Pré-visualização gratuita Capítulo 01
Prólogo
O vento cortava a rua com uma intensidade quase violenta. O céu estava coberto por nuvens escuras, como se quisesse se juntar ao caos iminente. Na esquina, o banco parecia uma fortaleza tranquila, mas o ar estava carregado de tensão. Vivian e Mariah Soares estavam prestes a entrar em um dos dias mais decisivos de suas vidas.
Mariah, tinha o olhar fixo na porta do banco. Suas mãos tremiam, mas não de medo. Era excïtação. Em seu coração, a adrenalina pulsava como nunca antes. A adrenalina de um novo começo, de uma nova era. Ao lado dela, Vivian, mantinha o semblante sério. Mariah sempre com uma expressão inabalável, como se estivesse pronta para enfrentar qualquer coisa que aparecesse em seu caminho.
O pai das meninas, o imponente VM, estava logo atrás delas. Seu andar era firme, os passos ecoavam na calçada com a mesma força de um homem acostumado a comandar. Ao seu lado, Pedrinho, seu sobrinho e primo das meninas, parecia mais nervoso. Suas mãos suavam, e ele olhava para o banco com o tipo de apreensão que precede um grande evento. Era o mais novo na operação e, apesar de estar treinado, ainda não sabia exatamente como o medo poderia tomar conta de sua mente quando o momento chegasse.
Eles se aproximaram da porta do banco, e uma sensação estranha invadiu o ar. O banco, que antes parecia apenas uma instituição qualquer, agora representava algo muito maior para todos eles. Era o alvo, o objetivo. O objetivo de uma operação meticulosamente planejada.
Dentro do banco, os clientes estavam ocupados com suas transações cotidianas. Alguns conversavam com os caixas, outros aguardavam nas filas, completamente alheios ao que se passava lá fora. Ninguém podia imaginar que, em questão de minutos, suas vidas iriam mudar para sempre.
VM parou na frente da porta do banco e olhou para suas filhas com um olhar penetrante, como se estivesse transmitindo toda a confiança que ele sentia. Ele não era um homem de palavras excessivas, mas seu olhar dizia tudo. “Agora é a hora.”
Mariah, acenou com a cabeça, o olhar firme. Vivian, por sua vez, respirou fundo e tomou a dianteira. As irmãs estavam preparadas, tinham se treinado para aquele momento por meses, cada detalhe, cada movimento, cada segundo.
Dentro, o ambiente era de uma calma aparente. O som dos teclados dos caixas, o murmúrio das conversas, o eco distante dos cliques das impressoras. Mas, para Vivian e Mariah, tudo isso soava distante, como se estivessem em um túnel. A missão estava prestes a ser cumprida.
Então, como se uma cortina tivesse se levantado, o som das portas de vidro se abriu, e VM fez o sinal. O golpe estava em andamento. As irmãs Soares entraram no banco com precisão cirúrgica, cada uma com um papel definido. Vivian foi para a frente, avançando até o caixa central, onde um vigilante a olhou por um momento antes de perceber o que estava acontecendo. Mariah, por sua vez, se deslocou de forma ágil até a área de clientes, mantendo os outros sob controle.
Pedrinho, com os olhos arregalados, tomou posição ao lado de seu tio, tentando esconder a tremedeira que tomava conta do seu corpo. Ele olhou rapidamente para o rosto das primas. Elas estavam calmas. Isso o fez respirar um pouco mais aliviado, mas ainda havia algo em seu peito que não conseguia controlar.
A cena se desenrolava em ritmo frenético. O vidro das vitrines parecia se distorcer diante dos olhos de quem estava lá dentro. A presença das irmãs e da operação, toda silenciosa e precisa, tomava conta do banco. O plano estava sendo executado.
— Todos no chão! — a voz de VM ecoou pelo ambiente. O grito fez com que os clientes se abaixassem imediatamente, sem questionar. Era um comando, e, quando VM falava, as pessoas obedeciam. Não havia dúvida.
Vivian, com a arma em punho, se aproximou do caixa principal e ordenou que o gerente abrisse o cofre. Mariah, com sua postura tranquila, avançou para os lados, cobrindo os outros clientes, mantendo a calma, mas mostrando a autoridade necessária para garantir que ninguém ousasse fazer qualquer movimento.
Os segundos pareciam horas. Cada som, cada sussurro, era como uma nota dissonante em uma melodia frenética e nervosa. Pedrinho, que ainda não havia se acostumado com a tensão, não conseguia desviar o olhar do cofre, esperando o momento certo para seguir com a operação.
Então, foi quando a sirene distante soou. O som foi abafado pela adrenalina e pelo caos crescente. O tempo pareceu congelar por um momento. VM olhou rapidamente para o relógio, sua expressão endurecendo. Eles haviam sido descobertos.
“Vai dar certo”, murmurou ele para as meninas, tentando esconder o nervosismo. Mas, no fundo, ele sabia que o tempo deles estava se esgotando. O cofre ainda não estava totalmente aberto.
Nesse instante, uma explosão de tiros irrompeu de fora. A segurança tinha finalmente chegado. O som das armas automáticas fez o chão tremer. VM correu em direção à saída de emergência, todos os seguiram. mas antes que pudesse alcançar o portão, o barulho de um tiro rasgou o ar, atingindo VM diretamente no peito, atravessou o Colete, foi de uma arma de precisão.
Ele cambaleou, a expressão de dor no rosto, antes de cair pesadamente no chão. O sangue se espalhou pela sua camisa, e ele tentou levantar a mão, buscando um apoio, mas a vida estava escapando de seu corpo.
Vivian e Mariah perderam o ar por um instante por um instante, reagiram rapidamente. “Pai!” Mariah gritou, correndo até ele, mas o barulho da sirene se intensificava, e os homens armados da polícia estavam tentando entrar no banco.
— Um médico, eu preciso de um médico, nessa porr@ — Vivian gritou.
A adrenalina já não era mais apenas uma sensação de excïtação, mas de desespero. O pai delas estava caído no chão, ferido, e a missão tinha se tornado uma luta pela sobrevivência. O som dos tiros e da sirene era ensurdecedor. Elas tinham o banco, mas estavam algo muito mais valioso.
Vivian estava desesperada, seu coração batendo acelerado enquanto ela e sua irmã, Mariah, choravam juntas, sentindo o peso do caos que tomava conta do banco. O som dos tiros ecoava dentro e fora do local, os vapores disparando contra a polícia, criando uma cortina de fumaça densa que dificultava qualquer tentativa de aproximação. Pedrinho estava lá, incansável, segurando a linha de frente, mas a situação estava se tornando cada vez mais desesperadora.
Entre os estilhaços e o som de disparos, um homem se levantou de forma repentina. Seu rosto estava marcado pela tensão, mas ele se identificou rapidamente como médico. Ele se aproximou de Vivian e Mariah, e, com uma calma tensa, explicou que precisava examinar VM, que estava ferido. No entanto, em meio à pressão do tiroteio e da ameaça de cerco policial, ele não conseguia garantir sua segurança. O tempo estava se esgotando, e o perigo crescia a cada segundo.
Foi nesse momento crítico que Vivian tomou uma decisão arriscada. Com um movimento rápido e calculado, ela agarrou o médico e o usou como refém, exigindo que ele a seguisse, sem chance de protesto. Ela sabia que, sem a sua ajuda, o risco de perder seu pai aumentava. Ao mesmo tempo, eles precisavam escapar dali, ou o destino das irmãs e de todo o grupo seria selado.
A tensão no ar estava palpável enquanto o grupo se preparava para a fuga. Dois dos vapores saíram do banco com VM nos braços, protegendo com as últimas forças, enquanto Vivian segurava o médico com firmeza, garantindo que ele não tivesse qualquer oportunidade de reação. Mariah e Pedrinho estavam ali, fazendo a segurança, mantendo os olhos atentos a cada movimento e cada som. Cada passo era uma aposta, uma tentativa desesperada de escapar antes que a polícia os alcançasse.
Finalmente, eles conseguiram alcançar a porta de emergência. A saída estava livre, mas ainda assim, a sensação de perigo era constante. Com uma agilidade quase sobre-humana, o grupo atravessou rapidamente a porta, chegando aos carros que estavam estacionados do lado de fora. Mariah foi rápida ao assumir o volante, as mãos firmes no volante enquanto ela arrancava com força, tirando o carro do local. A estrada estava livre, mas o medo ainda pairava no ar, como uma sombra prestes a engolir tudo.
Vivian, com o médico ainda em sua mira, olhou para ele com uma expressão fria, mas decidida.
— Você só tem uma missão agora — disse ela, com a voz cortante. — Salvar a vida do meu pai.
O médico a encarou, surpreso, mas logo entendeu a gravidade da situação. Não havia tempo para questionamentos. O destino de VM estava nas mãos daquele homem.
A estrada parecia se estender à frente sem fim, ai sirenes começaram a dar sinal, Seguindo eles. Mas Mariah sabia que não podiam parar. O tempo estava contra eles, e cada segundo era decisivo.
— Salva a Vida do meu pai, ou você morre. Uma vida pela outra, Doutor — Essa foi a última frase de Vivian antes de abrir o teto do Carro e soltar rajadas contra a polícia, iniciando o Maior tiroteio já visto em Niterói.