que havia se envolvido, e conversar com seu melhor amigo como sempre faziam antes. — O novo exame confirmou que o problema está em nós dois, nem ele e nem eu podemos ter filhos biológicos, por isso todas as inseminações falharam. Jongin podia ver a tristeza nos olhos de seu amigo, mas mesmo assim a sua esperança era notável. Park Chanyeol sempre fora o tipo de pessoa que não se deixava abater por nada, e encontraria sempre uma forma de reverter a dor e torna-la em felicidade. Esse era o verdadeiro Park Chanyeol, seu melhor amigo de infância, alguém que cresceu junto e fez parte de sua vida em todos os seus dias, alguém que viu mudar e amadurecer diante das circunstancias da vida. Chanyeol se transformou em alguém melhor por Baekhyun, e essa era a sua maior prova de amor. — Fomos à um orfanato. — a voz do maior estava embargada, um choro estava preso ali — Conhecemos um garotinho, ele é muito esperto, estamos pensando em ficar com ele. — Isso é bom, um filho não precisa ter o mesmo sangue para ser um filho. Chanyeol quis rir. — Isso é algo que o Kyungsoo diria. — o Park virou o rosto em direção da janela, o mundo lá fora estava cheio de pessoas com diferentes problemas, cheio de pessoas que não podiam ter filhos, mas que mesmo assim não pensavam em desistir, ele não podia desistir de ter uma família com Baekhyun por causa disso, precisava seguir em frente, e mesmo que aquele garotinho fosse ter o seu sangue, ele seria sua família — Sabe, Jongin, eu realmente quero adotar aquele menino. — Posso saber como ele se chama? — O nome dele é Taeyong, ele é um beta.   [...]   Anoiteceu e Jongin não havia voltado pra casa, ele disse que viria logo, mas não veio, não ligou e não mandou nenhuma notícia. Jongin havia sumido, e quanto mais o tempo passava mais inseguro Kyungsoo ficava, queria que seu alfa voltasse logo para casa, não aguentava mais ficar naquele apartamento sem Jongin ali. E depois que Jooheon adormeceu, as coisas ficaram ainda piores, se sentia completamente sozinho agora. Ligou a TV para tentar distrair a cabeça com alguma coisa, uma novela estava passando e se soubesse como pioraria as coisas assistindo aquilo ele nem teria sentado naquele sofá. Estava passando uma daquelas novelas tristes em que a protagonista só se fode. O pior de tudo foi ter ficado assistindo aquilo até tarde da noite, vários e vários capítulos reprisados daquela novela pavorosa, vendo a mocinha ser rejeitada por quem amava, depois descobrir que estava grávida, ter o bebê e fugir do país com ele pra viver uma nova vida com um cara que dizia amá-la e que iria protege-la e proteger o bebê como se fosse seu. Era muito triste ficar vendo ela fingir estar feliz com quem não amava só pra ter a proteção do mesmo, e era meio deprimente ver a vida que o pai verdadeiro do bebê levava ao lado de outra pessoa que também fingia amar. Mas o pior mesmo foi o fim, quando o cara descobre a verdade sobre seu filho e tenta voltar pra ela, e eles até chegam a dar uma esperança de final feliz, isso até a esposa do protagonista aparecer e matar ele. A história terminava com a mocinha sozinha tendo que dar seu filho para adoção por não poder cria-lo. Kyungsoo acabou criando um monte de paranoias na cabeça enquanto assistia aquela novela. E quando Jongin chegou, já tarde da noite, o encontrou sentado no sofá, todo encolhido chorando de forma compulsiva e desesperada. A única reação do alfa foi correr em direção do pequeno ômega e abraça-lo, não estava entendendo nada do que estava acontecendo e em seu coração crescia a preocupação de vê-lo daquela forma. Não tinha como entender nada. Kyungsoo só chorava e balbuciava coisas que não tinham sentido nenhum, enquanto agarrava e amassa o casaco do alfa, quase da mesma forma em que estavam no dia em que Jongin descobriu sobre a marca. E o Kim não sabia o que fazer, apenas perguntava o que estava acontecendo, se ele estava ferido ou se tinha acontecido algo com Jooheon. Jongin estava a ponto de explodir. — Jongin, você me ama? — finalmente conseguiu entender algo, o choro continuava e Kyungsoo não parecia nem tentar parar de chorar — Você me ama de verdade que nem ama o Jooheon? — Claro que amo, meu pequeno. — mesmo sem entender o alfa concordou e conseguiu puxar Kyungsoo para o seu colo, o menor enviou as mãos para dentro do casaco do Kim e continuou chorando sobre o peito do mesmo. — Onde você estava, Jongin? — Com Chanyeol, aconteceram algumas coisas, mas eu juro que te conto tudo, meu amor, por favor, não fique assim, sei que deveria ter te ligado, mas tudo estava sem área, por favor, meu pequeno, pare de chorar.   Kyungsoo ficou em silêncio tentando parar de chorar, sua respiração estava pesada e era difícil controlar os soluços que vinham pelo choro. Apertou o tronco do maior alto com mais força e parou para prestar atenção no coração que batia alto e forte dentro do peito do alfa. Estava preocupando Jongin demais, precisava se controlar. — Me desculpe, Jongin, eu menti pra você. Jongin entendeu menos ainda. — Do que está falando? Respirou fundo novamente, engoliu o nó em sua garganta como se fosse adiantar de alguma coisa. — Do medo. — a resposta saiu em sussurro, mas o Kim ouviu — Jongin, eu não estava com medo apenas de ser rejeitado, tinha outra coisa, tem outra coisa. O alfa beijou os cabelos do ômega que tanto amava. Estava sentindo, estava sentindo seu medo, estava ouvindo seu coração bater e seu cheiro se espalhar. Seu cheiro, aquele não era só o seu cheiro, e depois de parar por aqueles longos minutos silenciosos, depois de respirar aquele ar carregado, depois de parar de pensar tanto, o alfa finalmente notou aquele cheiro que estava ao seu lado o tempo todo. Fora um i****a por não ter notado antes, Kyungsoo estava sensível demais, até mais do que era normal um ômega recém-marcado estar. Devia ter notado antes, se fosse mais atento as coisas não estariam daquela forma, aquelas lágrimas não teriam existido.   — Jongin, eu vou ter um filho seu. — saiu depois de ter demorado muito para ter coragem o suficiente, o ômega levantou a cabeça para olhar nos olhos de seu alfa, que também estava chorando. O menor se ajeitou sobre o colo do Kim, levou as mãos para o rosto do alfa, que ainda não havia dito nada — Por favor, me diz que está feliz em ouvir isso, me diz que vamos ser felizes juntos, me diz que somos uma bela família e que vamos ficar juntos pra sempre, me diz que me ama e que não vai me abandonar nunca. — Kyungsoo começou a ficar desesperado diante daquele silêncio, começou a bater no peito do Kim tentando ver alguma reação, que não vinha — Ou então fala que me odeia, que não quer saber do meu filho, que não quer ter mais nenhum filho, me manda ir embora, mas por favor, fala alguma coisa! Jongin segurou as mãos do ômega o obrigando a parar de batê-lo, Kyungsoo se assustou, mas antes que pudesse falar alguma coisa, o alfa o beijou. Um beijo salgado com o gosto daquelas lágrimas. Kyungsoo se sentia confuso, mas correspondeu, seu peito martelava entre a esperança de ter Jongin para sempre, e entre o medo de ser o último beijo que receberia do alfa que amava. — Por que você tem que ser tão complicado, Kyungsoo? — Jongin sorriu enquanto ainda chorava, suas testas continuavam coladas uma na outra — O que eu preciso fazer pra você acreditar no meu amor? Me diz o que você quer, me diz que eu faço, eu faço tudo por você. — Eu te amo tanto, Jongin. — sussurrou — Me perdoa por ser assim, sempre fui muito inseguro. — Então me deixa ser a sua segurança. — o alfa o abraçou mais uma vez, Kyungsoo já não soluçava mais, mas as lágrimas ainda caiam em seu peito — Kyungsoo, se case comigo.
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