Rafaella Narrando... ( Dia Seguinte) Abri os olhos devagar, o quarto ainda meio escuro, o ar no máximo. Estiquei o corpo. Meus dedos tatearam o travesseiro até achar o celular. Quando a tela acendeu, quase pulei da cama. — Dez e quatorze?! ____ murmurei, incrédula. Nunca tinha dormido tanto na minha vida. Lá em Londres, meu corpo obedecia a outro relógio, sete, oito da manhã e eu já tava de pé, pronta pra enfrentar o frio, o trânsito, o caos elegante da cidade cinza. Aqui, tudo é diferente. O tempo anda mais devagar, o ar pesa diferente, e até o silêncio tem voz, gente falando na laje, música saindo das casas, de moto subindo o morro. Suspirei fundo, tentando entender como meu corpo, acostumado à rotina perfeita, se rendeu à calmaria barulhenta do Vidigal. Joguei o celular na cama,

