Ação.

2518 Palavras
Entramos no elevador, era tarde da noite e aquele horário não tinha ninguém pelo caminho, era f**a ter que encontrar com alguém naquela situação, quem visse morreria de susto na certa. Os dois bobões estavam dividindo o mesmo quarto, e em um hotel de luxo, que tipo de pessoa rouba alguém e vai se esconder em um hotel de luxo? Só mesmo dois idiotas que não sabem o que faz, pra roubar alguém tem que ser inteligente, não adianta pegar o dinheiro se não sabe o que fazer depois disso, é encomendar sua morte própria morte, roubar sem ter nenhum experiência. Entramos no quarto com o cartão de acesso, duas mulheres o acompanhavam, e parecia que a orgia ali tinha sido grande, aliás era grande, estavam em posições reveladoras de mais, vou ter pesadelos com isso certeza. --- Sem querer atrapalhar o sexo de vocês, mas podem nos dar licença queridas? Melissa falou com uma voz tão doce que se eu não conhecesse, diria que era a mulher mais doce que já tinha conhecido, com uma voz daquela poderia enganar qualquer um. As mulheres correram para fora do quarto. --- Sua atuação fica a cada dia mais surpreendente flor. --- Aprendi com a melhor. Os dois ainda estavam sem entender, não sabiam que a morte tinha chegado a porta deles, isso nem passava pelas suas cabeças ocas. --- Ah, agora entendi, elas devem ser as prostitutas que chegaram agora, a fantasia é diferente, mas deve ser a nova moda. --- Nossa, a mente dele é da hora, o que cê acha? --- Queria pensar igual, se a morte batesse em minha porta, pensaria que era o papai Noel, mesmo que não fosse mês de natal. Nós duas rimos, e eles ainda estavam sentados na cama sem entender nada, mas também eu não me daria o trabalho de explicar, não mesmo. E nem deu tempo de raciocinar, partirmos cada uma pra cima de um, a exigência do cliente era que a gente entregasse uma prova de que eles estavam mortos, nada melhor que entregar as mãos que auxiliou no roubo certo? Arranquei o braço do que eu estava matando, exatamente do cotovelo pra trás, só a mão eu acho que ele não reconheceria, Melissa fez o mesmo, arrancou exatamente como fiz, os gritos deles seriam ouvidos pelos hóspedes, por isso arrancamos a língua antes mesmo de ter começado o ato, não seriam capaz de gritar, era melhor assim. Realmente eu e Melissa somos malucas, nosso roby é estranho, e ainda fazemos com sorriso no rosto, a psicopata que habita em nós ama isso de coração, não conseguimos nem mesmo esconder isso, fazer o que? Tá no sangue. Eu tinha um faca boa de corte em mãos, aquelas de açougue bem afiadas, foi um presente da mamãe e era personalizada, tinha o meu nome e alguns desenhos que eu gostava, já Melissa tinha uma machadinha também presente da minha mãe e personalizada como minha faca era, os presentes da minha mãe eram estranhos, isso sim, faz fazer se era disso que a gente gostava. A cada golpe que dávamos nos dois, os mesmos perdiam a força gradualmente, já tinham parado de se debater, e não tinha mais graça continuar, eles nem se mexiam mais, não tinha como matar quem já estava morto. --- A diversão já acabou. --- Muito pouco tempo, passamos quase uma semana sem receber nenhum serviço. --- Infelizmente. Vamo lá. O cliente estava nos esperando no estacionamento, e assim que o avistamos, reconheci quem se encontrava ao lado dele, Thomas e Levi, estavam ali do lado do homem, era uma merda, ainda bem que ainda tínhamos as máscaras no rosto, já pensou eles verem com o que trabalhamos? Nem em sonho gosto de imaginar isso. Levantei a metade do braço do homem que eu carregava e acenei para eles, nossa naquele momento pareci uma psicopata mais do que achava que era. --- Será que vão nos reconhecer flor? --- Acho que não, nem mesmo nossa voz sai igual quando estamos de máscara. --- Ainda bem. Chegamos perto, os três olhavam para os braços que estavam em nossas mãos, jogamos os dois em cima do homem que solicitou o serviço. --- A prova tá em mãos querido. --- Realmente são boas. --- Pensei que o cliente só era um. --- E só sou eu, esses dois estavam comigo no bar. --- Até mais, lembra de adicionar mais uma taxa sobre o pagamento, a diversão foi pouca, não compensou. --- Ou não vai tirar a máscara. --- Talvez se algum dia alguém encomendar sua morte eu tiro pra você ver antes de morrer. Thomas e Levi riram dele, e nós seguimos nosso caminho, só retiramos as máscaras quando estávamos em uma distância razoável do hotel, vai que alguém estava seguindo a gente? Joguei a minha no banco de trás, depois lavaria e colocaria no meu lugar. Meu lugar era no meu quarto, especificamente atrás de uma parede falsa que havia ali, nossos objetos de trabalho eram guardados ali, e adivinham de que foi a idéia de ter um esconderijo atrás de uma parede falsa? Exatamente, da minha mãe, ninguém tinha idéias tão loucas como as dela. Infelizmente a minha mãe saiu do trabalho, mas o trabalho não saiu dela, sempre que ela podia conversava com nós sobre os trabalhos que recebíamos, dava dicas, armas e as vezes perguntava como matamos, ela era mais psicopata que nós, e ouvir essas histórias deixava ela com sorriso no rosto. Já combinamos de algum dia nos juntarmos para uma última despedida pra ela e tia Lívia, e as duas concordaram, só estamos esperando o momento certo, que vai chegar logo logo com certeza. Chegamos em casa e carregamos nossa maleta pro quarto, cada uma de nós tinha uma, era útil, principalmente pra sair de casa sem que meu pai visse o que a gente carregava. Guardamos nossos equipamentos ali, fomos tomar um banho, e sim juntinhas, era assim que a gente fazia, não havia vergonha entre nós, e nem éramos interessadas em b****a, só tínhamos o costume de tomar banho juntas, era legal esfregar a costa uma da outra. --- Nossa, tô morta. --- Claro que tá Kess, só matou uma pessoa. --- Se f***r, passei o dia todo sentada em uma cadeira trabalhando pô. Eu e Melissa tínhamos um apelido uma pra outra, ela me chamava de Kess, e eu chamava ela de flor, e esse apelido surgiu por que uma vez eu joguei ela do segundo andar aqui de casa, e s ela caiu em uma roseira, foi o momento mais engraçado da minha vida, levei maior bronca mas valeu a pena ver ela uma semana inteirinha com a b***a pra cima, os espinhos maltrataram ela. --- Amanhã vou ajudar você então. --- Acho bom, cê habita o meu quarto sem pagar mesmo. A Melissa tinha um quarto, mas a bonita só dormia comigo, e nem reclamar eu podia, até mesmo as roupas dela ficavam aqui, o quarto era como se fosse mais dela que meu, ai de mim se dissesse algo, seria o fim do mundo. Vesti meu pijama e me joguei na cama, eu realmente estava cansada, não era como se passar o dia sentada fosse bom, isso cansa também. --- Quando vai visitar os padrinhos? --- Amanhã, após o café da manhã, tô pensando em ir 2 vezes por semana agora, o pai disse que a mãe sente falta de me ter em casa. --- Devia morar com eles, eu sentiria falta de você mas são seus pais, ninguém pode substituir eles, sabe disso não sabe? --- Sei, e vou dar um jeito nisso bobona. Ela se agarrou em mim e eu nela, não bastava dormirmos juntas, temos que se agarrar, só assim pra gente conseguir dormir de verdade, o sono era maravilhoso. Minha rotina começava as 6 da manhã, acordava àquele horário pra fazer exercícios com meu pai, é importante ter um corpo gostoso minhas amigas, mas a verdade, gosto de exercícios não, faço na força do ódio mesmo, e por que meu pai me obriga, se não só levantava da cama depois do meio dia. Desci as escadas e ele já me esperava, corremos 30 minutos na rua e fizemos mais 30 de academia, nem preciso dizer que terminei só o pó, isso aqui cansa mais que matar um batalhão inteiro só de homens. --- Tá bom de fazer mais exercícios mocinha, tá se cansando rápido demais. --- Eu já luto bem, e sou ágil pai, não preciso de exercício. --- Sei. --- Quando o senhor e a mamãe vão viajar? --- Antecipamos, estamos indo amanhã. --- Tá brincando? Poxa nem me avisaram. --- Tava ocupada demais com a cara no computador. --- Podemos passar o dia juntos hoje então? --- Com certeza, eu e sua mãe não sabemos quando vamos voltar. --- Dois velhos rabugentos isso sim, querem me abandonar aqui sozinha, e ainda dizem que não sabem quando volta. --- Que dramática. Eu gostava de dialogar com meu pai, as conversas eram sempre boas, e não era uma conversa de pai pra filha, parecia conversa de amigos mesmo, nossa linguagem era a mesma já que tinha aprendido com ele, nossa comunicação era legal. Fomos pra casa, café da manhã nos esperava e a mamãe não gostava que todos comessem separados, a regra para quem morasse ali era comer juntos, não importava o que acontecesse, estar sentado na mesa na hora certa da refeição era de lei ali. Fui tomar um banho antes de me sentar a mesa, não ia me juntar a minha família fedendo a suor, uma coisa que prezo é andar sempre cheirosa, apesar de odiar perfume. Não entendo a minha mentalidade, gosto de andar sempre cheirosa mas não suporto perfume, me sinto enjoada quando sinto o cheiro forte, por isso uso colônias bem levinhas, algo só para que eu não ande fedendo por ai. Depois de um belo banho me sentei à mesa. --- Tios, vou pra casa dos meus pais essa manhã. --- Que bom querida, sabe que amamos sua presença aqui, mas seus pais sentem falta de você. --- É, e tu pode voltar pô, o tio vai ficar esperando você. --- Obrigada tio. --- Mó melação ai c****e. Minha mãe meteu o tapão na minha cabeça, esqueci que ela não gosta de palavrões quando estamos à mesa, meu pai soltou mó gargalhada junto com a Melissa, essa minha vida né moleza não viu. --- Cê rir né Coringa, vai apanhar também, foi você quem ensinou ela falar assim. Meu pai parou de rir na hora, mamãe era show, dona da p***a toda aqui era ela, quem era que ousava discutir com essa mulher? Meu pai tinha mó medo, ele sabia que minha mãe tinha coragem de esfaquear ele, e depois cuidar como se nada tivesse acontecido. Minha mãe mudou muito, sempre ouvi histórias por aí que ela era fechada antes do Thomas, tinha o coração de aço, mas ele e o meu pai amoleceram o coração dela, hoje o que mais minha mãe aprecia é demonstração de afeto, coitada fica como uma manteiga derretida quando alguém diz que ama ela. Mas é aquilo, a pessoa que nunca recebeu o amor, não sabe como espalhar, não tem como a gente dar algo, que não sabe nem mesmo do que se trata, e era assim que a minha vivia antes deles dois. E ainda bem que o pai e Thomas apareceram na vida dela, apesar de a infância, adolescência e um pedaço da sua vida adulta ter sido difícil, ela viveu bem graças aos dois, e meu nascimento só ajudou a curar mais ainda, sou f**a demais cara. --- Vou indo tia, obrigada. Ela abraçou o meu pai e a minha mãe, acompanhei ela até a porta, não é porque ela volta pra casa dos pais que se aparecer um trabalho vamo recusar, continuamos do mesmo jeito, com ela aqui em casa ou não recusar um trabalho não tava em questionamento. --- Fica atenta flor, o trabalho pode chamar a gente. --- Relaxa. Nos despedimos e ela foi embora, é, eu ia sentir falta, mas já vai tarde, brincadeira, eu amo ela, é a minha irmãzinha. Entrei em casa novamente, era hora de se divertir, o dia era nosso e eu aproveitaria ao máximo, cada segundo, os bonitos iam viajar e já deixaram bem claro que podem voltar tanto daqui 2 meses como daqui 2 anos dá pra acreditar? Estou sendo cruelmente abandonada pelos meus próprios pais. --- Mãe, vão me abandonar poxa, nunca sai de casa por que não ia suportar deixar vocês, e ne pensam duas vezes antes de me abandonar. --- Nem vem, você nunca saiu de casa por que tem preguiça isso sim. Minha mãe é fofa mas tem horas que ela me humilha, na moral, eu amo essa mulher. Começamos assistindo alguns filmes, era de lei, o dia do filme aqui em casa era no domingo, hoje era quarta e íamos assistir mesmo assim, não teria mais o domingo do filme sem eles aqui, seria sem graça se eu fizesse isso sozinha. Cada coisa agora perderia a graça, comer, me exercitar, sair de casa pra matar alguém, nada disso seria igual, eles estavam indo embora, e eu ficaria sobrando ali, na solidão daquela casa imensa, é um merda, agora senti falta de ter um love, nem mesmo sabia se a Melissa viria me visitar mais, todo mundo começava a me deixar, entraria em depressão logo logo. O dia foi bem legal e aproveitamos bastante, era noite e eu tava coma a mamãe no quarto ajudando ela arrumar as malas. --- E essa carinha aí, o que foi? --- Vou ficar na solidão, nem sabem quando voltam. --- Ei, vamos voltar, e você precisa aprender a ficar sozinha também, não vamos estar aqui pra sempre. --- Isso mesmo, tá na hora de aprender a ficar sozinha pequena, não somos imortais não. --- Nem vem com essa, estão falando isso por que sabem que vou ficar solitária. --- Sabe que é nosso raio de sol, vamos voltar, o que dissemos é que não sabemos como. --- Alguém também disse que voltaria, ganhei o que esperando que ele voltasse? Tocar no assusto Thomas era delicado, meus pais nunca falavam sobre nenhum assunto que envolvesse ele e eu agradecia imensamente por isso, nunca quis saber nada sobre ele, mas agora que os meus pais vão embora, sinto a mesma sensação de estar sendo abandonada pra sempre. --- Vamos voltar meu bebê, nunca menti pra você, e não agora que você é adulta que vou fazer isso. --- Digo o mesmo. Cê dorme com nós hoje pequena. Pulei na cama já me embrulhando, quando eu era pequena sempre fugia pra cama deles, era o melhor lugar e agora mesmo adulta eu ainda fazia isso, os dois deitaram cada um do meu lado, dormir em família era bom, ter o aperto de alguém na hora sono faria falta, muita coisa iria fazer falta, e eu só poderia me acostumar com a nova vida que me esperava, não me restava outra escolha.
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