Capítulo 5

1130 Palavras
---Ma princesse (Minha princesa) ---Falou como só as mães falam com seus bebês,ele apontou sua mesa de mogno,August ficou olhando curioso o procedimento que mãos ágeis praticavam com voz doce. Forrou o lençol na mesa, colocou aquele pequeno ser gordinho e rosado que chorava e agitava pequenos braços e pernas,não estava vestidinho estava apenas...usando uma,bem não era uma fralda era um pano do mesmo tecido que a mãe usou para cobrir a mesa.  ---Prontinha! ---A jovem mãe com seu tesouro agora em outro pano do mesmo dos outros dois feito uma fralda,a agasalhou com outro pedaço do mesmo pano e pôs o chale por cima---Agora esta quentinha, enquanto a segurava com um braço com a mão livre tentava juntar os panos usados ---August segura pra mim, por favor enquanto limpo essa bagunça---Falou sem esperar resposta depositou o pequeno fardo nos braços de um atônito conde,nunca...nunca. O conde olhou para o pequeno rostinho que o olhava curioso,lindos olhinhos de um azul intenso o fitavam,o olhar em miniatura de j**k e algo se aqueceu,um elo se formou como poderia permitir que ela sumisse para sempre de sua monótona vida? ---Ela gostou de você--- Lana falou sentando na poltrona algo como um flash veio a sua mente Um homem vestido com uma casaca vermelha, um soldado?Ele sorria,um sorriso triste conformado,porque? Não lembrava sua expressão era tão intensa e feliz tinha lágrimas nos olhos tão azuis quanto o do homem a sua frente,segurava Juliette ---Uma...uma lembrança--- constatou emocionada. ---Algo errado?---August perguntou,a moça tinha uma expressão tão distante e os belos e misteriosos olhos estavam brilhantes de lágrimas. ---E-eu lembrei---falou exultante como se um grande feito tenha acontecido. Diante da expressão interrogativa do conde explicou ---Eu não lembro de nada que ocorreu comigo antes do capitão me encontrar... ---Contou tudo a meia voz,como o capitão a encontrou e sua amnésia,diante do relato August agora entendia o telegrafo que recebera a uma semana ."Mercadoria com pequena avariação,talvez tenha concerto". ---...E agora, lembrei do rosto de j**k,obrigada---Agradeceu por ter segurado o bebe,a pequena já dava indicios que queria mamar. ---Fique a vontade, preciso assinar esses papéis, como hoje é domingo meu secretário não virá, quero deixar adiantado...---sentou na escrivaninha fingido-se muito entretido com os papeis em sua mesa. --- Je me suis souvenu!(lembrei)---fez carinho no nariz do seu pequeno tesouro. ---Te souviens tu? (você lembra?).--- Sorriu para a pequena emocionada. ---Ne pas avoir peur( não tenha medo)---Agasalhou a pequena Juliette no peito.  ---Il nos reviendra (Ele voltará para nós)---falava em forma de canção- ---princesse du sommeil(durma princesa) ---nous aurons une maison à la campagne(teremos uma casa no campo) ---vous jouerez parmi les fleurs du jardin(você brincará entre as flores do jardim) ---Mon petit(minha pequena) ---Aura de belles robes(terá lindos vestidos) ---Nous n’aurons plus peur(não sentiremos mais medo) --- Nous serons enfin heureux(seremos enfim felizes) ---Quand papa revient(quando o papai voltar) August estava angustiado, pensou em protelar o que deveria dizer,mas era prático e faria o que tinha planejado. Planejou oferecer-lhe dinheiro,arrumar uma casa e uma mesada para a criança,nada de envolvimentos...Mas não hoje. --- Vou leva-las para casa, pode ficar no quarto de j**k,ele gostaria disso, mas antes vamos a modista que faz os vestidos da minha irmã Roseline. Passaram em uma modista, encomendou vestidos,comprou alguns que já estavam prontos para outra cliente ofereceu o dobro do valor,comprou roupas e coisas utensilios para bêbês mandou que fossem entregues na casa principal no campo algumas, outras imediatamente em sua casa de forma discreta não queria especulações. ---Uau!--- Lana não se conteve Exclamou com o bebe adormecido nos braços,a casa,mansão,museu sabe-se lá era linda e luxuosa era tantos artigos de luxo que dava medo até de esbarrar em algo,o velhinho emproado parecia que os olhos iam saltar,e varias cabecinhas de tocas apareceram e desapareceram sem que August e o Jonas o mordom percebessem Foi muito dificil para o velho mordomo e os demais criados permanecerem impassiveis a visita inusitada que chegara com o senhor da casa. O quarto tinha uma cama enorme de Dossel,as cortinas verdes e os tons de dourado e madeira nos detalhes deixava o quarto opressivamente luxuoso,deitou a pequena agora vestida como uma princesinha em meio aos lençois de seda,ela própria estava parecendo uma princesa,tinha certeza de uma coisa,nunca usara nada parecido antes. A criada silenciosa a ajudou a vestir-se,não teimou quando disse que tomaria banho sozinha,A mulher saiu sem dizer palavra alguma teve momentos que a criada de meia idade parecia estar sofrendo por estar ali. Na cozinha apesar das ordens expressas do mordomo,todos cochichavam sobre a hóspede, da camareira a cozinheira,cada um com sua opinião. ---Ficou louco, trazer uma rameira... ---A casa é dele. ---Desalmado me senti profanada, em servir aquela pecadora. ---A bastarda é uma menina. ---A rameira é francesa. ---Não guardou nem o luto do irmão. ---È linda! ---Seja quem for é muito bonita! ---a criança é a cópia do conde! ---------------------------------------------------------------------------------------------- A porta dupla de madeira trabalhada, foi aberta para Lana passar, o belo conde de Wessex parecia solitário, sorriu sem que o riso chegasse aos olhos. Foram os olhos do conde, seria uma característica de familia? Que fizeram lembrar do olhar do capitão j**k eles tinham o mesmo olhar.  Bateu na porta dupla de madeira uma voz grave e melodiosa a mandou entrar, até a voz do homem era bonita, pensou. August reprimiu um suspiro sua cunhada estava com a beleza evidenciada em seus novos trajes seu coração estava enternecido pela mulher errada, era a viúva do seu irmão se repreendeu. August pediu para que Marie fosse até a biblioteca após o jantar da noite seguinte, não havia falado nada no dia anterior porque ela estava muito cansada. Por isso protelara até a noite seguinte, a mãe e as irmãs tinham ido para uma das herdades do atual marido da mãe, já que estavam em luto por j**k e não poderiam participar das festas e bailes, não corriam o risco delas invadirem. Não havia m*l algum em permitir que as duas descansem um pouco antes de seguirem seus destinos descartou uma vozinha inoportuna em sua mente e algo mais em seu coração que teimava em aquecer-se.  Suspirou angustiado por ter que dar a noticia da morte do irmão, doía-lhe mais que admitia, ver aqueles doces olhos tão tristes, cortava-lhe a alma vê-los rasos de lágrimas... ---Obrigada pelo lindo vestido--- Lana entrou sem permitir que o mordomo a anunciasse, não sabia porque mais achava o comportamento de todos ao redor diferente do que imaginava conhecer, apesar de não lembrar de nada. Ainda estava sem graça por não lembrar (ou saber) como vestir aquelas montanhas de tecido, estava com a mente tão confusa assim? Porque quando segurava a filha nos braços, seu coração doía de saudade de outra criança? Qual? Guardando seus pensamentos confusos, fechou a porta atras de si com naturalidade.
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