Laços Fraternos

1622 Palavras
— EU NÃO QUERO DAR UM JEITO! EU ESTOU GRÁVIDO, NÃO TEM COMO DAR UM JEITO NISSO! — me arrependi amargamente pela minha alteração quando vi alguns garotos parados no fim do corredor. Quando a gente pensa que a vida não pode piorar, ela só piora. A turminha de Huang ZiTao estava parada no início do corredor, já que estávamos no meio, e eles começaram a rir "discretamente" enquanto cochichavam entre si. Eles se acham a turminha dos descolados, mas na verdade, Tao, Yoongi, Namjoon, Minseok e Jongdae são é um bando de desocupados metidos a valentões como se fizessem parte de algum tipo de série adolescente.  Suspirei e peguei minha mochila saindo a passos pesados daquele lugar. f**a-se de alguém iria ligar para meus pais por eu ter matado aula, eu não estava cabeça para aquele inferno no momento. {...} Em poucos minutos eu já estava em minha casa, Taehyung, meu irmão mais novo, estava sentado no sofá mexendo em seu celular quando eu cheguei. — HYUNG! O Kai Hyung ligou, em dois meses ele está de volta, não é maravilhoso?! — Taehyung foi andando atrás de mim até meu quarto falando sem parar do nosso irmão mais velho. — Tae, você sabe que eu não me dou bem com o Jongin, nunca nos demos e provavelmente nunca vamos nos dar. — Jongin era oito anos mais velho que eu, e isso fez com que nunca fossemos muito próximos, já que na minha infância ele estava na adolescência e assim por diante — Agora saí daqui que eu quero ficar sozinho. — empurrei o pequeno com os pés o expulsando. Coloquei os fones de ouvido assim que Taehyung fechou a porta e me permiti chorar por alguns momentos. O pior momento seria falar para meus pais, meu omma Junmyeon teve Kai aos vinte anos, ele nunca quis que nenhum de nós tivesse filho tão cedo, e agora que vou ser o desgosto da familia. Jongin está no Japão fazendo faculdade de Comunicações Internacionais, mesmo tendo apenas doze anos Taehyung já parece ser um gênio, e eu sou um nada. Não tenho as melhores notas, nenhum tipo de talento e agora, para piorar tudo, ainda estava grávido, algo que ele nunca quis para nenhum de nós. {...} Nem percebi quando eu dormi em meio aos meus devaneios, acordei com meu celular tocando e vibrando em minha mão, atendi com a voz um pouco rouca pelo sono somado ao choro. — Baekhyun, eu já estava ficando preocupado, onde você está? Você está bem? — Estou bem. Estou em casa. — respondi coçando meus olhos e me levantando — Não tem porquê se preocupar comigo. — Baekhyun, você não me respondeu nenhuma das mensagens, você demorou a atender minhas ligações, queria que eu pensasse o que? — Que eu vim para casa e deu. Olha Chanyeol, eu não estou me sentindo muito feliz nos últimos dias, apenas me deixe quieto no meu canto. — desliguei o celular sem ouvir suas reclamações. Peguei algumas roupas e fui para o banheiro tomar um banho, apesar de não aparecer realmente a minha barriga, eu sabia que existia uma pequena protuberância na parte do umbigo para baixo, a mesma parte onde esteva durinho, porque ele crescia ali. Havia um bebê dentro de mim, uma pessoa crescendo em mim. Tomei um banho rápido e coloquei uma calça de moletom e uma blusa folgada e desci para cozinha, eu estava morrendo de fome. — Desceu na hora, Baek, você sente o cheio da comida né? — meu omma brincou e desligou o fogo — Fiz a comida favorita do seu aboji, ele conseguiu uma grande promoção na empresa. — omma Jun bagunçou meus cabelos e deu um beijo em minha testa antes de ir em direção a escada e gritar para Taehyung descer para jantar. Coloquei os pratos e talheres na mesa e  o ajudei a servir a comida, vendo meu aboji Lay chegar e dar um beijinho no appa antes de tirar o paletó e sentar à mesa. A comida do omma sempre foi maravilhosa, ainda mais quando fazia massa de batata doce com sopa de broto de feijão e aspargos, mas no momento que fui comer eu senti meu estômago revirar só de sentir o cheiro. — Desculpa, omma, mas acho que não estou me sentindo muito bem para comer uma comida tão pesada. — afastei o prato — Posso fazer um sanduiche e ir para o quarto? — Ih appa, o hyung está grávido. — disse Taehyung brincando. — Deus me livre, meu filho. Se isso acontecesse com seu irmão eu não seu o que faria da minha vida, acho que eu morria depois de dar uma surra nele. —  disse rindo — Vai meu filho, você tem treinado muito esses dias, deve ser apenas estresse. Dei um sorriso sem jeito e fui até a geladeira, peguei algumas coisas para fazer um sanduiche e fui para o meu quarto. Meu celular ainda chamava sobre a cama, então nem olhei o número, apenas atendi, eu já presumia quem era. — Você não entende como é difícil? Todos vão me odiar, não tem como você me deixar em paz pelo menos por essa noite? — perguntei chorando — Já viu que estou vivo, agora me deixe sozinho. — Quem vai te odiar? O que está acontecendo ai, Baekhyun? — Jongin perguntou com a voz grave.  E eu não fui capaz de responder.  SEIS MESES ANTES — E quando aproximamos um bastão de uma esfera carregada, devido ao que conhecemos como repulsão e atração elétrica, os elétrons livres mais próximos irão ser repelidos, enquanto as cargas positivas continuaram próximas ao bastão. Isso é conhecido como polarização de cargas em um condutor. — Chanyeol falava me mostrando as imagens do livro, mas eu não prestava atenção em nada. Eu estava com a cabeça apoiada na mão esquerda, apenas olhando para seu rosto, gravando cada detalhe seu, a forma como seus lábios mexiam e o quanto ele era inacreditavelmente lindo.  — Por que mesmo que você esteja falando algo para me ajudar eu imagino você falando algo extremamente malicioso? — perguntei de forma amena, olhando para sua face, porque era verdade, eu tinha um desejo incontrolável por Chanyeol, e eu confundi isso com amor por tanto tempo. Eu gostava da forma como ele me tocava e talvez por nunca ter me sentindo amado por alguém, nunca tenha me sentindo útil para alguma coisa, eu confundi os desejos do meu corpo e, principalmente, os do seu, com um sentimento muito mais amplo que não era resumido a toques nem palavras e sim gestos e atitudes e complementado com todo o resto. Mas naquele momento, com aqueles pensamentos que eu tinha na época, eu acabava indo para cama de Chanyeol sem pensar duas vezes, apenas o querendo para mim, achado que de alguma forma... Pertenceríamos um ao outro. Eu estava enganado quanto a tudo que achava, mas a culpa não é inteiramente minha. Ninguém tinha me ensinado nada sobre isso, meu omma sentia total repulsa pelo assunto, como se só de saber sobre, eu já fosse ter um filho e a sua falta de tato foi justamente um dos agravantes da situação, além de todos os filmes e séries adolescentes romantizando todo o tipo de coisa absurda e que colocam sexo em tudo para preencher os espaços e que eu descobri não ser só de seus roteiros fracos, mas também de nós como sociedade. Eu via aquilo diariamente e não tinha ninguém que me explicasse que as coisas não aconteciam daquela forma. Por mais que eu soubesse que não existia um príncipe encantado, a gente ainda espera que aquela história não tenha surgido do nada e com a gente possa ser diferente. Comigo poderia ser diferente. E se Hogwarts descobriu tarde demais que eu era um bruxo e minha carta estava só uns anos atrasada? Sonhos. E esse tipo de amor também é um sonho.  {•••} — Baekhyun, está me deixando preocupado. Eu vou ligar para o papai. — Jongin ameaçou, eu estava um bom tempo em silêncio, apenas chorando pelo telefone, consequentemente tomando consciência de mais um erro: não verificar de quem era a ligação. Mas também nunca imaginei de Jongin me ligaria, como frisei a Taehyung mais cedo, nós nunca nos demos bem. — Eu nunca contei segredos a você. Você sempre foi um péssimo irmão mais velho. Se você ligar para o appa vai ser apenas para me ferrar como sempre e se eu te contar, você também vai me ferrar. — disse tentando me acalmar e respirar fundo. — Você está me assustando, Baekhyun. O que aconteceu com você? Por favor, me diga, eu não vou contar para o papai. Eu estou realmente preocupado e quero ajudar você. — Você jura, por todo esse laço de irmãos que não desenvolvemos nos meus últimos dezesseis anos da minha vida que custe o que custar, mesmo que eu morra, você nunca vai contar nada a ninguém, mesmo que eu morra, você não vai dizer que sabia? — Baekhyun, você está me deixando muito assustado, me fala logo. Eu vou chegar em dois meses e se quiser eu posso resolver. E não fala esse tipo de coisa, você não vai morrer.  — Não tem como resolver, Jongin-ah. Eu vou estar morto quando você chegar. — O que você está dizendo, Baekhyun? Para com isso. — pediu, senti a preocupação em seu tom de voz. — Eu vou ter um bebê, Jongin-ah, eu vou ter a droga de um bebê. — disse chorando e só pude ouvir os suspiros de Jongin do outro lado, ele sabia o que isso significava. Significava um omma Jun furioso talvez a terceira guerra mundial.
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