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965 Palavras
A noite caiu sobre Mosqueiro trazendo o cheiro de chuva iminente e o som rítmico do rio batendo no deck, um lamento constante que parecia acompanhar o estado de espírito de quem habitava aquela casa. Dentro da suíte principal, o mundo exterior parecia não existir. Júlio e Valério haviam chegado com o peso de Belém nos ombros, mas bastava um olhar para Maria para que a armadura de homens de ternos implacáveis caísse. Eles eram homens de poder, mas diante dela, a autoridade se transformava em uma devoção quase religiosa. A esposa era o centro da vida deles, viviam e respiravam por ela. Eles a cercavam como predadores que haviam jurado proteger a presa em vez de devorá-la. Valério estava sentado na poltrona de couro, observando-a com aquela intensidade analítica que lhe era peculiar, enquanto Júlio estava atrás dela, desfazendo o nó do seu cabelo com uma paciência infinita. Eles sentiam que algo havia mudado no ar; m*l sabiam que a conversa que ela tivera com Mariana durante o dia ainda flutuava em reflexo nos olhos marejados da esposa. — Você está aérea hoje, meu amor — Júlio sussurrou, afastando as mechas de cabelo para beijar o topo da cabeça dela. — A Mariana te deu muito trabalho? — Não... — Maria sorriu fraco, recostando o corpo no peito dele. — Só conversamos. Coisas de irmãs. Valério inclinou-se para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. Seus olhos escuros eram como scanners, lendo cada hesitação dela. Ele estendeu a mão e acariciou o rosto de Maria, o polegar traçando a linha de sua mandíbula com uma possessividade gentil. — Esta casa é muito grande para ficar em silêncio, Maria — ele disse, a voz grave e aveludada. — Estivemos conversando no caminho de volta. Com a Mari aqui, parece que as peças estão finalmente no lugar. Seria o momento perfeito para trazermos uma vida nova para cá. Um bebê iluminaria seus dias, daria um novo sentido para tudo isso. Maria sentiu um aperto no peito. O medo de ser como a mãe — a mulher que as abandonou no inferno — gritou dentro dela. As palavras de Mariana sobre "sangue r**m" ainda latejavam. — O mundo está tão complicado agora... — ela começou, tentando desconversar. — Talvez não seja a hora de pensar em algo tão definitivo. — Um filho não substituiria o Sirius, Maria — Júlio insistiu, as mãos agora descendo para os ombros dela, massageando-os com uma firmeza que era ao mesmo tempo relaxante e impositiva. — Imagine um pequeno com os seus olhos correndo por aqui. Nós daríamos a essa criança tudo o que não tivemos. Proteção absoluta. A pressão era doce, mas Maria precisava de uma saída. Precisava silenciar aquelas vozes que pediam um futuro que ela ainda temia enfrentar. Ela precisava distraí-los com a única coisa que sabia que os desarmaria completamente: ela mesma. Maria se virou nos braços de Júlio, olhando de um para o outro. Sabia que, além da paternidade, o que mais os movia era a necessidade visceral de possuí-la. — Chega de falar de futuro — Maria murmurou, a voz tornando-se mais densa. — Eu não quero falar de amanhã. Eu quero o agora. Ela se levantou e caminhou até Valério, sentando-se em seu colo com as pernas contornando o corpo dele, uma audácia que sempre os pegava de surpresa. Começou a desfazer os botões da camisa dele, sentindo o calor da pele. — Estão com tanta energia para planejar bebês... por que não usam essa energia comigo agora? O clima mudou em um batimento cardíaco. A retórica foi substituída por uma tensão elétrica. Valério segurou o rosto de Maria, os olhos brilhando com uma fome que ele raramente deixava transparecer. — Você sabe exatamente como nos desarmar, Maria — Valério disse, a voz vibrando contra a pele dela. Enquanto a boca de Valério a explorava com uma urgência controlada, Maria sentiu as mãos de Júlio subirem por baixo do tecido de seu vestido, subindo pelas suas coxas com uma possessividade ardente. O contraste era inebriante: a firmeza de Valério à sua frente, servindo de apoio e âncora, e o calor de Júlio às suas costas, cercando-a com beijos vorazes que desciam de sua nuca até o ombro descoberto. Júlio desceu o zíper do vestido com precisão, e o tecido deslizou, revelando-a à luz suave. Valério a admirou por um segundo — um olhar de adoração pura — antes de puxá-la para mais perto. As mãos de Maria se perderam nos cabelos dos dois, guiando-os, enquanto os gêmeos trabalhavam em uma sincronia absoluta, como se fossem extensões um do outro. Não havia pressa, mas havia uma necessidade desesperada. Valério a deitou sobre a seda da cama com uma reverência quase religiosa, enquanto Júlio se livrava do resto de suas roupas, o corpo atlético e tenso pelo desejo. Maria sentiu-se o centro de um universo particular onde cada centímetro de sua pele era mapeado por bocas e mãos que a conheciam melhor do que ela mesma. Era uma dança de três. Valério a dominava com a intensidade de seus olhos e o toque firme em sua cintura, enquanto Júlio a elevava ao ápice com carícias que alternavam entre a doçura e a luxúria. Maria arqueava o corpo, a respiração curta, sentindo o peso e o calor dos dois homens que a amavam de uma forma que o resto do mundo jamais entenderia. No clímax daquela entrega, os nomes deles se perdiam em gemidos baixos. Maria sentia-se preenchida por uma devoção que chegava a doer. Sob o comando deles, ela conseguiu abafar os gritos do passado. Naquela noite, ela não era a filha de uma mulher que fugiu; ela era a rainha de dois homens que moveriam o mundo para mantê-la exatamente ali: segura, amada e completamente deles.
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