Quando acordei era quatro horas da madrugada, meus pais estavam se arrumando, o horário da viagem era às 5 da manhã, olhei para eles querendo chorar, o que eu vou fazer da minha pobre vida agora? Viver sozinha pro resto dos meus dias parece uma boa opção, ou não, essa parece ser a pior de todas, nunca vive sozinha aqui nessa casa enorme.
Depois que eles terminaram de se arrumar, desci com eles, iria me despedir, vai que a viagem realmente demorasse muito tempo como eles disseram, eu não poderia correr o risco.
--- Sem essa cara Kess, nós vamos voltar, não sei quando mas iremos.
--- E eu sei, mas vou ficar sozinha, nunca fiquei sozinha nessa casa.
--- Tu que pensa pequena, se cuida viu.
Não entendi nem um pouco o que meu pai disse, mas deixei pra lá, só abracei eles fortemente, pedindo no meu interior que eles voltassem logo, além da solidão também sentiria saudades imensa deles.
Eles entraram no carro e sumiram na rua, eu realmente tinha ficado sozinha, meu pior pesadelo se concretizou, a solidão de dentro da casa me esperava.
Entrei em casa, não iria me exercitar hoje, então só assisti um filme até as 8 da manhã, que foi o momento que senti necessidade de um bom banho.
Tomar banho pra mim era um momento especial, relaxar a mente e descansar o corpo em baixo do chuveiro, aquela sensação era libertadora, um banho sempre resolvia muitos problemas, pelo menos pra mim.
Eu estava no meu quarto vestindo meu bom e velho pijama, ouvi o barulho da porta abrindo, não seria possível ser um fantasma né? Acho que não, se fosse ele não abriria a porta, entraria sem se importar, afinal ele consegue atravessar paredes.
Desci as escadas e pra minha surpresa vi duas crianças no meio da sala, mano, era as crianças mais linda que já tinha visto em toda minha vida, parecia até mesmo uma miragem, será que Deus tinha mandado dois anjos para que eu não me sentisse sozinha?
Era uma menina e um menino, estavam de mãos dadas, a menina tinha cabelos e sobrancelhas ruivos, era a coisa mais linda que já vi em toda minha vida, já o garoto, tinha os olhos azuis como o oceano, lembravam os de Thomas, eu gostava da cor dos olho dele, eram tão lindos.
Espera ai, esses não seriam filhos dele seriam?
Me aproximei cuidadosamente deles, os mesmo me olhavam, esperando que eu dissesse algo.
--- O que fazem aqui?
--- Estéfane nos deixou aqui.
Bom, que eu me lembre não conheço nenhum Estéfane, será que é alguma amiga da minha mãe?
--- E onde está a mãe de vocês?
--- Acabou de sair.
--- Como?
--- Estéfane é nossa mãe.
Ok, nunca conheci alguém que chamasse a mãe pelo nome mas não é a hora de julgar, primeiro preciso saber o que eles fazem aqui, chegaram de surpresa, e eu estava com maior cara de b***a tentando raciocinar direito.
--- E o pai de vocês?
--- Ele só chega a noite.
--- Mas porque estão aqui?
--- A vovó disse pra gente ficar aqui agora.
Vovó, aquele nome ecoou na minha mente várias vezes, quem era a avó daqueles dois, naquela casa além de mim só existia minha mãe de mulher.
--- Quem é o pai de vocês?
--- Thomas.
Só bastou ouvir aquele nome, meu queixo foi ao chão, como assim ele tem filhos? Meu Deus, eu sou a única burra que nunca sabe de nada é isso? É compreensível também, nunca perguntei nada sobre ele.
--- Tete, fome.
Sai dos meus devaneios com a voz da garotinha falando baixinho com o irmão dela, ele ouviu e olhou pra mim na esperança que eu fizesse algo por ela.
--- Ela está com fome?
--- Hunrum.
--- Venham comigo.
Graças a Deus eu tinha habilidades culinárias, fiz algo rapidinho, pra acompanhar o leite e o achocolatado, eu não sabia do que eles gostavam por isso fiz os dois, eles poderiam escolher o que preferisse.
--- Não sei do que gostam, podem falar se não quiserem comer isso.
Os dois comeram tudo, nunca pensei que uma criança comia tão bem, na minha cabeça uma criança fazia birra pra comer o que queria, mas os dois comeram sem reclamar e com muito prazer visível.
--- Obrigada mamãe.
A garotinha falou pra mim com os olhinhos brilhando, olhei para o menino sem saber o que responder, e ele me olhou de volta na esperança de que eu não reagisse de maneira rude.
--- Que tal um banho meu bem?
--- Eba banho.
Peguei ela no colo e levei para o banheiro, o garotinho vinha nos acompanhando, o que eu faria com duas crianças? Nunca convivi com uma imagine com duas? Eu teria que me virar né, era a única solução, me deixaram aqui dois presentes, jogar fora é que eu não iria.
Dei um bom banho nela e lavei aqueles cabelos maravilhosos, estou apaixonada gente, nunca vi algo tão lindo assim em roda minha existência.
--- Trouxeram roupas meu bem?
--- Está lá em baixo.
--- Olhe sua irmã enquanto vou buscar.
Assim que eu olhei para o quanto da sala avistei 7 malas ali, caramba, será possível que estavam se mudando para cá? Era o que estava parecendo.
Peguei as malas dos dois e levei pro meu quarto, separei uma roupa pra menina e vesti ela, fui dá banho no garotinho também enquanto ela ficou brincando na cama, por sorte ela era calma.
--- Qual o seu nome bebê?
--- Eu sou o Theo minha irmã se chama Maya.
--- Nomes bonitos.
--- A senhora vai cuidar de nós?
--- Por que a pergunta?
--- Estéfane não tem tempo, e nosso pai trabalha muito.
Aquele garotinho parecia ter só 5 anos, mas a maturidade dele estava a frente de sua idade, senti pena por ele ser assim, uma criança não merecia se preocupar com nada além de brincar e comer bem.
--- Vou cuidar de vocês, só precisam me ensinar como, nunca convivi com uma criança antes.
Ele sorriu e balançou a cabeça em afirmativa, depois que os dois estavam cheirosos e limpinhos, dormiram, na minha cama mesmo, ali não tinha berços e eu precisava ficar de olho o tempo todo, vai que eles caíssem? Confiar não é bom, eu não gostaria de ver eles machucados.
Fui trabalhar um pouco, tinha uma contabilidade atrasada, e se eu adiasse mais daria problema, eu sempre tinha prazo para todos os trabalhos.
Passei o restante da manhã ali, até me dar conta que eu tinha que cozinhar, existia duas crianças na casa agora, elas precisavam se alimentar bem, eu não podia cair na tentação da preguiça, ela parecia bem atrativa mas expulsei ela pra bem longe de mim.
Fiz um almoço bem elaborado, não fiz nada especial pela manhã por que eles chegaram de surpresa, mas o almoço foi feito com carinho, queria que eles se sentissem bem vindos, não sei por que eles estavam aqui, mas de qualquer forma eu cuidaria deles, não me importo em fazer isso.
Fui acordar os dois, era hora do de almoço, não poderia deixar que dormissem tanto, sentei eles na cadeirinha de alimentação, e eles devoraram o prato, nossa, acho que puxaram a mim, eu sou um dragão em pessoa, e se quer me ver feliz experimenta me dá comida.
Depois do almoço nós fomos brincar, não tinha muitas opções mas inventei algumas brincadeiras, não queria que eles se sentissem reclusos aqui em casa, qualquer um que chegasse aqui, deveria se sentir bem vindo, era isso que a mamãe sempre falava.
Passamos a tarde toda brincando, foi tão legal e divertido, que não me senti sozinha, nem tinha como tendo duas pessoinhas me alegrando o dia todo, a risada dos dois pela casa era tão bom.
Mais uma vez eles dormiram, acho que é a soneca da tarde, mas também com o tanto de energia que gastaram eles mereciam dormir um pouco para repor as energias perdida.
Meu celular tocou anunciando uma ligação, olhei e era Levi, problema com certeza, ele nunca me ligava, a não ser que fosse pedir alguma coisa.
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--- Diz aí.
--- Cê nunca muda. Preciso que venha aqui.
--- Não posso agora, pode ser a noite?.
--- Sem problemas, sendo hoje não importa o horário.
--- Fecho então.
--- Cadê a Mel? Ela está ai?
Vejam só, até mesmo quando alguém me liga precisando de mim não perguntam nem se tô bem, perguntam sobre outra pessoa, não pensei que era uma pessoa tão sem importância assim, Mas o que posso fazer se todo mundo não tá nem aí pra mim? Vida que segue.
--- Procura ela você o cuzão.
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Desliguei na cara mermo, tô nem aí, filho da mãe vem me ligar pra perguntar sobre mulher pô, tô perdendo a credibilidade mesmo.
Fui arrumar um pouco a casa, depois iria cuidar do jantar das crianças, nada de me descuidar, tinha que bancar a dona de casa agora e faria com maior prazer, ainda bem que dona Angel me ensinou de tudo, caso contrário eu estaria ferrada.
Eles acordaram no fim da tarde, com certeza dariam trabalho pra dormir a noite, no que mesmo que eu fui me meter? Agora era segui o baile.
Fui assistir filmes com eles, e na moral, gostei dos desenhos, assistiria mais vezes com certeza, não que eles fossem me deixar assistir outra coisa.
Quando estava quase na hora do jantar a porta se abriu, olhei de relance e quando vi que era Thomas tratei de fazer uma boa cara de desentendida, não olhei na cara dele, o mesmo deu um beijo nos filhos e subiu, ele até me olhou tentando achar uma oportunidade de falar comigo mas dei não.
Quando desceu estávamos sentados a mesa, tinha me acostumado a sempre esperar todo mundo pra jantar e então esperei por ele, já que ele estava ali não custava né?
Como ele não disse nada sobre a mulher suspeitei que ela não jantaria, se ele que era o marido não esperava eu iria esperar? Não mesmo, os dois que se entendam.
Servir o Theo e a Maya antes de me servir, Thomas olhou pra mim como se fosse uma alienígena, fala sério, nada demais em servir duas crianças, ele quem deveria fazer isso, mas como não fez, eu fiz.
Antes de eu levar a primeira garfada a boca a porta se abriu, uma mulher entrou e se sentou a mesa, sem lavar as mãos, sem ter ido tomar banho depois de passar o dia inteiro na rua, essa mulher não parecia ser muito higiênica não.
--- Onde estava?
--- Com umas amigas no shopping.
--- Não veio ficar com as crianças?
--- Não precisou, sua irmã cuidou deles muito bem, não é mesmo crianças?
Thomas deu uma tapa na mesa com as duas mãos abertas, o baque foi tão grande que as crianças derrubaram a comida no chão.
É um filho da p**a, tem coragem de agir assim na frente dos filhos, vou matar ele, se antes eu tinha vontade agora tenho mais ainda.
--- Bebês, vamos sair?
Peguei Maya no colo e o Theo ia segurando a minha mão, não deixaria eles ali no meio daquela confusão, eram só duas crianças, não precisavam presenciar um briga entre dois adultos.
Levei eles pra casa da tia Lívia e do tio Morte, Levi ainda morava com eles, era preguiçoso como eu, acho que era de família mesmo, tava no sangue.
--- Está tudo bem crianças?
--- O papai não fez por m*l, é que a mamãe nunca cuida da gente.
Eu olhei para eles, e não parecia mentira, realmente pela atitude dela na manhã pude perceber que ela não era uma boa mãe, e até que entendo Thomas, ms ele não poderia ter agido com tanta agressividade na frente deles, são só duas crianças inocentes.
Chegamos na casa da tia e entrei sem bater mesmo, eu era de casa.
--- Olha só que beleza Lívia, Kess é mamãe.
Só não mostrei o dedo do meio por que era meu tio, se não, tinha mostrado.
--- Brinca com o tio um pouco tudo bem?
Eles não se importaram em ficar ali, pensei que eles não se importavam em ficar em nenhum lugar, desde que fosse tratados bem.
Subi pro segundo andar e fui em direção ao escritório do Levi, o bonito estava sentado tomando alguma bebida, folgado demais.
--- Fala aí.
--- Você era pra ter nascido homem.
--- E você uma mulher, é frouxo demais pra se declarar a alguém.
Toquei no ponto fraco dele e a brincadeira cessou, era sempre assim, eu sempre dizia as melhores palavras.
--- Vai acontecer uma compra de armas amanhã, pode ir comigo?
Me lembrei das crianças, não podia deixar elas sozinhas, e a mãe não cuidaria deles.
--- Não sei se e posso, tenho que cuidar dos filhos do Thomas.
--- Sem essa, eles ficam com a mãe e o pai.
Concordei, seria uma boa os tios ficarem com eles, eram bons em cuidar de crianças.
--- Aliás quando foi que o Thomas teve dois filhos e eu não soube?
--- Como saberia? Não perguntou nada sobre ele.
--- E perguntaria por que c****e? Não tem nada que eu tenha que saber sobre ele.
--- Vocês precisam de uma conversa, pra se entenderem, foram muitos anos sem comunicação.
--- Vai pro inferno Levi, você e o Thomas, não quero conversar com ele e agora nem com você.
Bati a porta do escritório com força, respirei fundo, me acalmando, era sempre r**m tocar no nome de Thomas, odiava me lembrar de como agi como uma i****a por causa dele, nunca mais aconteceria aquilo novamente.
Desci as escadas e os dois dormiam tranquilamente no colo do tio.
--- Se cansaram logo.
--- O senhor é pior que uma criança, lógico que eles se cansaram.
O tio me ajudou a colocar eles na cadeirinha no carro, e eu sai depois de me despedir dele.
Pareciam dois anjinhos dormindo, nunca presenciei algo tão incrível, estavam tão calmos, perecia que não existia nenhum problema no mundo, e nos deles realmente era assim, queria ser como eles, sem nenhuma preocupação.
Cheguei em casa e peguei a cadeirinha dos dois levando para dentro, Thomas tentou me ajudar mas recusei me desviando dele, ele veio atrás de mim mas bati a porta na cara do mesmo assim que entrei no quarto, não queria conversa, ele não se importou em conversar todos aqueles anos, e agora quem não queria era eu.
Arrumei os dois ali na minha cama e fui tomar um banho, fiquei pensando em tudo que estava acontecendo, aquilo tudo me dava nos nervos, por que ele tinha está aqui tão de repente? E que se f**a como ele se sente, eu também me senti m*l e ele não se importou nem um pouco quando decidiu não cumprir a promessa que me fez, agora que aguente o meu desprezo.
Depois de tantos anos sem vê-lo só conseguir sentir tristeza, ele parecia ter seguido a vida dele e vivido muito bem sem mim, e mesmo que eu também tenha feito o mesmo ele não tinha direito em viver bem, foi ele que e enganou e me fez de i****a por muitos anos, não merecia estar bem, e agora que ele estava ali, quem parecia não estar nada bem era eu, todos os dias que me esforcei tentando apagar ele da mente, agora pareciam ter sido em vão.