O sol já ia alto quando a porta do quarto de Mariana finalmente se abriu. Maria saiu primeiro, com o semblante exausto, mas os olhos carregados de uma determinação mansa. Ela encontrou Júlio e Valério no corredor, como duas estátuas de vigília. Antes que eles pudessem articular qualquer palavra, Maria colocou um dedo sobre os lábios, pedindo silêncio. — Ela está se vestindo — sussurrou. — Não digam nada sobre o que aconteceu. Não perguntem. Hoje, o mundo lá fora não existe. Júlio trocou um olhar com Valério. O diretor de banco e o advogado renomado, homens cujas agendas em Belém eram ditadas por prazos inadiáveis, tomaram uma decisão silenciosa. — Não vamos para o escritório hoje — Valério declarou. — Vamos ficar. — Que esperem — Júlio completou, aproximando-se para beijar a testa

