Vivian Narrando Júlio abriu a porta do carro e, com cuidado, ajudou a descer uma moradora. Era uma senhorinha, de cabelos brancos e rosto marcado pelo tempo, apoiada pela filha, que parecia mais exausta emocionalmente do que fisicamente. Ele as ajudou até a calçada, e enquanto a filha segurava a senhorinha pelo braço, Júlio veio na minha direção. — Boa noite, Vih, que bom te ver por aqui. Podemos conversar? Olhei direto nos olhos dele, sem desviar. — Boa noite, eu moro aqui, sabia? — Cruzei os braços, sem abaixar a guarda. — E não, não quero cota com macho casado. Levantei o queixo, firme, enquanto ele suspirava, sem se abalar com a minha resposta. A filha da senhorinha gritou um “obrigada doutor” lá de longe, e ele só acenou com a mão, tranquilo, como se fosse o herói da noite. — V

