Capítulo 07

1921 Palavras
Giovanni fox Acordei cedo naquela manhã, com a determinação de descobrir a verdade sobre Clarice. Eu estava desconfiado, e as anotações que encontrei na gaveta da minha mãe só aumentaram as minhas suspeitas. Decidi que era hora de agir e, por isso, pedi a Sara, a moça do RH, o relatório das saídas de Clarice. Enquanto esperava o relatório chegar, a minha mente estava cheia de perguntas. Até que ponto Clarice se aproveitava da boa vontade da minha mãe? Ela estava realmente fazendo um bom trabalho ou apenas se aproveitando das vantagens que vinham com o cargo? Eu precisava de respostas. Quando o relatório finalmente chegou, peguei-o com ansiedade. Os meus olhos percorreram cada linha, tentando encontrar algum indício de irregularidade. As horas faltas frequentes de Clarice chamaram a minha atenção. Ela sempre saia a tarde, mas porque será a minha mãe permitia tamanha folgação, o único parente que ela tinha na Austrália era o seu pai, e segundo o seu relatório, ele estava em perfeitas condições. Decidi que era hora de por um fim nas mordomias de Clarice, os brincos que vi ela usando no outro dia, aquilo era só a ponta do iceberg. Sabia que havia mais por trás da fachada amigável da assistente. Convidei Robert para minha sala logo após a reunião com os funcionários. Eu precisava desabafar e compartilhar as minhas preocupações com alguém em quem confiava. Assim que ele entrou, pude ver o olhar divertido nos seus olhos, pronto para fazer uma piada ou comentário descontraído. — É impressão minha ou você está de olho na secretária? — provocou Robert com um sorriso malicioso. Eu soltei um suspiro e olhei para ele com seriedade. — Sim, estou. — respondi, minha voz carregada de preocupação. — Mas não é o que você está pensando, meu amigo. Há algo errado acontecendo, e eu não consigo deixar de desconfiar de Clarice. Curioso, Robert se sentou na cadeira em frente a mim, atento ao que eu tinha a dizer. Ele havia chegado hoje pela manhã da Inglaterra, ficaria na casa da minha mãe, havia lugar suficiente. — O que está acontecendo então? — ele perguntou, o seu tom se tornando mais sério. Comecei a relatar as minhas suspeitas sobre Clarice, explicando sobre as anotações que encontrei na gaveta da minha mãe. Contei sobre as frequentes saídas dela registrada no relatório, levantando a questão se ela estava realmente trabalhando duro ou se estava apenas tirando proveito da situação. — Eu acredito que ela esteja se aproveitando da boa vontade da minha mãe. — afirmei, minha voz firme. — As suas saídas são constantes e o fato de ela usar brincos tão caros, que tenho certeza serem presentes de Rosa. Tenho um pressentimento de que há algo mais obscuro por trás de tudo isso. Robert ouvia atentamente, a sua expressão se tornando mais séria a cada palavra. — Ela tem uma posição de confiança na empresa, com acesso direto à minha mãe. Tenho medo de que ela esteja se aproveitando disso para obter vantagens pessoais. Precisamos agir antes que ela cause mais danos, ou que Rosa volte. Robert concordou, sua expressão determinada. — Se isso for verdade, não podemos permitir que ela continue agindo impunemente. A sua mãe confia nela, mas nós precisamos proteger a sua empresa e a sua reputação. Assenti veementemente, sentindo uma mistura de raiva e frustração por Rosa ser tão boa para os outros, mas não ser capaz de cuidar do próprio filho. — Completamente de acordo, meu amigo. Vamos investigar a fundo, reunir evidências sólidas antes de confrontá-la. Quero garantir que a minha mãe esteja segura e que a empresa seja protegida de qualquer má conduta. Uma parte de mim queria proteger a minha mãe, mas eu dizia a mim mesmo que aquela empresa seria minha, e era por isso que estava fazendo isso, era meu por direito e se Rosa tinha pessoas como Clarice de confiança, um golpe, alguns papéis assinados poderiam facilmente a colocar em maus lençóis, e eu não deixaria a minha herança para uma aproveitadora. — Mas é só isso? — Robert pergunta sugestivo. — E o que seria mais? — Largo a caneca que estava fazendo algumas assinaturas. As minhas mãos nunca param de trabalhar. — Não sei, ela é uma bela mulher, e vi como você estava a olhando. Eu olhei para Robert com uma expressão séria, sentindo uma pontada de irritação com as suas insinuações. — Não seja t**o. Você sabe muito bem o tipo de mulheres com quem eu gosto de sair. Aliás, muitas vezes você até marca os encontros para mim.— respondi, tentando não deixar transparecer o incômodo que aquela conversa estava me causando. Decidi deixar a provocação de lado e me concentrei no assunto sério que estávamos discutindo. Levantei-me da minha cadeira e caminhei em direção à mesa da minha mãe, onde ela costumava atender os seus clientes. Por sorte, ela gostava de agradar os seus visitantes, oferecendo café ou uisque. — Ora, vai me dizer que você não se perdeu naquela boca vermelha e carnuda? — provocou Robert, sorrindo de forma maliciosa. — O que falta de tamanho nela, tem de charme. Fico feliz que você não tenha se interessado. Senti o meu sangue ferver por um momento. Conhecia Robert o suficiente para saber que ele estava tentando me irritar, e, de certa forma, ele tinha conseguido. Porém, eu não queria que os meus funcionários ficassem fletando, especialmente se as minhas suspeitas sobre Clarice estivessem corretas. Ela não iria durar muito tempo na empresa, e toda a sua atitude arrogante e pretensiosa seria desmascarada. Respirei fundo e tentei manter a calma, respondendo a provocação de Robert com um tom firme. — Robert, mulheres não são tudo. Elas podem ser apenas um bônus na vida. Eu tenho assuntos mais importantes para lidar agora, e Clarice está no centro disso tudo. Se as minhas suspeitas estiverem corretas, ela vai ter que enfrentar as consequências das suas ações. Robert olhou para mim por um instante, percebendo a seriedade e irritação no meu olhar. Ele sabia que havia tocado em um ponto delicado, e eu esperava que ele entendesse a importância do assunto, mas na verdade nem mesmo eu entendia o motivo da irritação após o seu comentário sobre aquela maldita boca carnuda. — Desculpe se eu te provoquei, meu amigo. — ele disse, mudando o seu tom para um mais respeitoso. — Eu sei o quão dedicado você é às empresas. Vamos descobrir a verdade sobre Clarice e garantir que a sua mãe esteja protegida também. Agradeci a compreensão de Robert com um aceno de cabeça. Apesar das suas brincadeiras inconvenientes, eu sabia que ele estava ao meu lado e disposto a me apoiar. Ao longo do dia, tive várias reuniões agendadas. Ainda era quinta-feira, mas eu m*l podia esperar pelo dia seguinte, já que o relatório indicava que Clarice costumava sair nas sextas-feiras. Decidi tomar uma medida drástica e estabeleci uma nova regra para todos os funcionários: a partir de agora, deveriam pedir permissão para sair mais cedo, e no caso de Clarice, diretamente a mim. Durante as reuniões, fiz questão de dispensar a presença de Clarice por completo. Chamei apenas Robert e, em algumas ocasiões, convidei Débora para participar. Logo, seria somente Robert e Débora na empresa. Era uma forma de diminuir a influência de Clarice e garantir que pudesse agir sem interferências. Ao sair do escritório, já tarde da noite, dei de cara com Clarice no elevador. Ela parecia cansada, como se tivesse trabalhado horas extras. O aroma de jasmim com morangos invadiu as minhas narinas, despertando um sentimento contraditório em mim. Enquanto o elevador descia, percebi que nenhum de nós trocava uma palavra sequer. Ambos estávamos dispostos a não dar o braço a torcer. A medida que o horário avançava, não havia mais ninguém no prédio. A irritação começou a tomar conta de mim, e decidi confrontá-la, ninguém me ignorava. — Qual é o seu problema? — A minha voz saiu mais ríspida do que planejei. — Não sou obrigada a cumprimentar ninguém fora do meu horário de trabalho. — Responde afiada, o seu pequeno peito subindo e descendo, os seus lábios dançando ao me responder. — Como é? — sussurrei, prensando-a contra a parede do elevador. Estávamos a centímetros de distância, tão próximos que poderia beijá-la se me aproximasse mais. Clarice não respondeu. Em vez disso, eu encostei o meu corpo no dela, sentindo o calor do seu pequeno corpo, era enorme a nossa diferença de altura, mas naquele momento eu não me importava se teria uma dor no pescoço, e a sensação do seu corpo quente sob as minhas mãos enviou um arrepio eletrizante pela minha espinha. Os nossos olhares se cruzaram intensamente, como se desafiasse um ao outro. O silêncio pairava no ar, enquanto os nossos corpos se contorciam em um jogo de tensão e atração. Eu podia sentir o calor da sua respiração no meu rosto, o desejo pulsando entre nós. Cada célula do meu corpo clamava por um toque mais, os seus olhos verdes vividos pediam por mais, pareciam inocentes e delicados. Talvez fosse esse mesmo olhar que ela lançava para minha mãe toda vez que iria pedir algo, tentadora, e sorrateira. Com olhares desafiadores, o silêncio era quase palpável enquanto lutávamos para manter a nossa postura. Até que, de repente, Clarice se desvencilhou e se afastou. — Poço denunciá-lo por assédio. — Fala, a sua voz não tão firme assim, não era somente eu que estava abalado ali, mas não poderia esquecer que ela era uma manipuladora. — Talvez você vá precisar mesmo de um advogado. Recobro o juízo lhe dando um recado, sem direito a respostas deixo ela para trás, e sigo até o meu esportivo onde o segurança já me espera. Após o encontro turbulento no elevador, saí do prédio e dirigi-me para casa. No entanto, mesmo com a distância física, a presença de Clarice parecia me acompanhar como uma sombra persistente. O seu perfume envolvente ainda estava impregnado nas minhas narinas, ecoando nos meus pensamentos a cada passo que eu dava. Ao chegar em casa, percebi que Robert não estava lá. Isso não era uma surpresa, já que ele raramente perdia uma noite de farra, mesmo depois de uma viagem cansativa. Enquanto me despia para um banho, meus pensamentos continuavam a ser atormentados pela imagem de Clarice. A água quente do chuveiro caía sobre mim, buscando lavar as tensões do dia. Fechei os olhos, permitindo que a torrente me envolvesse completamente. No entanto, mesmo com a água quente, não conseguia me livrar da presença de Clarice na minha mente. A sua boca sedutora e aquele aroma intoxicante me assombrava, como se estivessem gravados na minha pele. Decidi que precisava me livrar desses pensamentos perturbadores antes de dormir. Enxuguei-me e me dirigi ao quarto, pronto para descansar e encontrar um refúgio temporário daquela atração sem fundamentos. Deitado na cama, fechei os olhos e respirei profundamente, buscando tranquilidade. No entanto, cada vez que tentava afastar Clarice dos meus pensamentos, ela parecia se infiltrar ainda mais na minha mente, como uma tentação irresistível. Cada detalhe do seu rosto, o seu sorriso provocador e os seus olhos penetrantes continuavam a me assombrar. Eu não podia deixar que esses pensamentos me dominassem. Era necessário encontrar uma maneira de dissipar essa energia carregada, de me libertar desse fascínio que ela exercia sobre mim. Eu sabia que, se quisesse proteger a minha mãe e a empresa, precisava manter a minha concentração e foco, afastando qualquer distração, especialmente uma tão perigosa quanto Clarice.
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