3

2496 Palavras
sem revisão Mariana segurava o celular com força depois de ter respondido a irmã. Não conseguia dormir. A imagem de Ivana no jardim não saía da sua cabeça. "O que eu fiz?" Perguntou-se como se tivesse acabado de cometer um p*ta erro. "Merda!" Ela gritou. Provavelmente suas emoções afloradas devido a traição de Elena a deixou vulnerável ao ponto de ceder ao impulso de falar com a irmã. Mari sentia que perdeu completamente o juízo. Aquilo não era bom. Seu celular voltou a tocar e xingou, controlando o impulso de jogar o aparelho contra a parede. Mesmo que tivesse condições de arcar com aquele prejuízo, não valia a pena fazê-lo. Tudo o que Elena merecia era indiferença. Mesmo nos seus piores momentos com a namorada, Mariana não cogitou trai-la. Sentia que o carma da sua vida era ser traída pelas pessoas que amava. Bom, ela amava a irmã e os irmãos, Elena era apenas alguém que tinha carinho e gostava, mas isso não fazia com que sua traição doesse menos. Olhou ao redor, para o seu apartamento limpo e perfeitamente arrumado, sempre foi uma mulher metódica. Odiava bagunça. Gostava de tudo no seu devido lugar, como a boa virginiana que era. Era madrugada, estava sem sono. Havia acabado de fazer faxina. Respirou fundo mais uma vez e decidiu não se arrepender de ter respondido a mensagem da irmã. Não poderia ficar em silêncio vendo Maria se comparar com a mulher que as abandonou à própria sorte. Sentou no sofá com o celular em mãos. Pensando se mandava outra mensagem contando o que aconteceu com Ivana e o quanto aquilo a chateou. Sua irmã sempre fazia ela se sentir melhor quando se tratava de decepções amorosas. Depois de tanto pensar, decidiu que não iria mandar uma mensagem, contudo, desejou que fosse Maria a mandar mensagem. Mariana poderia ligar, dizer o quanto sentia falta da única família que lhe restava, da única mãe/irmã que teve. Porque ela teve que se envolver com aqueles dois patifes? Porque Maria insistia naquela relação anti-natural? Não, Mari balançou a cabeça e descartou aquele último pensamento. Não tinha o direito de ser hipócrita em pensar no relacionamento bígamo da irmã como antinatural, quando a sociedade via os seus relacionamentos do mesmo jeito. Decidiu colocar sua playlist de sons da natureza e tentar dormir… Mariana acordou com o interfone apitando, sua cabeça doía, odiava ser acordada no susto. Mari levantou, indo ver quem era pela câmera. Poderia dizer que ficou surpresa, furiosa, chocada, mas não ficou. Ivana iria aparecer em algum momento para tentar contornar a situação, mas bem que ela podia aparecer um pouco mais tarde. Não às… viu a hora no seu smartwatch. Duas da tarde! céus! Ela havia dormido demais. Balançou a cabeça e olhou para o visor onde estava a Elena, ela havia mandado mensagem no dia anterior dizendo que não era o que estava parecendo, como se chupar outra no jardim da sua família fosse apenas uma besteirinha de leve. Ela respirou fundo, estava morrendo de sono e sem condições de lidar com a ex, faria isso quando estivesse pronta para isso, já havia até mudado as chaves do apartamento. Teve sorte que a cópia da chave do prédio estava na sua bolsa naquela noite, por isso Elena não poderia entrar no prédio e montar guarda na frente do seu apartamento. Tudo aquilo era muito difícil, mas não ao ponto dela sofrer e ficar deitada na cama chorando por ter sido traída. Às vezes, Mari se perguntava porque era daquele jeito, contudo, a resposta era clara. Sua infância traumática ouvindo a irmã sendo ab*sada para que ela não fosse a vítima do abuso a fez se tornar uma pessoa fria que não confiava nas pessoas e muito menos abria espaço para elas. Faz alguns anos que cometeu aquele erro, contudo, sequer conseguia sentir remorso pelo que fez. Tudo o que sentia era alívio. Desligou o interfone, decidiu tomar um banho, comer algo e depois começar a trabalhar… Mariana não conseguia tirar a irmã da cabeça, estava ansiosa para saber em que pé andava aquela história de paternidade com os dois patetas. Estava tentando não ceder a vontade de pegar um voo para o Brasil e colocar os dois marmanjos no seu devido lugar. Porém, ela não poderia fazê-lo. A irmã tomou a decisão de ter um relacionamento com dois homens, eles estavam a cinco anos vivendo aquela relação e por mais que sinta a necessidade de proteger a irmã, foi a vida que ela escolheu e teria que aprender a lidar com essa escolha. Mas ainda assim, decidiu focar em outra coisa, porém, Maria é um assunto que sempre a deixava preocupada, o grande problema de Mari é ser orgulhosa demais para dar o braço a torcer e perguntar. Como respondeu a mensagem da irmã, decidiu que tinha o direito de perguntar. Esperava que a resposta fosse positiva. "Ainda está lidando com a fobia social?" Mariana enviou a mensagem, logo se arrependeu, porém, segurou-se para não apagar. O celular apitou, era uma notificação avisando que uma nova mensagem havia chegado. Sorriu, aliviada quando leu a resposta da irmã. "Sim, mas já consigo ficar em um espaço com outras pessoas sem ter um ataque de pânico. Como você está?" A pergunta final fez o sorriso de Mari se dissolver. Era o que vinha se perguntando desde aquela noite. "Elena me traiu." Foi a mensagem que enviou. Era mais fácil falar da traição do que mentir sobre estar bem, a pandemia e romper com a irmã na mesma época que rompeu com Frida, que era sua melhor amiga mas deixou de ser quando a relação chegou ao fim, não por ela, mas por Frida que depois conheceu outra pessoa, acabou se afastando. Tudo indicava que a agora esposa, que na época era namorada, não gostava que a companheira mantivesse amizade com a ex. Era triste, porém, verdade. Assim como era verdade o fato de não ter amigos verdadeiros, apenas companhias de farra. Sua única amiga a deixou por amor. Apesar de gostar de Ivana, não conseguia vê-la como amiga. Agora colegas? Isso Mariana tinha de sobra, pois enquanto esperava a mensagem da irmã, recebeu uma de Paulina, avisando que estava marcando com o grupo em ir a noite em um pub novo, o que Mariana estava louca para conhecer. Mari podia ser m*l humorada, não ter amigos e já ter passado da fase de está em qualquer lugar com música alta e abarrotado de gente, mas tem uma coisa que ela não recusa, pubs, karaokes e bares, boates ela passou a evitar, esses listados são seu ponto fraco. E se era o pub que ela queria muito conhecer, então não havia razão para recusar o convite. Conseguiria enviar o plano do projeto a tempo de ir encontrar os colegas à noite. Mariana trabalhava numa empresa de marketing, sua carga horária poderia ser feita em casa ou no escritório, ela alternava entre trabalhar em home office e na empresa. Seu chefe só exigia sua presença nas reuniões importantes e quando era um projeto muito importante que exigia sua presença integral na empresa. "Ok, manda o horário que encontrarei vocês lá." Mari respondeu. Não havia razão para recusar o convite. Ia ser bom para relaxar depois de um dia puxado de trabalho. Mari sorriu ao ver que a irmã respondeu a sua mensagem. "Como está lidando com isso?" Aquela pergunta Mariana conseguia responder com sinceridade. "Só o que me irrita é a traição, no resto, estou indiferente. Às vezes penso que deveria me importar um pouco mais com a situação, mas lembro que não vale a pena. Então, estou ligando muito bem com isso depois do choque de vê-la Ch*Pando outra." Era verdade. Depois do choque, tudo o que restou foi indiferença. Mariana viveu sua vida normalmente após o episódio, como se Ivana nunca tivesse feito parte da sua vida. "Porque você não a amava, mas um dia vai encontrar alguém que vai ser capaz de fazê-la sentir todos os tipos de emoção e espero que seja logo." "Bate na madeira!" Foi a resposta de Mariana e ela decidiu dar o troco. "Também espero que logo você fique prenha de gêmeos." "Ain, não brinca com isso." Maria respondeu rápido. Mariana aproveitou a brecha para saber em que pé estava aquela situação. "Ainda estão te pressionando sobre isso?" Perguntou. "Eles estão chateados, mas disseram que não podem me obrigar a nada." Foi a resposta da irmã. Mariana sentiu um certo alívio agora que estava voltando a falar com a irmã apesar de ainda não conseguir aceitar aquela relação estranha entre ela e os filhos do pai Camilo. Ainda sentia que era uma traição contra a memória dele, chegou até a pensar que os três tinham um caso antes do COVID tirá-lo de suas vidas de forma tão repentina e avassaladora, mas sempre descartava aquele pensamento, porque sabia o quanto a irmã era leal ao marido. Tão leal que estava "casada" com os dois filhos dele. "Podemos conversar por vídeo chamada?" Maria perguntou. Mari pensou muito antes de responder. Não confiava em si mesma e temia ser rude com a irmã, Mariana não queria ser indelicada. "Ainda não." Foi sincera. "Ok" Maria respondeu rapidamente. Mariana mandou uma mensagem para a irmã pedindo que ela ficasse bem, e que não fizesse nada por pressão dos maridos. Ela era uma mulher adulta e se não queria ter filhos, eles precisavam respeitar isso… Maria deixou o celular de lado depois que Mariana recusou a falar por vídeo chamada. Não iria pressionar a irmã. Já era um grande avanço depois de cinco anos sem dar sinal de vida, ela responder suas mensagens. Ainda assim, estava feliz pelo pouco que a irmãzinha estava lhe oferecendo. Teve que ser muito paciente, mas finalmente elas estavam retomando a relação. Só precisava ser paciente. Assim como estava sendo ao plantar aquelas mudas de suculentas. Ela vestia um vestido simples floral, velhinho. Não iria mexer no jardim naquela manhã, mas como Júlio chegou com as mudas. Decidiu cuidar delas. Desde que se mudaram, cinco anos atrás, logo após tudo o que aconteceu na época. Era difícil demais para ela permanecer no lugar onde não se sentia mais segura. Sorriu com certo alívio pela irmã não ter passado por aquilo junto com eles. "Suco?" Júlio, vestido de terno, pronto para ir trabalhar perguntou. Era suco de acerola. "Sim, obrigada." Ela deu uma pausa, deixou a pequena pá de lado, foi rapidamente até a torneira do jardim, lavou as mãos e voltou até onde o marido estava. Sorriu desconfiada. Ele e Valério estavam muito prestativos desde a última grande discussão que tiveram. Ela pegou o copo, o suco estava bem gelado e era da aceroleira do seu quintal. Uma das razões de ter escolhido aquela casa foi as árvores frutíferas do imenso quintal. Custava uma pequena fortuna para fazer a manutenção dele, mas valia cada centavo. "Você não está atrasado?" Perguntou ao marido. Júlio, que a olhava sedento, apenas assentiu. Ele adorava o cheiro de terra, planta e suor dela. Ficava duro assim que o cheiro chegava a sua narinas. Não era sua intenção fazer nada além de mantê-la hidratada. Com aquela ereção que só iria ceder depois de possuí-la ali mesmo. Ela bebia o suco, pensando onde iria colocar a suculenta. Gritou, derramando suco em si mesma e em Júlio quando foi puxada contra o corpo forte e grande dele. A ereção potente pressionada contra a sua barriga. "Negativo, você tem que trabalhar." Ela recusou. Sem mencionar que estava breenta ( melada de suor), cheirando a mato e terra. Seus maridos eram estranhos. Enquanto Valério ficava louco quando ela saia do banho, limpa e perfumada, Júlio ficava doido quando ela estava suada e cheirando a terra. "Estou atrasado mesmo, o que são mais alguns minutos na conta?" Disse apertando com força seu delicioso traseiro. "Júlio, estou suja!" Maria o empurrou. "E eu estou duro" pressionou ainda mais a ereção contra ela. Maria deve muita força de vontade para reprimir um gemido. O fetiche peculiar do marido também a excitava. Adorava o fato dele a desejar de qualquer jeito. Ele pegou o copo de sua mão e colocou no chão. Os dois começaram a se beijar como dois animais no cio, Júlio estava cheio de t***o, ele iria possuí-la ali mesmo, no chão. Não seria a primeira vez e com certeza não seria a última. Ele se meteu entre suas pernas e a beijou, seu corpo em cima do dela. Se tocavam e beijavam ensandecidos, dominados por uma paixão avassaladora e ardente que com o passar dos anos só aumentou. Em questão de segundos a calcinha de Maria foi parar em cima de uma roseira. Júlio, sem se importar em estragar seu terno caro, se virou de modo a ficar de costas no chão e a esposa em cima dele. Maria, com um sorriso safado ajeitou a ereção do marido em sua entrada e desceu lentamente, aproveitando a sensação de se tornarem um só. Faltava só o Valério, ela pensou. Maria segurou os s***s e começou a cavalgar o marido. Júlio estava fascinado com a visão da sua mulher o montando, tendo como fundo o céu azul e límpido e o jardim que os cercava. Maria era perfeita, linda e sexy. Ele estava encantado, sempre ficava, era incrível como sua esposa conseguia afetá-lo com tanta intensidade ao ponto de fazê-lo atrasar no trabalho. Ela inclinou o corpo para trás, apoiando suas mãos nas coxas torneadas de Julio. Ele começou a impulsionar o quadril de encontro aos dela, provocando um choque de sensações. Não demorou para os dois explodirem em um prazer intenso que percorreu todo o seu corpo até o seu baixo ventre. Maria e Júlio gemeram alto, sem se incomodar se os vizinhos poderiam ouvi-los ou não. "Você não tem tempo para curtir isso, pode levantar, tomar outro banho, colocar um terno limpo e ir trabalhar, agora!" Maria ordenou ao levantar e deixar o marido deitado com o p*u semi ereto exposto. Ele nem se deu ao trabalho de abaixar as calças, apenas abriu a braguilha. Julio levantou-se, agarrando a esposa novamente. "Acho que ambos precisamos de um banho." Ele ainda não estava satisfeito, precisava de um pouco mais de tempo com a esposa. "O que eu faço com você?" Maria perguntou com um sorriso bobo. "Bom, meu irmão e eu não parecíamos dois animais no cio se tivéssemos um..." "Ok, pode tomar banho sozinho." Maria conseguiu se desvencilhar de Júlio, colocando uma certa distância entre eles. No primeiro ano da relação quando falaram sobre filhos e Maria explicou sua preocupação e seu medo, eles entenderam, mas parece que agora que estavam perto dos 40, a necessidade de ser pai parece que os atingiu com força, mesmo que sua opinião em ser mãe não tenha mudado e que seus medos e anseios ainda sejam os mesmos, eles não estão conseguindo ser tão compreensivos como há quatro anos e para Maria, isso era um grandíssimo problema...
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR