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A PATRICINHA E O TRAFICANTE - Morro dos Prazeres

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Sinopse

Mariana achava que tinha a vida perfeita, até descobrir da pior forma que estava dormindo ao lado do próprio inimigo. Depois do próprio namorado ter tentado a assassinar, ela só sobreviveu porque alguém apareceu naquela noite.

Um homem que ela nunca conseguiu lembrar ao certo, mas nunca esqueceu do seu olhar.

Depois da tentativa de assassinato, Mariana foi tirada às pressas do Brasil. Um ano longe do Rio de Janeiro, se recuperando, tentando fugir do medo, das lembranças e da pergunta que nunca saiu da sua cabeça: quem salvou sua vida naquela noite?

Mas ao voltar para o Brasil, tudo muda.

Convencida pela melhor amiga a subir o morro para um baile, Mariana acaba frente a frente com Galvão, o traficante mais temido do RJ.

Frio. Perigoso. Chefe da Cv e dono do morro.

E no instante em que os olhos deles se cruzam, Mariana sente o mundo parar. Porque ela reconheceria aquele olhar em qualquer lugar do mundo.

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Capítulo 1
Mariana Narrando... 1 ano atrás.... Eu sempre ouvi dizer que, quando algo r**m vai acontecer, o coração avisa, o meu avisou, mas eu ignorei. A chuva fina escorria pelo vidro do carro enquanto Leonardo, meu namorado, dirigia pelas ruas do Rio de Janeiro. As luzes dos postes atravessavam o para-brisa em flashes rápidos, iluminando o rosto dele por segundos antes de tudo voltar à escuridão outra vez. Eu observava o perfil dele em silêncio. As mãos bem firmes no volante, como se estivesse nervoso com algo. O maxilar travado e o olhar atento demais para o meu gosto. — Você tá muito quieto hoje, tá acontecendo alguma coisa? ____ perguntei baixo, tentando soar leve. Ele virou o rosto rapidamente pra mim e sorriu de canto, mas não foi um sorriso normal. Foi estranho. Leo — Só tô cansado, amor... fica tranquila. _____ diz e eu assenti devagar, voltando a olhar pela janela. Talvez fosse isso mesmo, só cansaço. Nos últimos dias ele estava diferente. Distante. Carinhoso demais em alguns momentos… frio em outros. Como se estivesse lutando contra alguma coisa dentro dele. Acabei sentindo um aperto no peito, como se algo estivesse esmagando meu coração. Passei os braços em volta do meu próprio corpo e tentei afastar aquela sensação ridícula. Ansiedade, paranoia. Leonardo sempre cuidou de mim. Sempre, agora não seria diferente. Leo — Tá com frio? _____ perguntou e eu balancei a cabeça levemente. — Um pouco. Sem dizer nada, ele tirou uma das mãos do volante e segurou a minha. Sua mão estava super gelada. Eu franzi a testa imediatamente. — Nossa… sua mão tá congelando. Ele soltou uma risada baixa, quase sem humor. Leo — Pois é princesa, acho que hoje é uma noite r**m pra todo mundo... — Que papo é esse? _____ perguntei encarando ele. Leo — Nada. Só pensei alto... você está se preocupando atoa... _____ diz tranquilo, mas algo dentro de mim não tava mais normal. Meu olhar caiu no relógio do painel. Já passava da meia-noite. — Pra onde a gente tá indo mesmo? _____ perguntei. Leo — Quero te levar pra ver uma coisa... — Que coisa? Leo — Surpresa... _____ fala puxando um sorriso fraco. — Leo, você sabe que eu odeio surpresa.... Ele me olhou outra vez e dessa vez havia algo estranho nos olhos dele, algo que fez minha pele arrepiar. Leo — Eu sei, Mariana.... _____ sua voz mudou tão de repente. Acabei desviando o olhar. Meu coração começou a bater mais rápido sem motivo. Ou talvez já existisse um motivo e eu ainda não queria enxergar. Leo pegou um caminho onde só tinha mato e escuridão. Franzi a testa sem entender, mas já apertando o celular nas mãos. — Leonardo… Leo — Hum? — Que lugar é esse? Leo — Atalho. — Atalho pra onde? eu não tô gostando disso... ____ questionei virando pra ele. Ele respirou fundo antes de responder. Leo — Mariana… O jeito que ele disse meu nome fez meu estômago gelar. — Tá acontecendo alguma coisa? Você tá estranho.... Leo — Você me ama? Soltei uma risada nervosa. — Que pergunta aleatória é essa? Leo — Responde.... _____ o tom dele saiu sério. E meu desconforto aumentou instantaneamente. — Claro que eu amo, que pergunta é essa.... Ele assentiu devagar com os olhos fixos na pista escura. Leo — Bom saber.... Meu coração falhou uma batida. — Leo… Leo — Sabe de uma coisa... eu te amo mais do que qualquer coisa nessa vida, Mariana. Aquela frase me atingiu de um jeito estranho.... — Para de falar estranho ____ murmurei, forçando um sorriso — Tá me assustando. Ele apertou o volante com força. Os nós dos dedos ficaram brancos. Leo — Mesmo se você morresse… ainda seria dona do meu coração. Meu corpo inteiro gelou. — Leonardo, para.... _____ falei firme e ele debochou com um sorriso. Leo — É verdade. — Eu não tô gostando dessa conversa... Ele riu fraco de novo.. Leo — Nem eu. O carro entrou numa estrada praticamente abandonada. Não havia carro nenhum, além do nosso. Meu peito apertou mais forte. — Leo… volta.... _____ pedi com a voz baixa. Leo — O quê? — Volta pro centro... Leo — Por quê? — Porque eu tô ficando nervosa. Ele me encarou por dois segundos e então sorriu. Leo — Tá tudo bem, amor... ____ disse tentando me tranquilizar, mas eu sabia que não estava. Cada parte do meu corpo gritava isso. Foi então que o carro deu uma freada brusca. Levei um susto, segurando no painel. — Que isso?! ____ perguntei assustada. Ele desligou o motor e passou a mão no rosto. Leo — Merdä... ____ resmunga batendo no volante. — O que aconteceu? Leo — Acho que o pneu furou... _____ diz e eu suspirei aliviada. Meu Deus. Era só isso? Eu realmente estava ficando paranoica. Leonardo abriu a porta e desceu do carro. Fiquei observando ele pela janela enquanto caminhava até a parte traseira do veículo. A chuva começava a aumentar. Abri a porta também. Leo — Amor, espera! Tá chovendo! _____ diz, mas eu desci rapidamente e fui até ele. A estrada estava completamente escura. O único som era o vento balançando as árvores ao redor. Olhei pros pneus. — Qual furou? _____ perguntei abaixando pra ver, mas não tive resposta — Leo? tô falando com você.... _____ quando virei o rosto, meu mundo parou. A arma estava apontada pra mim. Meu cérebro simplesmente se recusou a entender o que estava vendo. Fiquei imóvel. O ar preso nos pulmões. O coração desacelerando num terror tão grande que parecia irreal. — L-Leonardo…? _____ sussurrei com a voz trêmula. A mão dele também tremia. Os olhos estavam vermelhos. Cheios de lágrimas. Mas a arma continuava apontada diretamente pra mim. Leo — Me desculpa.... Senti minhas pernas enfraquecerem. — O que… o que é isso? _____ Minha voz saiu falha e então me levantei. Ele começou a chorar. Literalmente. Leo — Não era pra ser assim… — Leo… baixa isso… por favor... Leo — Eu tentei resolver de outro jeito. Meu corpo começou a tremer violentamente. — Você tá me assustando… Ele deu um passo na minha direção e eu dei um pra trás imediatamente. — Não chega perto de mim! Leo — Mariana… — QUE MERDÄ É ESSA?! _____ meu grito ecoou na estrada. As lágrimas começaram a descer pelo meu rosto sem controle. Eu não conseguia respirar direito. Não conseguia pensar. Aquilo não fazia sentido. Não fazia sentido nenhum. Leo — Eu não queria fazer isso com você… — Fazer o quê??? A arma tremia na mão dele. Leo — Ele mandou eu te levar pra ele.... Meu estômago revirou. — Ele quem??? para com isso.... Ele fechou os olhos por um segundo. Leo — Meu chefe.... — Chefe? Do que você tá falando…? _____ perguntei em completo desespero. Ele me encarou. E naquele momento eu percebi uma coisa horrível, eu nunca conheci aquele homem. Nunca. Leo — Eu trabalho pra uma organização criminosa há anos.... Meu corpo inteiro gelou. — Não… _____ sussurei negando com a cabeça... Leo — Trabalho diretamente pro chefe. — Não… não… isso é mentira… Leo — Eu transporto garotas.... _____ confessa e eu olho pra ele incrédula. — O quê? Leo — Tráfico de mulheres, Mariana... Tapei a boca imediatamente, horrorizada. As lágrimas escorriam sem parar. — Você tá mentindo… Leo — Eu queria estar. Minha respiração ficou desesperada. — Não… não… não… Ele aproximou a arma ainda mais. Leo — Meu chefe te viu.... Meu corpo travou, sem acreditar. — D-do que você tá falando? Os olhos dele ficaram sombrios, obcecados. Leo — Ele te quis. O nojo subiu pela minha garganta. — Não… Leo — Desde o dia que viu tua foto no meu perfil... Meu Deus. Comecei a balançar a cabeça em negação compulsivamente. — Não… Leo — Ele mandou eu te entregar... — Leonardo… _____ sussurrei negando e ele sorriu. Leo — Mas eu não vou fazer isso.... Por um segundo… Por um único segundo… Eu achei que ele fosse me soltar. Que aquilo fosse acabar. E então ele sorriu mais uma vez. E aquele sorriso destruiu o resto da minha alma. Leo — Porque eu prefiro você morta.... Meu corpo inteiro congelou. — O quê…? _____ perguntei incrédula e ele começou a chorar mais forte. Completamente perturbado. Leo — Eu não vou deixar aqueles caras encostarem em você.... — Leonardo, pelo amor de Deus… Leo — Eles iam te usar.... _____ fala se aproximando ainda mais.. Leo — Mas você é minha… — PARA! Leo — Minha! — VOCÊ TÁ LOUCO! Leo — EU TE AMO! O grito dele ecoou na estrada. Leo — E se eu não posso ter você… ninguém vai ter! Eu m*l conseguia ficar em pé. Meu corpo tremia tanto que meus dentes batiam. — Leonardo… por favor… por favor… eu faço qualquer coisa… Ele chorava enquanto apontava a arma pra mim. — Não faz isso… Leo — Me desculpa… — NÃO!!!! Foi nesse momento que eu tomei coragem da onde não tinha e corri. Meu instinto simplesmente assumiu o controle. Virei o corpo e disparei em direção à mata escura. Ouvi o Leonardo gritando meu nome atrás de mim. Os galhos arranhavam minha pele enquanto eu corria sem enxergar direito, e implorava pra Deus mandar um anjo pra me salvar desse maluco. Meu coração parecia explodir dentro do peito. Leo — MARIANA! Os passos dele vinham atrás de mim. Eu chorava desesperadamente enquanto atravessava o mato. — SOCORRO! ______ Minha voz saiu arrastada. Ninguém ouviria. Não havia ninguém ali. Só escuridão. Leo — VOLTA AQUI! Outro grito mais perto, meu Deus, ele estava perto. Muito perto. Corri mais rápido. Os pulmões queimavam. As pernas doíam. A chuva deixava o chão escorregadio. Olhei rapidamente pra trás e então ouvi o primeiro disparo. Meu corpo travou de medo. O segundo tiro veio logo depois. E então a dor. Uma dor absurda atravessou meu corpo. Queimando. Meu grito rasgou a mata quando caí no chão. A sensação era insuportável. Minha visão começou a ficar embaçada imediatamente. Eu tentava respirar. Mas doía. Tudo doía. Ouvi os passos do Leonardo se aproximando devagar. Sem pressa. Como um predador. Levantei os olhos pra ele através das lágrimas. — P-por favor… ____ sussurrei quase sem forças. Ele parou na minha frente. A arma ainda na mão. Leo — Você não devia ter corrido… Comecei a soluçar. — Eu não quero morrer… Aquilo pareceu quebrar alguma coisa dentro dele. Leonardo levou a mão à cabeça, desesperado. Leo — PARA DE OLHAR PRA MIM ASSIM! — Leonardo… Leo — PARA! Ele apontou a arma de novo. Meu coração parou. — E-eu te amava… por que você fez isso comigo.... Ele começou a rir e chorar ao mesmo tempo. Completamente fora de si. Leo — Eu ainda amo! O sangue continuava escorrendo. Minha força indo embora aos poucos. O mundo girava. Escurecia. Foi então que um barulho surgiu no meio da mata. Passos. Leonardo se virou rapidamente. Leo — Quem tá aí????? Silêncio. Depois outro barulho mais perto. Então ele ergueu a arma imediatamente. Leo — APARECE! _____ gritou e então os disparos começaram. Um. Dois. Três. Vários. Tudo aconteceu rápido demais. Leonardo gritou e eu não consegui enxergar direito. Minha visão estava falhando. As árvores giravam. Os sons ficaram distantes.Confusos. Mas eu sabia que tinha alguém ali. Ouvi mais tiros. Mais gritos.... depois silêncio. Meu corpo tremia no chão frio enquanto a chuva molhava meu rosto. Eu não conseguia mais abrir os olhos direito. Só sentia. O sangue, a dor e o frio. E então passos se aproximaram de mim. Parei de respirar por um segundo. Alguém ajoelhou ao meu lado. Senti mãos fortes me virando cuidadosamente. Ouvi uma voz masculina. Baixa.. Xxx — Caralhø... Tentei abrir os olhos. Mas tudo estava desfocado. Só consegui enxergar um vulto e o olhar dele no meio daquela mata. Xxxx — Ei… fica acordada, tu vai ficar bem... A voz dele parecia distante. Meu corpo inteiro estava ficando mole. Fraco. — P-por favor… Xxx — Não dorme.... Senti ele pressionando algo contra meu ferimento. A dor me fez gemer baixo. Xxxx — Tu vai fica bem, ja é.... Mas eu sabia que não ficaria. Eu estava morrendo. Consegui sentir quando ele me pegou no colo. Os braços fortes me segurando enquanto caminhava rápido. Minha consciência escapando. A última coisa que vi antes da escuridão me engolir por completo… Foram aqueles olhos. E depois… Nada mais, apaguei de vez.... CONTINUA....

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