Lana Trabalhava das seis da manhã até ao anoitecer,numa tecelagem de segunda a sábado e nos domingos cuidava dos seus parcos pertences e de sua pequena joia,os dias eram duros e o trabalho pesado como Lana não estava acostumada,sentia-se cansada de mais,quase não tinha ânimo para manter uma conversa civilizada na hora do jantar na pequena pensão para moças e decentes viúvas.
Suas ocupantes eram uma pequena família de desafortunadas,era ela e mais quatro jovens,Lilly uma florista,Meg vendia doces,Charlotte trabalhava como auxiliar de uma modista,Genoveva que trabalhava numa confeitaria e estava noiva com um guarda livros,que por coincidência era um dos secretários da embarcações Wessex, todas inclusive a própria Lana via na viúva dona da pensão uma figura maternal,a mulher era bonita ainda,tinha seus quarenta anos,alguns fios de cabelos brancos quase imperceptíveis misturavam-se aos cabelos loiros,os doces olhos de um azul que lembrava um céu sem nuvens,era ainda esguia.
Lilly tinha um ar comum,e muito simpático;Meg era mais redondinha e muito bondosa,Charlotte com seus belos olhos castanhos era a mais alegre do grupo e a mais sonhadora,tinha grandes sonhos e expectativas para o futuro,no momento dançava em meio a sala com um par imaginário,fazendo todas rirem apesar do cansaço do dia.
Terminou de rodopiar fez uma mesura,ao seu par invisível,imitando uma dama diante de um Lord
---...Um dia serei a modista mais famosa de...Bem de algum lugar e os meus vestido serão os mais cotados da sociedade desse lugar!---Falou sentando-se vendo o futuro brilhante de suas crisções reluzindo nos bailes da moda.
---Esse lugar não tem nome Charlotte?---Meg perguntou provocando a amiga---Eu me contentaria em não ter que arriscar meu pescoço pelas ruas vendendo os doces da padaria do velho Edmund.---Bocejou---Meninas,vou dormir e vocês também deveriam fazer o mesmo,boa noite.
Genoveva por ter a idade mais próxima a de Lana,e considerada já velha para um primeiro casamento era a mais próxima.Todas foram dormir,exceto as duas.
---Ai,Lana meu casamento será a próxima semana,e recebi uma carta de emprego,mas não posso aceitar,pensei em você,Tome,tirou do bolso uma carta,é a duas horas daqui,numa daquelas mansões perto da região dos lagos,e se me permite você deveria tentar,os ares daqui,não estão te fazendo bem
A jovem olhou para a amiga uns cinco quilos mais magra de quando chegou na pensão e olheiras ao redor dos olhos,indicavam um estado de exaustão----A entrevista é amanhã de tarde no domingo,então da para você ir e se não der certo não vai atrapalhar onde você trabalha.
No dia seguinte Lana esperançosa foi num tilbre de aluguel,a mansão era magnifica,depois de uma curva ladeada de arvores tendo um belo e pacifico lago na lateral,parecia um sonho de tão linda,como indicava na carta procurou a porta dos fundos,uma mulher de cara fechada a recebeu a levou através de uma ampla cozinha para uma sala contígua,a sala da governanta.
A mulher que não sorrira depois de algumas perguntas sobre limpeza(Aprendera as práticas com as meninas e a própria Isabel que fora governanta antes de casar,dera-lhe dicas preciosas caso precisa-se na entrevista)A levara até o escritório do administrador,que fora bem mais acessível.
---Senhora New Hause,poderia dormir no alojamento das criadas solteiras,mas já que tem família,me permita indicar onde tem uma casa.
A casa na verdade era uma cabana de telhado de sopé e um cômodo só,tinha a porta e uma janela lateral,o chão era batido,mas as paredes tinham sido caiadas,atrás tinha um poço e na frente um descuidado jardim,era perfeito para um lar,ar puro,nada das ruas fétidas e perigosas da capital
Não era na cidade mas tampouco era mato fechado ficava próximo a estrada principal, quinze minutos a pé para a cidade e se tomasse o rumo contrário em vinte estava em seu novo emprego,chamaria Meg para morar com ela pagaria a ela para olhar a sua pequena Joia,ganharia o mesmo da fábrica e só trabalharia um turno,o inicio da madrugada até a hora do café até as cinco da tarde.
VALE DRUÍDA
----Rana esta louca?Interferir dessa forma na vida dos humanos e se os anciões descobrem?
---Só se você contar irmanzinha...---Rana sorriu se balançando num balanço de flores
---Por você.veja o que fiz---Rana falou sentindo-se culpada,estendeu um delicado frasco de cristal com um liquido âmbar dentro--- Sinto pela jovem,mas ela tem uma chance
---Óleo de amor?Não a salvei para que morra de forma ...---Parou de se balançar,ficando em frente a irmã de um salto! Entendendo o que sua irmã fez a humana.
---Ela não morrerá,mas é necessário,não quero perder mais uma irmã---Defendeu-se Runa,enfrentando os olhos verde que ficavam mais escuros com a raiva.
Rana levantou o frasco para a luz do sol
---Esses Jasmins foram...
---Sim colhidos com a foice de ouro dos jardins do Grande Carvalho---Rana suspirou
O òleo de amor era uma poderosa porção sua fragrância tirava todos os rastros de magia,mesmo que elas continuassem existindo num humano,era usado apenas em mestiços(quando paixões incoerentes entre os seres magicos e os humanos aconteciam)E não queriam que ocorresse do grande conselho descobrir.
Mas se usado em um humano,alguns efeitos colaterais passariam a existir,só o beijo de um amor romântico puro e leal para selar o encantamento e protege-lo para sempre,porém se não ocorresse seria tão mortal como um poderoso veneno humano.
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AUGUST
Todas as noites antes de dormir,abria aquele velho diário deixado por Marie Adelaide na última página,parecia ser de outra pessoa realmente,apesar da letra ser a mesma,a essência das palavras não,acreditava deveras que a jovem tenha morrido um pouco com j**k.
Jack seu querido irmão mais novo!deveria estar ali--- Pensou com a saudade frustrada que apenas aqueles que perderam de forma repentina alguém amado entendem.
Nunca mais ririam juntos ou conversariam,eram de fato amigos,j**k falava dele para Marie Adelaide,dentro do mesmo diário guardava a carta,as últimas palavras do irmão,o comunicaram que ele morrera com os papéis ainda em cima de si,usou seu último suspiro para fazer-lhe um pedido,que honraria custasse o que custasse.
---Prometo j**k que as encontrarei e cuidarei para que vivam bem.
Tinha tantas preocupações,mas aquela necessidade de encontra-las dormia e amanhecia com ele,por causa dessa procura sem descanso,abandonara um pouco sua casa principal no campo e consequente sua doce irmã Roseline,sobrevivente de um episódio c***l,ainda tinha Beatrice a bela viúva seria seu par ideal,não acreditava em amor romântico ela era bela,experiente nas artes da cama e requintada era uma dama,fizera a coisa certa,então porque esse vazio?---Uma vozinha insistente advertiu
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ROSELINE
Seus dias até o fim de sua tediosa vida,seriam assim tão solitários?---Suspirou olhando pela janela para o belo e vazio jardim,fechou os olhos e imaginou-se correndo novamente e subindo nas árvores mesmo com a ama berrando que não era coisa para uma dama fazer---Sorriu abriu os olhos e a realidade a abateu em segundos
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LANA
Já fizera quatro meses que partira para aquela cabana no meio do nada com Juliette e a jovem Meg
a cabana estava habitável, duas camas com colchão de palha e um pequeno berço,ou melhor manjedoura velha que com um acolchoado de palha e mantas limpas,se tornaram em um confortável bercinho, era um vão apenas a cabana na parede da lateral ficava as duas camas e a manjedoura na outra parede uma pequena mesa com três tamboretes,na parede do fundo um fogão a lenha com uma chaminé que fazia as vezes de aquecedor,o trabalho também não era fácil limpar o chão,tirar o ** e aguentar as rabugices da governanta.
suspirou voltando a realidade terminando com o esfregão, queria descansar um pouco,apenas isso,estava tão convidativo a poltrona próximo a lareira, olhou gulosamente para o confortavel assento, era um dia frio e seu vestido desgastado não oferecia aquecimento suficiente.
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Roseline dispensou a criada que a levara até a porta de sua sala preferida,entrou empurrando a pesada cadeira de madeira.
Lana acordou com um delicado pigarrear
---òh,céus!---Viu a delicada jovem,pela delicadeza do vestido que usava,era evidente a dona da casa---Desculpe,eu estava cansada e...---Lenvantou-se de um pulo, sentindo-se culpada, não queria perder o emprego e ter que voltar paras as fábricas lúgubres de londres.
---Não se preocupe,não direi nada,sente-se,é nova por aqui?--- A jovem sorriu gentil
---Sim,meu nome é Lana e o seu?---Perguntou mais aliviada com a forma simpática que a patroa a tratou.
---Roseline---Respondeu estranhando a informalidade,da bela criada,tinha a desenvoltura de uma nobre,por não a ter olhada com dó e fazer de conta que ela não estava naquele estado inválido fazia tempo que não a tratavam como uma pessoa normall,até o próprio August tinha uma irritante superproteção,falava-lhe mas doce que antes...---Gosta daqui?-Perguntou a criada.
---Bem não tenho o que reclamar,na cidade antes m*l tinha tempo para ver minha pequena joia,tenho uma filha,Juliette,ela tem seis meses,e é uma graça,mas sou suspeita em dizer que é linda e uma fofura---Sorriu---Seus jardins são lindos,parecem sonhos de fada!
---Sonhos de fada?!
---Oh,sim,quando pequena tive uma babá que me contava belas historias...
---Você teve uma babá?---Roseline ficou mais intrigada quanto a origem da nova criada
"Será que falará alguma besteira?mas é claro,como uma criada poderia ter tido uma babá?"---quase gemeu,suspirou se queria manter o emprego deveria ser sincera o quanto pudesse ser---
---A vida já foi mais mansa para mim---sorriu
---Para mim também!---Suspirou Roseline deixando uma lágrima furtiva deslizar,foi nesse momento que Lana percebeu,a tristeza e desalento que tinha na sua bela patroa,ato continuo aproximou,ajoelhou-se na frente da jovem segurando uma de suas mãos e com a livre enxugando a lágrima---Foi como se tivesse sido conectada aos sentimentos da jovem,uma corrente de angustia,tristeza e desesperança tivesse passado por ela,soltou a jovem como se tivesse sido queimada.O que significava aquilo?
Roseline sentiu um consolo como a muito não sentia com o toque da criada,era algo bom.
---P-Preciso ir,meu turno acabou.
----Volte na minha sala amanhã!---A bela patroa pediu.Lana assentiu,sentindo-se ainda trêmula com o choque daquela sensação estranha e poderosa,era como se pudesse enxergar dentro da alma da sua patroa.
Lana chegou em sua cabana correndo,que loucura era aquela?
---Meg,Meg
---sim!---Meg acabara de colocar a pequena Juliette adormecida no seu bercinho ---Lana parou ofegante diante da sua amiga
---Sente-se bem?---Meg perguntou preocupada,a amiga parecia que vinha de uma longa carreira,Lana a tocou no braço
"---Mãe vou sentir sua falta---Meg falou abraçando a mãe,que chorava em silêncio,atras delas tinham seis crianças de 12 anos para baixo,o menorzinho tinha cerca de quatro anos,era uma pequena aldeia..."---Largou o braço de Meg,sentindo-se um pouco fraca,de repente estava exausta,Colocou as mãos na cabeça, tentando entender o que estava acontecendo.
"Estava cansada e sentara-se por alguns instantes,uma mulher de cabelos muito loiros,sorriu para ela,os olhos eram...bem tudo foi muito rápido e como se estivesse obedecendo uma ordem silenciosa,a mulher lembrava a druida que a levou para aquele tempo,mas não era ela,de um frasco de cristal ofereceu-lhe em um pequeno cálice de ouro,do líquido,era doce,tinha cheiro de jasmins,amargo no final adocicado,depois ...adormeceu quase que instantaneamente,acordou,viu a patroa..."
---Sente-se ou melhor deite-se---Meg falou preocupada---Olhou para Meg como se a visse pela primeira vez,não tinha mais que quatorze anos ela nunca soube a história de Meg, que deixou a família e tudo o que poderia chamar de familiar para que sobrasse mais comida para os irmãos e com um pouco de sorte poderia mandar,algum dinheiro para a mãe e era o que fazia,por isso a garota nunca comprava uma peça nova de roupa,chorou,por Meg,pela patroa,por si.