O sol de Mosqueiro começava a declinar, pintando a Baía do Sol com tons de cobre e ouro. As duas irmãs permaneciam sentadas onde a água do rio encontrava a areia, um refúgio que parecia blindado contra o resto do mundo. Mariana, com o olhar perdido no horizonte, sentiu que o silêncio daquela tarde era o único lugar seguro o suficiente para desenterrar o que a estava sufocando. — Maria... — Mariana começou, a voz quase sumindo no barulho das pequenas ondas. — Eu estou confusa. Mais do que eu jamais estive na vida. Maria inclinou a cabeça, ouvindo com a alma. — Eu nunca duvidei de quem eu sou — continuou Mariana, os dedos desenhando sulcos na areia úmida. — Nunca senti nada por homem nenhum. Para mim, o gênero masculino sempre foi sinônimo de asco, de horror. Mas o Juan... — ela hesito

