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740 Palavras
Sem revisão Maria abriu o forno no momento que o alarme apitou avisando que estava na hora de tirar o Peru. Ela se abaixou o suficiente para tirar a ave do forno e seu traseiro encostou em alto duro e quente, suspirou e revestiu seu rosto de um sorriso meio forçado. Sabia muito bem a razão de seus maridos estarem parecendo dois coelhos aproveitando cada segundo para fode-la, não importando hora, lugar ou o que ela estava fazendo. Ambos iriam para a Espanha encontrar Mariana pois ela precisava assinar um documento importante ainda relacionado a herança que Camilo deixou para ela. Valério ia junto, mas Júlio decidiu acompanhá-lo, apesar de ter avançado muito no tratamento de sua fobia social, passar horas num avião com estranhos ainda era algo que Maria não conseguiria fazer, mas estava feliz, porque seus maridos iriam verificar se estava tudo bem com sua irmãzinha teimosa e depois de cinco anos, Maria precisava desesperadamente de notícias da irmã, já que ela a bloqueou em todas as redes sociais, só não bloqueou o seu número, mas servia de nada se ela não atendia suas ligações. "Estou cuidando da ceia." Avisou. Dificilmente Maria negava fogo para seus homens, mas ela estava ocupada e mesmo que a ceia fosse apenas para eles três, queria que tudo saísse perfeito. "Precisamos aproveitar ao máximo antes da viagem." Valério Justificou e antes de Maria lhe dar uma resposta, ele a afastou da frente do forno e tirou o peru que estava muito apetitoso. "Agora que o prato principal da ceia está pronto, vamos tirar uma folguinha." O homem disse olhando a esposa como se ela fosse um peru apetitoso. O sorriso de Maria se estendeu e ela correu para que ele não a alcançasse. "Pode correr, mas não se esconder." O advogado gritou depois de colocar o peru em cima da ilha e saiu atrás da esposa… Maria correu e buscou um quarto vazio para se esconder, mas deu de encontro com uma muralha que fazia seu coração disparar. Ele mostrou o celular, sinal de que Valério havia ligado para solicitar ajuda. "Você não vai me pegar." Maria conseguiu dar um drible em Júlio e correu para o quarto no final do corredor. Sorria feito uma boba apaixonada, mas quando olhou em volta e lembrou-se para quem havia preparado aquele quarto, seu sorriso se desfez. E a realidade daquele dia que era o seu favorito no ano a encontrou, não importa quantas ceias faça ou o quanto é feliz ao lado de seus maridos, nada estava completo e muito menos perfeito com um pedaço de seu coração faltando, Mariana. *** Mariana olhou para ele e seu coração retumbou com força. Aquilo era algo novo. Levou a mão ao peito sem entender o que estava acontecendo e porque estava acontecendo. Não era possível que seu coração estivesse reagindo ao seu sorriso. Aquilo não era possível! "Juan, aqui!" Elena chamou e Mariana a olhou como se fosse louca, porque sua namorada atual estava chamando o estranho de sorriso bonito que havia acabado de chegar a festa de Natal da sua família? Aquele estranho com cabelos negros como a noite, pele bronzeada, alto e… ela balançou a cabeça para dispersar aqueles pensamentos. Nunca havia se interessado por um homem e não era agora, quando sua sexualidade estava definida que aquilo iria mudar. Isso é falta dos beijos doces e gentis de Elena, as duas estavam sorrindo na festa mas haviam discutido algumas horas antes quando Elena atendeu ao celular de Mariana sem permissão, o grande surto aconteceu porque foi uma ligação da sua irmã Maria, para desejar Feliz Natal e dizer o quanto a amava, aquilo doeu, machucou, sentiu uma enorme vontade de pegar o telefone e falar com a irmã, dizer que também a amava e que estava morrendo de saudades, mas não poderia fazer aquilo, pois seria validar aquela relação estranha e anormal que a irmã estava tendo há cinco anos com os enteados, filhos do seu falecido marido, o homem que Mariana amava como se fosse um pai, dormir com os filhos dele era uma traição sem igual e não iria perdoar a irmã por desrespeitar a memória do homem que salvou suas vidas. Agora, estava ali, confusa, irritada e deixando sensações idiotas e sem sentido tomarem conta de si. Elena arrastou o homem de sorriso bonito que fazia Mariana se sentir incomodada. "Amor, esse é o meu irmão mais velho, Juan Díaz…"
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