Jongin suspirou.
— Droga Baek, como você conseguiu fazer isso? — suspirou novamente — Tá, esquece a pergunta i****a. Quem é o pai?
— Não tem pai. — disse, tentando parar de chorar.
— Você não fez com o dedo. Vamos me diga logo, quem é o pai do bebê. — disse com a voz um pouco mais firme.
— Não, Jongin-ah. Eu já disse que não tem, agora eu preciso desligar. — dito isso, eu desliguei o telefone.
Não só a chamada como também o aparelho, eu não queria mais nenhuma ligação naquela noite.
Nos dias que se seguiram eu faltei a aula em quase todos eles, eu esperava omma Jun ir para o trabalho e voltava para o conforto da minha cama. Era muito melhor do que enfrentar o mundo real ou os preconceitos dos meus colegas idiotas. Por mais que eu não tenha visto mais olhares como o de ZiTao ou ouvido as piadinhas, tudo gritava dentro da minha cabeça, porque eu sabia exatamente como seria no momento que eu pisasse naquela escola novamente, ainda mais quando a minha barriga começasse a aparecer. A única coisa pela qual eu torcia, era que o diretor não ligasse para minha casa tentando falar com meus pais.
Só não contava que Chanyeol fosse ser tão chato.
Resolvi atender a porta depois de notar que a pessoa que estava com o dedo colado na campainha não ia desistir tão cedo.
Quando abri a porta dei de cara cara com um Chanyeol completamente emburrado que invadiu a minha casa.
— Por que não tem mais ido às aulas? Você não vai se formar se continuar assim. — disse um tanto autoritário, me dando uma lição aparentemente.
— E o que você tem a ver com isso? Eu não vou a aula porque não quero. Eu já tinha notas ruins mesmo, você sabe bem disso. — disse com um bico nos lábios. Afinal era verdade, eu não estaria com um bebê na barriga se eu tivesse notas boas e não precisa da ajuda dele.
Que, na verdade, se formos colocar na ponta do lápis, acabou por atrapalhar mais do que ajudar.
— Baekhyun, não misture as coisas. Você precisa estudar, precisa pensar no futuro dessa criança.
— Como você pensa? Você diz que vai me ajudar, que vai assumir esse filho, mas você não faz absolutamente nada para isso, Chanyeol. Não venha me cobrar coisas porque eu não te cobro teus deveres como pai do bebê. — disse bravo despejando tudo de uma vez, sentindo-me até um pouco mais leve, uma pena que isso não durou nem um minuto.
— Então tem um pai. — ouvir aquela voz fez meu corpo inteiro arrepiar, olhei para trás rezando que fosse uma alucinação, mas não, Jongin estava realmente ali.
— J-jongin-ah, o que faz aqui? — perguntei engolindo em seco enquanto ele jogava sua mala no chão e fechava a porta.
— Não vai me dar um abraço? Dizer que é bom me ver de novo? — Jongin abriu os braços para que eu fosse até ele, mas continuei parado no mesmo lugar, como se meus pés tivessem colados no chão — Tudo bem então. Quem é você? — perguntou olhando para Chanyeol com o cenho franzido, mostrando seu claro desgosto.
— Ahn, Park Chanyeol, e você? — perguntou desconfiado.
Jongin tinha saído do país a uns bons anos, normal que Chanyeol não o conhecesse, ainda mais que eu não falava do meu irmão mais velho chato. Na verdade eu nunca falava sobre nada, nunca tivemos tempo para isso, não era um namoro, por mais que na minha cabeça, no início, fosse.
— Jongin, irmão do Baekhyun. — Jongin chegou mais perto me abraçando pelos ombros, o que fez um bico se formar em meus lábios pela atitude — Então você é o pai inexistente do bebê do Baekhyun?
— Como assim inexistente? — Chanyeol perguntou confuso e Jongin soltou um riso soprado.
— Ué, na semana passada eu liguei para Baekhyun e ele me contou que estava grávido, mas disse que o bebê não tinha pai. Mas então eu cheguei aqui e ele estava lhe dizendo que não cobra responsabilidades de você, então creio que você seja o pai do bebê. — Jongin falou naturalmente aquilo, como se não fosse um assunto complexo demais para se falar naquela manhã.
Talvez fosse apenas o meu estomago que estava se revirando.
— Você disse isso a ele? Baekhyun, eu disse que assumiria o bebê! — Chanyeol falou levemente irritado enquanto me olhava desacreditado.
— Você disse muitas coisas, mas não fez nenhuma delas. — disse baixinho e sendo amparado por Jongin, que acariciava meu ombro, o que devo admitir, me trouxe um conforto maior do que eu poderia admitir naquele momento.
— Ah, eu não acredito que você esteja duvidando de mim, eu vim até aqui lhe buscar para a escola.
— Mas isso não tem nada a ver com se preocupar com o bebê. Eu queria que você se preocupasse com o futuro dele como eu me preocupo poxa.
Chanyeol suspirou alto passando a mão no rosto e eu olhei para baixo. Era horrível aquelas drogas de emoções se misturando pelo meu corpo de forma tão intensa.
Naquele momento eu só queria me enterrar em um buraco e chorar até meu corpo secar, e parece que mesmo que isso acontecesse não seria o suficiente. Eu estava emocionalmente instável, estava enjoado e até mesmo com raiva da minha vida inteira. Eu queria culpar a todos.
Queria culpar meus pais ausentes, meus irmãos idiotas e o meu péssimo professor, mas no fim das contas do que adiantaria? Isso mesmo, nada, porque a culpa continuaria pesando nos meus ombros ainda que a jogasse sobre todos. Ela pesa muito. Ela tem um peso de carne e osso e que em apenas seis meses vai ser tão real quanto eu nesta sala, presenciando uma quase discussão que eu nem posso ouvir de tão imenso em minhas lamúrias.
— Chanyeol, por favor, vai embora. — pedi por fim, não estava pronto para enfrentar nenhum dos dois naquele momento.
— Baekhyun...
— Por favor, em outro momento nós conversamos, mas não estou com cabeça para isso agora. Não queremos que eu passe m*l, então por favor. — não olhei em seu rosto, apenas indiquei a porta e fui para meu quarto.
Eu não estava mais conseguindo suportar aquilo.
Em momentos raros eu me senti honrado de ter a sorte de carregar um bebê, em outros eu só queria sumir, queria que o bebê não existisse e já o culpava por coisas que poderiam vir a acontecer no meu futuro. Eu já quero sobrecarregar um ser que ainda nem sabe da sua própria existência.
Deitei na minha cama e me cobri até a cabeça, sentindo as lágrimas quentes escorrerem pelo meu rosto. Mesmo que eu não sentisse como se estivesse chorando, elas continuavam escorrendo e escorrendo sem fim. Acho que mesmo que eu não estivesse em um buraco meu corpo ainda tinha aquela necessidade de desidratar, de lavar a minha alma, de me livrar das dores.
— Baekhyun, você quer conversar? — Jongin sentou na minha cama e acariciou minha perna.
— Eu não quero nem viver, Jongin-ah, eu não sei o que eu sinto, só sei que sinto tudo. Sabe? É tão difícil. — disse em meio as minhas lágrimas, fazendo-as escorrer ainda mais enquanto falava.
Queria poder gritar. Apenas gritar.
— Eu sei. Mas eu prometo que vou te ajudar no que precisar, papai não vai fazer nada com você. — tentou me consolar.
— Ele vai sim, eu sou o desgosto da família, sou um nada e assim que ele descobrir do bebê ele vai me jogar na rua, isso se não decidir fazer algo pior. — disse soluçando.
— Ele não faria isso.
— Minha vida acabou Jongin-ah, não tem mais o que falar, está tudo acabado, eu só quero ficar aqui pra sempre, tudo bem?! — me cobri com o edredom.
Virei para a parede, dando as costas a Jongin, eu não queria mais conversar, pensar ou qualquer outra coisa, eu não queria nem existir naquele momento.