Chanyeol me pediu para guardar segredo sobre a gravidez, como se as pessoas não fossem ver a minha barriga ou me julgar como se elas entendessem o que eu estou passando.
As pessoas tem mania de dizer "eu entendo você" muito mesmo antes de saber o motivo real da sua dor. O ser humano é tão vazio...
Ninguém é capaz de entender a complexidade dessa situação. Eu estou grávido de um cara dez anos mais velho que pensa primeiro em si mesmo e depois em mim e no bebê.
Ele se diz despreparado para a situação aos vinte e seis anos, e eu? O que eu sei sobre a vida? Quantos caras eu beijei tirando ele? Quantas vezes eu pensei em cometer alguma loucura? Quantas festas eu fui? Quantos porres eu tomei? A resposta para tudo isso é um acúmulo indefinido de zeros.
Baekhyun, seu grande i*****l. Que pensamentos infantis para se ter em um momento de crise. Oh, realidade, desculpa, eu ainda sou essa criança que estava esperando o tempo certo para crescer e amadurecer com os erros.
Agora sou obrigado a fazer isso sendo responsável por outro ser humano. Serei obrigado a aguentar a intolerância dos mais velhos e as risadas de quem tem a minha idade, pensando que eu sou um pai solteiro, que fiz esse filho com qualquer um, que sou do tipo de vai em festas e fica com todo o tipo de cara lá mesmo, sem me cuidar. E talvez fosse mais fácil sendo assim, mas não, foi por amor, eu sei quem é o pai e mesmo assim sinto que estou só.
— Turma, boa tarde, eu sou Do Kyungsoo, o professor de química do segundo semestre. — disse um rapaz de cabelos negros e bem curtos que entrou na sala subitamente — Chanyeol vai chegar um pouco atrasado para a aula de educação física, então ele mandou que eu os guia-se ao ginásio e vocês fizessem a formação de sempre, okay?! — todos assentiram e Kyungsoo concordou com a cabeça uma última vez antes de pedir que a turma o seguisse para fora da sala.
Eu amo vôlei e esse era os motivos da minha maior proximidade com Chanyeol nas aulas de educação física. Além disso tinha o fator beleza estonteante, mas isso ficou para um segundo momento. Essa era a profissão que eu queria seguir. Nada me deixa com uma felicidade tão grande do que a adrenalina nas quadras.
Começamos com a divisão normal dos times, eu estava bem no centro da quadra, sendo a defesa do meu time.
As bolas sempre iam direto em minha direção, por isso a manchete foi o que mais treinei durante todo esse tempo, no começo meus braços doíam, mas eu poderia me considerar um masoquista, pois eu adorava aquela sensação, não da dor, mas de não ter perdido uma bola se quer.
Me perdi em meus pensamentos o que causou uma bolada em minha testa e uma queda quase que de imediata, tudo seguido de uma voz repreensiva, voz essa que eu conhecia muito bem, até mesmo os gemidos.
Chanyeol me ajudou a levantar e depois me levou para fora da quadra.
— Continuem o jogo, rotação! MinHyuk, entre no saque. — Chanyeol me levou até a parte mais afastada da quadra e me segurou pelos ombros, arqueando um pouco seu corpo para olhar em meus olhos — Ficou maluco? Sabe o risco que correu nessa atitude estúpida? Você vai ir para a enfermaria agora e ver se está tudo bem.
— Está tudo bem, eu estou ótimo. — me soltei de suas mãos — Você mandou que fizéssemos a mesma formação. Além disso não tem problema nenhum. — disse me segurando para não fazer um bico dengoso, apenas dando de ombros.
— Tem problema sim, esse tipo de esporte você não pode praticar, quer andar em volta das quadra tudo bem, mas não pode mais jogar vôlei, Baekhyun. É perigoso. — disse a última parte em um sussurro, olhando no fundo de meus olhos, acredito que para ter a certeza de que eu entenderia aquelas palavras nas entrelinhas.
Era perigoso para o bebê.
— Eu posso e eu vou! — falei irritado, a minha barriga ainda nem estava aparecendo, não precisava de tudo isso.
— Não, a partir de hoje você está de licença médica da minha aula. Você vem apenas para ganhar presença, se não quiser, não precisa vir nem pra isso. — Chanyeol deu seu decreto e eu senti as lágrimas escorrerem por meu rosto enquanto eu corria daquele ginásio.
Agi feito uma criança? Muito provavelmente, mas só eu sabia o quanto estava sendo doloroso perder o que eu mais amava.
SETE MESES ANTES
— Muito bem, Baekhyun, passe a bola para Sehun. — Chanyeol gritava em volta da quadra enquanto batia palmas como se estivesse adestrando cachorros — Eu gosto da simetria de vocês, Sehun sabe bem como dar um corte antes de mandar para o adversário. Tente mais uma vez, receba o saque de Tao, ele é mais alto que você, tente com o toque.
Quando aquela aula acabou eu estava tão suado que parecia que tinham colocado uma mangueira dentro da minha blusa. Mas eu estava feliz, não só pela endorfina que meu corpo estava liberando, mas porque eu gostava demais de fazer aquilo era algo que eu nem conseguia explicar, mas eu gostava demais daquilo. Era uma coisa que eu queria fazer até ficar velhinho. Parece estranho, meu omma sempre diz "é só vôlei", mas para mim sempre parecei tão mais do que apenas um esporte.
Quando saí dá quadra toquei a mão de Chanyeol como se ele fosse meu treinador me parabenizando pela excelente partida.
— Baekhyun, antes de ir... Você é o melhor jogador do time, isso com certeza, eu preciso de você nas competições, mas com suas notas caindo desse jeito não tem como. — frangiu os lábios.
— Minhas notas não estão tão ruins, professor, eu só estou tendo dificuldades. — baixei a cabeça e peguei minha mochila, dificuldade era pouco.
— E essas dificuldades podem te tirar do time. Baekhyun, você tirou quatro ponto três na última prova de biologia. Sua média ainda era sete. Olha se quiser ajuda com as matérias, eu posso ajudar, mas se não quiser e também continuar decaindo, eu sou obrigado a te cortar do time.
E esse foi o início...
Três semanas de depois nós já estávamos mais próximos. Próximos demais para que eu pudesse medir as consequências.
— Quanto é trezentos e cinquenta vezes dois depois divido por dois?
— Trezentos e cinquenta. — respondi mordendo os lábios.
— Acho que não precisamos estudar mais nada por hoje. — soltou seu sorriso ladino, sussurrando as palavras em meu ouvido.
Chanyeol largou os livros na mesa em frente ao sofá e me puxou para seu colo, para que trocássemos mais beijos intensos como estavam acontecendo nos últimos dois dias.
Ele passava as mãos pelo meu corpo e me beijava de uma forma sedenta. Eu também o retribuía de igual forma, minhas mãos puxando seus fios de cabelos enquanto rebolava em seu colo e começa um beijo após o outro.
Aquilo era errado? Muito! Mas seus beijos eram viciantes e eu não podia parar. Eu poderia passar um vida apenas saboreando seus lábios e não teria arrependimento algum. Ou pelo menos era o que me passava na cabeça enquanto estávamos fazendo aquilo.
{•••}
— Baekhyun, ficou chateado comigo? — Chanyeol perguntou sentando no banco ao meu lado, em frente a enfermaria, onde eu devorava uma barra de chocolate sem piedade.
— Não, imagina. Estou decepcionado com a vida e ela não tem nada a ver com você. — respondi irônico sem olhar para seu rosto.
— Eu já disse que vamos dar um jeito... — sussurrou calmo.
— EU NÃO QUERO DAR UM JEITO! EU ESTOU GRÁVIDO, NÃO TEM COMO DAR UM JEITO NISSO! — me arrependi amargamente pela minha alteração quando vi alguns garotos parados no fim do corredor.
Quando a gente pensa que a vida não pode piorar, ela só piora.