Pré-visualização gratuita Prólogo
Prólogo
Como se não bastasse o sol refletindo em todo o quarto, porque Blake havia esquecido de fechar as cortinas na noite passada e não sabia onde estava o controle para fechá-las. Podendo ser por conta da quantidade de álcool que havia ingerido ou da loira que estava deitada ao seu lado. Mas também havia aquelas batidas na porta, que de início ele preferiu ignorar, imaginando que a pessoa que o incomodava provavelmente iria embora.
Mas não aconteceu. Na realidade tudo só piorou, as batidas ficaram mais frenéticas e insistentes, deixando Blake irritado.
O mesmo levantou-se de sua cama com um grande esforço, e certa tontura. Vestiu a cueca com uma grande dificuldade e saiu do seu quarto se perguntando quem poderia lhe incomodar em pleno sábado.
— Calma, eu já estou indo! — gritou ao perceber que as batidas se tornavam mais fortes.
Porque estão batendo na porta? Eu tenho campainha, pensou ele.
Blake abriu a porta e deu de cara com seu pai segurando um revista, furioso.
— Pode me explicar isso!
O homem disse jogando a revista no rapaz e adentrando o apartamento sem se importar com a expressão assustada de seu filho.
Blake abriu a revista e lá estava uma foto sua socando o rosto de um fotógrafo. Além da manchete; Sucessor de Robert Coleman, co-fundador da construtora Coleman&Torres, é flagrado agredindo um fotógrafo.
— Pai, foi apenas um m*l entendido. Esse cara estava perturbando a Alice. — disse, fechando a porta.
— Alice Greenberg? A modelo que a sua mãe odeia?
— Pai, não tem porque a mamãe pegar no pé da Alice. Ela é apenas uma amiga.
— Por acaso isso pertence a sua amiga?
Robert levantou um sutiã rendado que estava jogado em cima do sofá.
— Não acredito que você veio até a minha casa para saber com quem eu transo...
— Tem razão, não vim aqui para isso. Mas sim para te dar um ultimato.
Um ultimato? O rapaz pensou com os olhos semicerrados.
— Ultimato?
— Vou dar um ano para você arrumar a sua vida. Um ano, Blake! Se em um ano você não estiver casado e com um filho, eu deserdo você. — disse bravo.
— Você está brincando? Só pode!
Blake começou a andar de um lado para o outro, ora passando a mão no cabelo ora rindo. Ele não conseguia acreditar nas palavras do homem em pé logo a sua frente, com uma expressão inabalável.
— Eu pareço estar brincando? Você vem sendo um irresponsável desde que veio ao mundo. Agindo como se as suas atitudes nunca fossem ter consequências e talvez sua mãe e eu sejamos os culpados, mimados muito você e o Noah. Por isso vocês se tornaram esses homens medíocres que pensam que na vida só existem prostitutas, festas, bebidas e drogas. Não vou dar mole pra vocês, não se eu puder mudar vocês. — o homem disse tudo com indiferença.
Aparentemente ele não se importava com o que ele estava pedindo, ao menos era isso que Blake pensava.
O mais jovem sentou no sofá ainda abismado.
Como assim me casar? Quem ele pensa que é para decidir isso por mim? Essa é a minha vida!
— Eu não consigo acreditar… — disse olhando para baixo, mas logo levantou o olhar para seu pai que continuava parado na sua frente. — E se eu não aceitar?
Blake não estava pronto para se casar. E não queria. Ainda era jovem e queria poder aproveitar um pouco mais a vida antes de ter aquele tipo de responsabilidade.
Dessa vez a risada de Robert invadiu a sala, que estava silenciosa. Não era uma risada de divertimento e sim irônica. O que deixou Blake surpreso e assustado.
— Você não é mais nenhum garoto. Nem é mais um universitário irresponsável, mesmo que continue um irresponsável, você é um homem adulto e tem o direito de escolher o que é melhor para sua vida. Mesmo que seja uma escolha i****a da qual você irá se arrepender, ainda assim a escolha é sua. Não estou dizendo que vou obrigá-lo, estamos no século vinte e um. Mas se você acha que vai conseguir alguma coisa sem o meu sobrenome, está muito enganado. Você se preparou a vida inteira para assumir os meus negócios. Para ser o presidente da construtora que eu e o Torres lutamos para colocar de pé, mas você e o i****a do Marcos parecem querer destruir o legado que levamos toda a nossa vida para construir.
Ele parou de falar por um instante e deu risada.
— Mas como eu já disse, você escolhe o que vai querer. Se não aceitar o que eu te propus, não é necessário que volte a pisar na minha empresa.
— O que? — disse mais alto do que queria.
Aquilo tudo era um exagero.
— Pai, isso é muito exagerado. Eu estudei a minha vida inteira para a assumir a sua empresa. E o senhor decide tudo isso por causa de uma confusão sem importância. — disse inteiramente revoltado.
— Sem importância? Você não viu o que essa confusão sem importância fez com as ações da construtora? Os investidores querem a sua cabeça na bandeja e eu estou te dando uma chance de ser responsável e de ser tornar um homem de verdade…
— Me obrigando a casar?
A sua revolta apenas aumentava.
— Não. Te fazendo sentir empatia e desejo por outra pessoa além de você mesmo. E além de tudo sua mãe tem medo de morrer sem ter um neto.
Minha mãe? O que ela tem a ver com isso? Ela sabe o que ele está fazendo? Pensou ainda mais confuso.
— Mas ela não vai morrer, pai! — Blake disse sem entender.
E de repente a expressão de seu pai era de tristeza, era algo que ele não se lembrava de ver com muita frequência. Alguma coisa estava acontecendo, algo mais sério e que seu pai não estava contando. O que seu pai poderia estar escondendo?
— Todos nós vamos morrer algum dia, Blake! E mesmo que isso não aconteça agora, sua mãe é muito dramática. É uma exagerada que acha que os filhos nunca vão dar a ela a felicidade de dar netos para ela. Apenas quero que ela seja feliz e se for isso que a deixará feliz, vou proporcionar essa experiência para ela. Custe o que custar! — disse a última parte para si mesmo.
A melancolia dominava os olhos de Robert, o que há alguns minutos eram raiva e desapontamento agora era uma tristeza profunda.
O homem caminhou até a porta, mas antes de sair do apartamento, virou para o filho e disse: — A escolha é sua, se não vai aceitar os meus termos não há necessidade de aparecer na empresa na segunda-feira!
Saiu do apartamento tentando ao máximo não voltar e dizer que tudo não passava de um engano. Mesmo que não quisesse ser c***l e tomar medidas tão drásticas era necessário, era o que ele tinha de fazer para permitir que o grande amor da sua vida tivesse a oportunidade de ver os filhos bem.
Enquanto isso, Blake continuava sentado no sofá, estático.