sem revisão
Mariana ficou de longe observando a interação da namorada com a família e parentes. Aquela festa estava se prolongando demais e se sentia exausta. Talvez seja por não estar acostumada com aquele tipo de evento familiar. Era um evento que estava acostumada a comemorar só entre a família desde que sua irmã e ela foram morar com Camilo. Lembrar do pai a deixou deprimida. A época de natal era a favorita dele, apesar de não ser a sua favorita e Maria e Mariana passaram a comemorar o natal por causa de Camilo, que adorava se vestir de Papai Noel para entregar os presentes das irmãs. Apesar de que nenhuma das duas acreditava no bom velhinho, nem mesmo Mariana que ainda era uma criança quando foi morar com o pai postiço, mas Camilo adorava aquela data e como os filhos estavam morando fora do país, ele queria que elas tivessem o natal perfeito. Maria conversou com Mariana na época, pedindo para ela fingir que acreditava no Papai Noel, na época, Mariana não entendia o porque mas depois entendeu, a felicidade no rosto do pai Camilo era incrível. O seu pai de verdade sempre dizia-lhe que queria seu pequeno presente. Ela tremia sempre que aquele homem asqueroso fazia menção de usá-la como fazia com a sua irmã. Mariana sentiu uma pontada de culpa. Por anos Maria se submeteu aos abusos do pai para que ela, Mariana, não passasse pelo mesmo. Sua irmã a protegeu quando ainda era uma menina. Sempre que fechava os olhos para dormir, conseguia ouvir o choro da sua irmã depois que o pai saia do quarto. Era um choro baixinho, silencioso. Doloroso. Ela também chorava, era tão nova mas entendia que o pai era mau e que se ele não machucasse a irmã, ela seria a pessoa a ser machucada. Sempre que lembrava de tudo pelo que a irmã passou por sua causa, Mariana sentia a culpa a corroer por estar sem falar com ela há cinco anos. Tudo porque não consegue aceitar o seu relacionamento com os irmãos postiços. E Como poderia fazê-lo se eles a transformaram no seu depósito particular de esp*rma? Não conseguia deixar de pensar que os irmãos se aproveitaram da fragilidade da irmã e o pior é que Maria não conseguia enxergar isso. Ela se acostumou a ser o brinquedo particular dos gêmeos. Há cinco anos ela espera a irmã ligar e dizer que estava certa e que os gêmeos são dois aproveitadores. Que ela precisa de ajuda para se libertar deles. Mas depois de cinco anos parece que a irmã está ainda mais cega em relação a eles.
"Porque está isolada, niña?"
Mariana tomou um susto com Juan aparecendo atrás de si. Ela odiava homens com todas as suas forças, salvo Camilo, é claro. Mesmo que o homem em questão seja seu cunhado, se sentiu incomodada com o fato dele ter aparecido de surpresa ao seu lado.
"Não gosto de pessoas." Mariana respondeu indiferente apesar de que por dentro, seu coração estava batendo mais rápido que o normal.
Ela não gostava daquela sensação e por isso precisava se afastar dele rapidamente.
"Vou procurar a Elena." Mentiu para o cunhado, a intenção era sair de fininho e ir para o seu apartamento passar o restante daquela noite sozinha.
"Ela está no jardim." Ele disse.
Mariana respirou fundo, então seguiu para o jardim para encontrar a namorada e dizer que estava indo. As duas ainda tinham muito o que conversar e que aquilo precisava ser feito com urgência. Ela gostava de Ivana e não queria terminar por besteira. Mariana saiu à procura da namorada no jardim, mas a encontrou, depois de um tempo chegou a conclusão de que o cunhado lhe pregou uma peça, naquele momento também recebeu a notificação de uma nova mensagem no aplicativo. Era uma mensagem de Maria.
"Feliz Natal, irmãzinha. Espero que esteja se cuidando, te amo."
Desde que rompeu com a irmã, durante esses cinco anos esperava ansiosa por aquelas mensagens apesar de nunca respondê-las.
Ela escutou o som de risadas, seguiu o som até ir para o fundo do jardim onde havia um pequeno coreto e Ivana estava sentada de pernas abertas com a…
Mariana ficou rígida ao sentir o seu corpo ser levado de encontro a um peito forte e largo.
"Você não precisa ver isso em pleno Natal." Reconheceu a voz de Juan. "Vamos, te levo para casa." Ele disse chateado pela irmã estar agindo como uma cretina com a namorada na véspera de Natal.
Entretanto, a reação de Mariana foi empurrar Juan e se afastar, o fato dele tê-la abraçado foi mais aterrador do que vê sua namorada sendo ch*pada por outra mulher. Ela odiava os homens, odiava com todas as suas forças. Não importa se eles fossem bons ou não, todos eles sempre lembravam aquele maldito que destruiu sua vida e a vida da irmã.
Ela olhou para Juan, sabia que aquela seria a última vez que o veria porque a partir daquela noite, Mariana não tinha mais uma namorada. Não poderia dizer que foi um prazer conhecê-lo, nunca era bom conhecer um homem pois a maioria sempre achava que poderia curar a sua sexualidade se ela abrisse as pernas para eles. Apesar de que o homem à sua frente parece realmente preocupado com ela.
"Não precisa, eu vou sozinha." Mariana disse recusando a proposta de levá-la para casa. Ela precisava ficar sozinha, respirar um pouco e se recompor. Não quer saber o porquê Ivana a traiu na noite de Natal no jardim da casa de seus pais, ela sabe o porquê a namorada fez isso, para chamar sua atenção. Uma das coisas que a garota jogou na sua cara na discussão que tiveram mais cedo foi que Mariana parecia não se importar com ela, com a relação delas, com nada além de si mesma. E ela sabia que era verdade, mas nunca admitiria aquilo. Infelizmente, Elena decidiu puni-la ficando com outra, não é como se aquela atitude não fosse ter consequências. Toda a ação gera uma reação.
"Apenas diga a sua irmã que não precisa voltar para casa. Porque sua entrada no prédio vai ser impedida. Suas coisas vou deixar na portaria. Bom, é isso. Vou me despedir dos seus pais, feliz natal." Mariana disse indiferente e de fato, apesar do golpe que sofreu, era assim que se sentia. Provavelmente estava anestesiada pelo chifre.
"Não acho uma boa ideia deixá-la ir sozinha. Você pode está tentando parecer forte mas…" Juan foi interrompido pelos gritos da irmã chegando ao org*smo.
"Bom, eu tenho que ir." Mariana aproveitou a deixa para sair do jardim e caminhar até a casa principal para pegar seu casaco, se despedir dos ex-sogros e ir para casa abrir uma garrafa de vinho e beber enquanto assiste algum especial de natal. Era tão patética. Foi para a festa de Natal na casa dos sogros porque não queria passar outro Natal sozinha e vai ser exatamente assim que vai acabar a noite, sozinha.
***
Maria sorria com a performance dos maridos cantando "Então é natal", Júlio e Valério estavam de moletom, cada um de uma cor, verde (Júlio) e vermelho (Valério) com uma rena bordada com chapéu do papai Noel escrito feliz natal. Eles mandaram fazer três, sendo o que deram para Maria era vermelho e verde, com a mesma estampa para o desespero dela.
"Então é natal…" eles concluíram a canção juntos e com um sorriso no rosto se ajoelharam diante da esposa e disseram "Eu te amo" ao mesmo tempo.
Maria que estava se divertindo por eles estarem se esforçando muito para tornar aquele Natal melhor do que no ano anterior e ainda fazê-la esquecer um pouco a saudade da irmã caçula que aperta demais o peito, sorriu, emocionada.
"Eu amo muito vocês." Ela disse ao levantar e depois se ajoelhar junto deles para um abraço conjunto.
"Ama ao ponto de repensar sobre o nosso pedido de natal?" Júlio aproveitou aquele momento em que Maria estava amolecida pela performance natalina deles.
"Não" Maria não pensou duas vezes antes de responder porque sabia exatamente do que eles estavam falando. Eles querem ser pais. Querem muito um filho e passaram o último ano falando sobre, mesmo que ela tenha dito que não quer ser mãe diversas vezes.
"Por favor, não estraguem nossa noite perfeita." Ela pediu, pois realmente não queria falar sobre o assunto.
"Por favor, não estamos ficando mais novos." Valério retrucou.
Pronto! Eles haviam conseguido estragar o natal! Maria pensou ao se afastar e levantar.
"Estou com dor de cabeça, vou dormir, por favor, guardem tudo na geladeira." Ela pediu.
Era nesses momentos que Maria sentia falta da irmã e de Sirius. Eles a entendiam. No quarto, antes de se ajeitar para tentar dormir, Maria pegou o celular e começou a digitar uma mensagem para a irmã.
"Os rapazes querem ser pais e insistem nisso mesmo eu dizendo que não quero ser mãe. Se eles ao menos entendessem que não vou ser uma boa mãe e que tudo o que estou fazendo é evitar cometer os mesmos. Eu sei que você não vai responder, e está tudo bem, só precisava desabafar mesmo. Mais uma vez, feliz natal. Te amo." E ela enviou o desabafo para a irmã, logo em seguida completou.
"Sinto sua falta".
Desligou a luz e se deitou, tinha muita coisa para arrumar no andar de baixo e sabia que os rapazes demorariam um pouco para subir. Era melhor assim, esperava que eles refletissem que não é a pressionando que eles vão conseguir fazê-la mudar de ideia.
Ela escutou o som de notificação, Maria pegou o celular e quase tomou um susto quando viu que a irmã havia respondido suas mensagens.
"Nunca mais se compare com aquela chocadeira. Você será uma mãe maravilhosa, eu também sinto a sua falta. Te amo."
Maria levou a mão à boca e começou a chorar, depois de cinco anos sua irmãzinha finalmente lhe respondeu…
Lembrando que preciso assinar o contrato para poder atualizar o livro diariamente e ainda não assinei.