Capítulo 1: Aquele primeiro encontro
Era sábado à noite e a garota já estava em um turno de 8 horas. Seu corpo estava cansado mas ela não se importava, precisava do dinheiro que o fim de semana lhe proporciona. Mesmo que cumprisse as suas 40 horas semanais — de segunda a sexta —, ainda era necessário que ela tentasse um extra. Não era muito, apenas cinco dólares a hora, mas fazia uma grande diferença ao pagar as contas no fim do mês.
Não estava sendo um dia fácil, desde cedo Kara tentava falar com seu pai sem nenhum sucesso, o que estava deixando ela muito preocupada. Além disso, Caleb, seu ex namorado, estava importunando-a com mais frequência naquele dia.
Os dois haviam ficado juntos no colegial e começaram a namorar no segundo ano. No entanto, Kara queria se dedicar unicamente para a sua faculdade, por isso terminou o relacionamento com Caleb no verão do último ano. Ele não aceitou muito bem, mas deixou que ela fosse em paz para a faculdade. Só que quando ele descobriu que a garota havia deixado a faculdade, tentou reatar o namoro mas Kara não queria e o rejeitou. Desde então ele vai todos os dias no trabalho dela e manda mensagem com declarações.
Com o fim de seu turno, Kara pegou sua mochila e se despediu de seu chefe e cozinheiro da lanchonete, o Johnie e também das suas colegas de trabalho, Annie e Brenda.
A garota saiu da lanchonete distraída com o celular, respondendo as mensagens da amiga Chloe que estava desolada. Por isso, Kara não percebeu que estava sendo observada.
Mas quando ela foi pegar as chaves da sua caminhonete azul, velha e enferrujada. A mulher foi prensada contra o mesmo e sentiu seu corpo inteiro ficar dolorido, mas o susto aumentou quando ela notou quem a estava machucando.
— Caleb? O que pensa que está fazendo? — disse tentando esquecer a dor que estava sentindo.
Ele estava cheirando a bebida alcoólica e também mantinha um sorriso maléfico. Aquilo não a deixava assustada, muito pelo contrário, a irritava.
A mulher odiava ser tratada como um ser frágil, principalmente por alguém que a conhecia há tanto tempo. Irritava, ele continuava indo atrás dela mesmo fazendo quase cinco anos que eles haviam terminado.
— Vê o que faz comigo? Você me deixa louco. Eu quero uma oportunidade!
Kara virou o rosto para o lado tentando escapar do mau hálito.
— Caleb — ela deu um grande suspiro. — Nós já falamos sobre isso e você está bêbado. Me deixe ir e falaremos sobre isso quando você estiver sóbrio.
Ela dizia tudo calmamente, sem deixar ele se impor sobre ela, mesmo que estivesse sendo machucada. As mãos de Caleb apertavam muito os seus braços.
— Não! — o homem gritou descontrolado.
Kara revirou os olhos.
— Eu sei que você quer me enganar, que está mentindo para mim…
Ele estava tão alterado que a única coisa que a mulher conseguia pensar era em como se livrar do homem sem precisar dar esperança para ele.
— Certo Caleb. Vamos conversar aqui e agora. Pôr os pingos nos is, mas me solte!
Kara nunca foi uma menina meiga, sempre gostou de se impor, de deixar sua opinião se sobressair. Era uma líder nata, apesar dos contratempos em sua vida.
Caleb bateu o corpo da mulher contra o carro duas vezes, fazendo ela gemer de dor.
— Você não dá as ordens aqui, não mais. Eu faço o que eu bem entender…
O que eu vou fazer?
Pensou ainda com muita dor. A mulher queria gritar, mas sabia que ninguém iria escutá-la. Dentro da lanchonete estava calmo, ninguém costumava ir naquele horário e por esse motivo as garotas deviam estar nos fundos conversando .
— Me diz a verdade, uma vez na sua vida, seja sincera comigo.
Kara sabia que a verdade que ele queria era uma que havia criado em sua cabeça. Mesmo que fosse conveniente dizer o que ele queria ouvir para ser liberta, ela não pretendia.
— Caleb, eu não te amo. Não sou apaixonada por você e nem sinto atração por você. Na verdade eu sinto pena de você, por isso nunca fui incisiva em te dar um fora. Por pena! Você já foi alguém que eu gostei, mas hoje eu não sinto nada por você…
— Mentirosa! — gritou repentinamente. — Você é uma mentirosa, você me ama…
Caleb atacou os lábios da garota em uma tentativa de beijo agressivo, mas sem sucesso, Kara não consentiu e manteve seus lábios fechados deixando o homem irritado.
Ele se afastou dos lábios dela e soltou um de seus braços apenas para desferir um tapa no rosto dela.
— Agora você vai ver, c****a! — grunhiu.
E novamente ele tentou beijá-la, mas mesmo que ela quisesse evitar, ele passou a apertar seus pulsos com mais força fazendo a garota dar passagem, mesmo que a contra gosto. Logo a boca do rapaz estava passeando pelo pescoço de Kara, que começou a xingá-lo e a esbravejar pedidos de clemência.
Caleb pouco se importou com os pedidos de Kara, que aumentaram quando o rapaz foi subindo a mão pela coxa indo a até a virilha, levantando o vestido da garota. A todo momento ela tentava se desvencilhar dele, mesmo com a vista turva pelas lágrimas, Kara ainda tentava lutar.
— Você vai me estuprar? — gritou em um fio de voz.
— Você está gostando, eu sei disso… — sussurrou baixo, ainda beijando o pescoço da garota.
Kara sentia nojo, tudo o que queria era que alguém a ajudasse. Desejava que acontecesse algo e aquilo não fosse até o fim, talvez que o Johnie, por algum milagre saísse da lanchonete com sua espingarda.
Não por coincidência, já que ele já estava parado ali há algum tempo, um pouco distante da caminhonete, sem tirar o capacete, o homem simplesmente acertou o rosto de Caleb, fazendo ele ir cambalear para longe de Kara que ficou parada estática.
— Você está bem? — o homem de capacete, perguntou para Kara, que não conseguiu respondeu.
— Quem é você? E porque está se metendo onde não foi chamado? — Caleb disse já de pé, com os braços erguidos com os punhos fechados.
O desconhecido riu, deixando Caleb irritado. O mesmo o atacou, falhando já que o homem se esquivou e logo acertou outro soco em Caleb.
Percebendo que a mulher ainda estava apavorada, o desconhecido decidiu acabar com aquilo de uma vez, foi para cima do bêbado desferindo diversos socos, parando apenas quando percebeu que o homem sangrava desacordado.
Ele saiu de cima de Caleb e andou até a mulher imóvel.
— Você está bem? — perguntou novamente, sem ter uma resposta. — Como você se chama? Quer que eu chame a polícia? — ele puxou o celular do bolso, mas antes que ele levasse até seu ponto de visão a garota segurou a mão dele.
— Eu sinto muito… — disse finalmente olhando para a mão do homem, que sangrava.
Como ela está preocupada comigo, quando quase foi estuprada? Pensou observando ela.
— Eu estou bem, o sangue não é meu. Mas e você? — ele deu um sorriso de lado, mesmo que ela não pudesse ver.
Blake tirou o capacete para dar mais confiança à mulher.
— Eu me chamo Blake. Quer que eu chame a polícia para o seu namorado?
Ela negou.
— Não, eu não quero. E ele não é meu namorado…
Ao ver o olhar de desprezo que ela deu para Caleb, Blake se arrependeu de não intervir antes. Ele pensava que era apenas uma discussão de casal e que em alguns minutos os dois iriam se resolver. Mas não foi o que houve. E mesmo tendo visto a mulher sendo agredida só tomou uma atitude quando ouviu a mulher gritar que seria abusada.
Se não fosse pelo seu amigo Jake ele nem estaria ali. Seu amigo havia lhe pedido para comprar um lanche que Blake só encontraria naquela lanchonete específica.
— Se não quer que eu chame a polícia, ao menos, me deixe levá-la até o hospital.
Disse ao perceber que as mãos dela estavam tremendo.
Ela apenas assentiu, sabia que não conseguiria dirigir da forma que estava. E algo nas íris verdes do homem não permitiam que ela se sentisse insegura.