Júlio Narrando Cheguei à casa dos meus pais com um misto de cansaço e raiva. Era o único lugar onde eu sabia que poderia conversar sem ser interrompido ou julgado pelos outros parentes que estavam ali. Os pais da Micaele já tinham ido embora, sobraram só alguns tios e primos. Não perdi tempo. Chamei meu pai e minha mãe direto para o escritório. Precisávamos conversar em particular. Assim que fechamos a porta, minha mãe foi a primeira a falar. — Júlio, o que está acontecendo? — ela perguntou, me encarando com preocupação. — Você tem escondido alguma coisa da gente? Primeiro aparece aqui com o rosto machucado, agora desse jeito, vai e volta como se fugisse de alguma coisa. Respirei fundo. Não queria falar sobre isso assim no susto, mas precisava. Era injusto que minha família estivesse

