Prólogo

799 Palavras
Eu lembro de como foi o nosso primeiro beijo, eu lembro de como foi sentir suas mãos tocando minha pele, sentir sua respiração tão próxima a  minha e seus lábios tocando os meus vagarosamente. Lembro que naquele dia eu apenas fechei os olhos e respirei fundo tomando coragem. Eu estava tão ansioso, minhas pernas tremiam e minhas mãos suavam. Naquele momento era algo tão romântico e ao mesmo tempo algo tão banalizado. Para os adolescentes de hoje sexo é só sexo. Só mais uma coisa a se fazer, só mais uma etapa, uma coisa qualquer. Mas isso gera tantas consequências que nem se pode medir o nível delas de uma forma geral, já que as dificuldades são diferentes em cada caso. Mas eu não pensei nisso enquanto ele tirava minha roupa com jeito, quando sua mão quente passava pelas curvas do meu corpo. Quando estávamos deitados naquela cama nos amando intensamente. Eu o amo, de verdade. É um sentimento tão inexplicável, algo que me faz sorrir de saber que é real, e que talvez ele me retribua com a mesma intensidade. Chanyeol me tocava de uma forma que me fazia arfar, seus beijos aceleravam meu coração, seu olhar esquentava a minha pele. Nossas mãos estavam unidas e eu não podia evitar sorrir. Eu estava amando estar em seus braços naquele fim de tarde chuvosa. Mas no final, a realidade me atingiu a consciência. Eu deveria estar em casa há horas, eu tinha feito em mim uma marca difícil de apagar, uma lembrança para a vida inteira, talvez muito mais do que isso, mas eu só viria a saber depois. Chanyeol era meu professor de educação física. Passamos aquela tarde juntos – como muitas outras – para que ele me ajudasse a passar nos testes e continuar no time de vôlei. Mas eu acabei em sua cama, gemendo seu nome. — Baekhyun, fique mais um pouco. — disse Chanyeol assim que o sinal bateu. Fechei meu "diário" e o guardei na mochila me levantando da arquibancadas e tentando não parecer nervoso ao chegar perto dele. — Sobre aquela mensagem que me mandou ontem à noite, você já falou com seus pais? — Chanyeol falou baixo e perguntou apreensivo. — Ainda não, v-você é o pai, então contei só pra você. — falei olhando para o chão. — Quando terminar suas aulas me espere no pátio de trás dá escola que vamos conversar, tudo bem? — assenti e ele bagunçou meus cabelos me deixando ir para o intervalo. {•••} Eu rabisquei meu caderno o restante das aulas, logo o sinal de encerramento tocou. Eu não tinha amigos e as pessoas não pareciam ter pretensão de se aproximar de mim, muito menos de me notar. Então foi fácil apenas sair da sala e seguir para o lado contrário da maré de alunos desesperada por suas casas. Saí pelo pátio dos fundos e entrei no carro de Chanyeol em silêncio. Ele deu partida e logo estávamos em seu apartamento, me sentei no sofá enquanto ele largava as chaves sobre a mesinha e sentava ao meu lado. — Foi só o de farmácia ou o de sangue também? — Fiz o de sangue. — respondi abraçando minha mochila sem coragem de o encarar. Chanyeol suspirou e se ajeitou no sofá, sentando com uma perna dobrada, de lado para mim. — Baekhyun, larga essa mochila e vem aqui. — ele disse calmo e eu larguei, me aproximei de seu corpo e enterrei minha cabeça em seu peito e comecei a chorar sentindo ele acariciar meus cabelos — Tudo bem. Não precisa ficar assim. Chanyeol levantou meu queixo e selou meus lábios dando um sorrisinhos, que me fez fungar e secar as lágrimas. — Está tudo bem pra você? — perguntei baixinho, minha voz saindo abafada por estar com a cabeça em seu peito. — Eu não pretendia ter um filho agora, não mesmo. Mas o erro também foi meu, eu deveria ser mais responsável quanto a esse assunto, você era virgem não era? — assenti e ele acariciou meus cabelos novamente — Então, estamos nessa juntos, mas... Eu não quero que ninguém na escola saiba, não por agora. — Por causa do seu emprego, né? — Sim, eu posso ser demitido, e precisamos do dinheiro pro bebê, quando ele estiver pra nascer eu mudo de emprego e, talvez, passaremos a morar juntos. O que acha? — Eu preciso falar com meus pais, Chan. — Espere pelo menos um pouco, não vamos ser apressados... A verdade é que estou com medo de enfrentar isso. — ele suspirou e colou nossas testas. — M-mas se você ficar comigo... Vai ser mais fácil, eu sei disso. — Eu estou com você... — disse ele, me dando um sorriso que não estava parecendo tão convincente.
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