O silêncio que se seguiu às palavras de Maria era denso, carregado com o peso de décadas de segredos e dores compartilhadas que pareciam flutuar no ar úmido de Mosqueiro. Mariana sentia a cabeça latejar. A bissexualidade de Júlio, a revelação da própria virgindade física e a ferida aberta daquelas noites no barraco formavam um redemoinho que ela não conseguia mais conter dentro do peito. — Maria... — Mariana começou, a voz baixa, sem conseguir olhar para a irmã. — Eu preciso que você vá. Eu preciso ficar sozinha aqui. Só por um tempo. Maria hesitou, mas entendeu que a cura exige isolamento. Com um aperto suave de mão e um beijo no topo da cabeça da irmã, Maria se levantou e caminhou em direção à casa. Quando ficou finalmente a sós, Mariana abraçou os joelhos. Ela precisava processar

