Capítulo 11

1882 Palavras
Lana despertou de um sono sem sonhos, a claridade a acordou juntamente com o som de pássaros. ---Oonde estou? ---sentou atordoada, olhou para as mangas do vestido que usava, um creme quase dourado---Mas não era o que usava quando adormeceu! ---Constatou surpresa. Se apoiou nas mãos, olhou para onde estava deitada, de um pulo ficou em pé, de boca aberta extasiada com tanta beleza ao seu redor, era um recinto de teto curvo arredondado, de vidro, havia cortinas translúcidas de um tecido tão delicado, que se tocasse talvez se desvanecesse em suas mãos. A luz que entrava pelo teto era suave, um espelho em tamanho real com moldura de flores de ouro, todos os detalhes eram tão belos e delicados, o cheiro suave de rosas...Aproximou-se do espelho ficou espantada com sua própria aparência os cabelos soltos, o vestido esvoaçante, de uma cor que jamais vira, era impressão ou ele estava irradiando um pouco de luz dourada, ---É magnifíco não? ---Lana se sobressaltou, a bela Druída de cabelos vermelhos e vestido parecido com o seu, apareceu atrás dela, virou-se e para a mulher ---OOnde estou? ---Indagou confusa ---Em terras druídas---A resposta foi curta e suscinta. ---Por que será que tenho a impressão que me trouxe sem permissão? ---Porque tem razão, é meu recinto, meu lugar sagrado, onde faço minha ligação com o Grande Carvalho. ---Porque? ---Humanos! ---Revirou os olhos---Quer ver os seus, da sua antiga vida não? ---A jovem assentiu ---Tome, coloque isso. ---Tirou da própria cabeça e entregou uma coroa de flores tão azuis quanto o céu para Lana---Poderá se despedir porque ao término de seu prazo, é o fim, terá cumprido essa vida. ---E Juliette? ---Perguntou angustiada---Vai ficar mais uma vez órfã? Rana conhecia os humanos e aquela de forma curiosa era parecida consigo própria, tinha planos, sorriu de forma despreocupada. ---Preocupe-se com uma coisa de cada vez humana, olhe para o espelho. ---posicionou-se ao lado da jovem que era um pouco mais baixa que ela, ambas olharam para o espelho---O que esta vendo? Lana não sentia medo daquela criatura mágica, confiava nela, mesmo ela se mostrando indiferente e insensível. ---Vejo eu e você! ---As duas refletidas no espelho pareciam uma pintura de fadas ---Olhe direito, com o coração! ---A outra instruiu, As imagens começaram a tremular como um reflexo em um rio. E seus reflexos se transformaram ---É Arthur! ---viu primeiro o rosto do seu irmão, estava mais maduro, tinha tanta tristeza em seu olhar, mas não havia lágrimas, ele olhava para algo. ---Concentre-se, o que mais ver? ---Estão num cemitério! ---Viu pessoas se despedindo do seu irmão (queria ver rosto dessas) A visão mudou de ângulo era como se estivesse vendo das costas de Arthur---viu muitos rostos de pessoas que não via a muito e a pouco tempo, a maioria delas deixara de falar com ela, outras não perdiam oportunidade de falar m*l dela---Falsos! ---Resmungou! ---Há uma moça loira ao lado dele--- Percebeu, era um belo contraste, a moça pequenina e delicada e seu irmão tão grande e musculoso---ela fala com ele, não posso ouvir... ---Pode, ouça! ---Mais uma vez a druida instruiu. "---Sir vou deixa-lo sozinho, para que posse expressar sua dor---olhou para onde ele estava olhando depois para ele---Ora até aqui no seu mundo mágico, mesmo sendo o mago que é, ainda é tão exasperante quanto meu primo Jonh, Nunca chorar, quer um conselho? Grande mago, chore! ---Deu-lhe uns tapinhas no ombro e saiu seguindo as últimas pessoas"  Arthur fiou sozinho com sua dor. ---Passe pelo espelho, é um portal mágico, a coroa de Myosotis impede que bisbilhoteiros sintam a magia, despeça-se do seu irmão, mas só o abrace quando terminar porque fará você voltar para seu novo lar, mesmo que temporário, vá não perca tempo, tem quinze minutos. Em poucos instantes o cemitério ficou vazio, era uma dia nublado, tanto quanto seu coração, era o último de uma família que não soubera ser uma, nem ele próprio, se tivesse atendido o telefone...---leu tristemente a placa recente 'Mãe e filha unidas para sempre' Lana sentiu-se um pouco infeliz, no seu enterro não havia ninguém que de fato senti-se sua falta, além de seu querido irmão, ficou em pé ao lado do grandalhão, seus pés nus brancos em contraste com o barro n***o, afastou um pouco os pés para a grama, mexeu os dedos, apreciando o orvalho da grama, como quando era criança. ---Maninho devia ter me cremado, tinha lhe poupado essas horas de condolências inúteis! ---Arthur prendeu a respiração por um momento, não ousou levantar a cabeça, se era uma alucinação aproveitaria o máximo dela, viu os pés delicado, brincar com a grama---Está com medo de mim maninho? ---Chutou um pouco de barro nos lustrosos sapatos do senhor certinho, o provocando como tantas vezes fez, na adolescência, Arthur resolveu seguir com a alucinação. ---Viu, até a Cristine, sua amiga veio---O homem falou com voz embargada ---A convidei tantas vezes, para passar o fim de semana comigo, e nunca tinha tempo. ---Lana falou sem ressentimentos, apenas comentando um fato. ---Faz um favor para mim, deleta todas as minhas redes sociais ---Porque? ---Para diminuir a hipocrisia do mundo ora essas! ---Arthur sorriu, tanta coisa importante para falar para irmã, mesmo que sendo apenas uma alucinação e trocando amenidades e disse ---Sua lógica é interessante, rabugenta, mais interessante---A saudade e o remorso o estava enlouquecendo, continuou de cabeça baixa. ---Quem é a loirinha? Gostei dela---Lana falou olhando para o perfil de seu querido irmão. ---Vocês se dariam muito bem, é..uma...amiga...Eu não sei! Lana abaixou-se entrando no campo de visão do irmão, alisou a sua própria lápide, onde uma pessoa que de fato fora amada descansava seu corpo mortal. ---Mandei trazer o corpo de Sofia para junto de você, sua irmã tinha uma tênue luz e parecia tão viva quanto ele, ela o olhou depressa e uma emoção passou em seu lindo rosto uma lágrima escorreu do rosto delicado, caindo em cima da lápide ---Obrigada---Lana levantou-se ficando de frente um para o outro, Arthur fez gesto de enxugar a lágrima solitária do rosto da irmã, ela tinha cheiro de jasmins, afastou-se um passo dele, baixou a mão derrotado. ---Me perdoe, eu sinto tanto, fui tão orgulhoso, rancoroso e i****a, se... ---Não se culpe, o erro foi somente meu, fui fraca e....alguém me disse uma vez que passado é só poeira, já aconteceu, onde estou...---Não podia trair a druida---Bem, onde estou, estou feliz,e pude me arrepender no último momento,Arthur siga em frente,não tenha medo de amar,mesmo que vezes machuque ,nunca desista do amor. ---Não sei, Lana---Falou desamparado e ela viu de novo naquele olhar o menino que carregava o mundo nas costas e era forte por ela e por si mesmo---Se aproximou, quase o acariciou, baixou a mão o olhou nos olhos---Mano seguir em frente é necessário, eu te amo! ----Me perdoa!?---Falou com a voz embargada ---Claro maninho, me perdoa?! ---Sim---Abraçaram-se ambos sentido-se livres ---Adeus, seja feliz! ---Arthur sentiu o abraço doce da irmã e ouviu suas últimas palavras, entendeu que não fora alucinação foi real então chorou. August fechou a porta da biblioteca, não queria interrupções quando pensava, e ultimamente, havia muitas, com o período de luto finalizado, Beatrice conseguu a simpatia da mãe e das irmãs e todas elas o estavam enlouquecendo com os preparativos para o casamento.Alisou a capa do diário, havia se tornado um ritual, todas as vezes que ficava a sós consigo, procurava a resposta nele, resposta que nunca encontrou. "Onde esta você?"---Murmurou para as letras nas páginas do diário. Precisava cumprir o pedido do irmão e proteger-lhe a família, onde uma mulher estrangeira com um bebê nos braços, poderia estar? O que faziam para sobreviver? Já tinha procurado até nos prostíbulos e nada, onde faltava procurar? ---Abriu o diário e leu as últimas frases que era uma dedicatória a ele.Marie Adelaide...Era isso,a mulher tinha morrido e outra havia no lugar era ideia de recomeço... ---Como sou i****a, claro, deveria saber, a região das fábricas, se queria um recomeço digno...Sim outro nome,talvez!---levantou-se animado,iria mandar seus detetives procurarem pela a aparência não pelo nome...Saiu da biblioteca mandando preparar-lhe a carruagem,sua mãe e companhia estavam chegando apesar de todas terem suas próprias casas,adotaram sua casa como ponto de encontro. ---Onde vai com tanta pressa? ---Inquiriu a mãe, sorriu sem perder o bom humor, a rodopiou sabendo que detestava aquilo, beijou-lhe o rosto e saiu sem dar resposta.Iria falar com seus detetives, e mandar seguir esse raciocínio. Fazia um ano,a pequena Juliette era o aniversário dela,sentiu saudade apesar do pouco tempo de convivência... Foi o primeiro e único bebê que teve em seus desajeitados braços,bem, aquele olhar,tal qual o a mãe...eram muito expressivos...---Sem nem perceber seus pés o levaram a uma loja de delicadezas,viu na vitrine uma boneca de porcelana,pensou em Juliette--Entrou diante de olhos curiosos e perplexos,algumas ladys pararam até de conversar,uma delas era a Lady Castle esposa de um dos conhecidos,para que Londres precisava de jornal se tinha a Lady?Pouco importava,não se explicaria para ninguém,pacientemente esperou o brinquedo ser embrulhado. ---Bom dia Lord, que surpresa vê-lo aqui em pessoa, uma das suas sobrinhas esta completando ano? É uma formosa boneca! Tem bom gosto. ---A lady em questão aproximou-se. ---August a muito custo conseguiu não revirar os olhos ou ser grosseiro, mas aquela manhã estava especialmente endiabrado, já estava farto de tantos afetos femininos. ---Obrigado milady pelo Elogio, Ela vai gostar muito tenho certeza! ---falou enquanto recebia o delicado embrulho, saiu antes que a mulher se recuperasse do choque. ---Ela? Quem? ---A mulher perguntou para as costas de August---Milord espere...---pulou dentro do faetonte e mandou seguir---Lady Castle chegou na calçada tarde de mais, o faetonte tinha partido. -------------------------------------------------------------------------------------- Em toda a cidade, entre criados e nobres, uma das conversas em tom de segredo mais faladas, contadas e recontadas era a historia de um belo Lord que tinha um filho bastardo ou melhor filha, com uma elegante dama francesa ---Imagine que o Lord comprou uma boneca...---uma arrumadeira falou para a companheira enquanto esticava a cama ----Então o bastardo é uma menina! ...---A outra falou enquanto varria ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ---Dizem que depois que ele ficou noivo com a lady eles brigaram e a amante foi embora com a criança---Uma cozinheira comentou com outra ---Isso é o que acontece, com sonhadoras que se deixam levar por conversa de nobres---A mais velha sentenciou, jogando indireta para uma das jovens auxiliares que tinha cabeça de vento e muito fogo nas saias. -------------------------------------------------------------------------------------- ---Mas essa mulher, dizem não é do povo---Falou uma lady com suas amigas na hora do chá. ---Quem poderia ser? ---Retorquiu outra. Foi a carta mais difícil de ser escrita,pensou Lana,suspirando enquanto observava,a patroa,Meg e a pequena Juliette brincando nas margens do lago,ela estava sentada no cobertor servindo o lanche,o chá fora substituído pelo lanche a beira do lago,ninguém da família da patroa aparecera e ela pouco ou nada falava sobre eles,tinha um irmão que estava noivo e vivia na cidade,irmãs,cunhados e sobrinhos mas ninguém naqueles seis meses que ali estivera fora visita-la,proibiu aos criados de contactar qualquer um deles para dar as novas que voltou a andar. Suspirou, não queria partir, mas seu tempo estava acabando, precisava resolver a vida de Juliete, Meg ficaria ali, falaria com a jovem Lady, pediria esse último favor, esperava que o tio da pequena Juliette respondesse sua carta.Estava tendo uma ideia, não se entregaria sem lutar.
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