Horas depois, Helena ainda estava no banheiro.
Rocco se aproximou da porta, ele já havia feito isso outras vezes e ela ainda chorava, mas agora era silêncio total.
Ele imaginou que ela tivesse cochilado lá dentro, pegou a chave reserva e abriu a porta.
Helena dormia dentro da banheira vazia.
Fazia frio, ela estava com os lábios levemente roxos e batia queixo.
Rocco respirou fundo, sua vontade era deixar Helena lá, incontáveis vezes também precisou de ajuda e ninguém o ajudou, ele precisou sobreviver, mas decidiu tirá-la de dentro da banheira, antes que ela morresse de hipotermia, Rocco tinha raiva do mundo devido a seu passado, mas pelo menos dessa vez, pensou que não faria m*l fazer uma boa ação.
Quando ele tentou pegar Helena, ela se debateu em seus braços.
__ Não Rocco, por favor, por favor, eu imploro, não, não.
Ela começou a chorar novamente.
Rocco viu nos olhos de Helena, o mesmo medo que ele viu nos olhos de um menino na sua infância.
__ Me deixe levar você pra cama, eu te dou minha palavra que não vou te machucar.
__ Não Rocco, por favor, me deixe morr£r aqui, eu prefiro morr£r que ser tocada sem minha permissão, me mat£, isso Rocco, me mat£, me mat£.
Ele entendeu a confusão dela, ele pediu pra levá-la pra cama, ela estava assustada e com medo, interpretou errado, pensou também que os diversos pedidos para morr£r fosse por conta que delirava devido o frio que sentia, mas ela realmente preferia morr£r ao ser tocada por ele.
Rocco pegou Helena nos braços, ela não tinha forças pra lutar, colocou ela na cama e a cobriu, ligou o aquecedor para que ela se aquecesse mais rápido.
Observou Helena chorar, delirar chamando pela mãe, perguntar ao pai porque a entregou a Rocco, ela também pediu várias vezes por favor e dizia não, ele sabia que era medo dele.
Helena dormiu em meio aos soluços.
Rocco foi pra varanda, não dormiu mais uma vez, dormia poucas horas, sempre tinha insônia e pesadelos, mas agora estava ainda pior.
Mais uma vez sua companhia foi o wisk.
Helena conseguiu dormir, foi um sono atribulado e perturbado, mas dormiu.
Na manhã seguinte, Helena não apareceu na sala, Rocco sabia que ela estava fugindo dele, mas eles precisavam partir.
Rocco teve vontade de quebrar a porta, mas ainda assim bateu.
__ Helena, abra a porta, sei que não está mais dormindo.
Ele viu o exato momento em que ela passou a tranca na porta, o dia clareava.
Helena se obrigou a abrir, sabia que homens como Rocco não precisava muito para abrir uma porta como aquelas.
Ele a observou, ela tinha os olhos inchados devido o choro, mas também tinha os cabelos molhados, Rocco achou Helena uma mulher bonita, mas tentou logo afastar os pensamentos.
__ Junte suas coisas, vamos partir.
Ela quis perguntar pra onde, mas dessa vez conseguiu se controlar e não perguntou, embora cocasse pra saber, mas sabia o suficiente, a opinião das mulheres dentro da máfia, não contava.
Quando Helena deu as costas, ele notou também, que ela mancava.
__ Algum problema Helena?
Ela se virou novamente pra ele.
__ Quê? não estou indo arrumar as coisas como me pediu?
__ Porque está mancando?
__ Me faz um corte e ainda me pergunta se tem algum problema? problema nenhum, estou mancando porque aprecio a dor, acho bonito andar feito uma desengonçada, na verdade estou apreciando o lençol manchado.
Ela se arrependeu assim que terminou de falar, mesmo assim deu as costas pra ele.
Foi pegar seus poucos pertences.
Mas ele a achou corajosa, nenhum homem o desafiava e ela o respondeu com desdenho.
Desceram juntos, ele carregava a pequena bolsa dela.
No pátio do condomínio, alguns soldados faziam ronda, não olharam pra Helena, afinal ela era esposa do Tenebroso.
O pai de Helena quis ir até ela, entendeu que sua filha mancava porque estava machucada, algumas mulheres deram um olhar de pena a Helena e de negação a Rocco, mas ele não se importou.
Helena sorriu para o pai em sinal que estava bem, o tranquilizando.
Antes de saírem do condomínio, ela perguntou.
__ Rocco, pode passar em uma farmácia? preciso de bandet pra colocar no ferimento, dói.
__ Não.
Foi a resposta dele, Curto e grosso.
Ela teve vontade de chorar, mas engoliu o choro.
Rocco andou por alguns minutos até que saiu de dentro da cidade, parou no acostamento.
Entregou um bandet pra ela.
__ Coloque no ferimento, vai aliviar a dor.
__ Porque não me entregou isso Antes? achei que não tivesse.
__ Precisava sair do condomínio mancando Helena.
Ela não entendeu, mas não adiantava perguntar, ele não responderia.
__ Posso perguntar pra onde Vamos?
__ Pra casa Helena, está indo pra sua nova casa.
__ Rocco?
__ Não adianta perguntar onde fica ou dizer que não quer ir, você vai comigo, acha que queria que estivéssemos nessa situação? que queria me casar com você? eu também não queria.
Ela pensou que mais claro ele não poderia ser, teve certeza absoluta, Rocco tinha alguém.
__ Não ia perguntar nada Rocco e que ótimo que não me quer, porque também não quero você.
__ Sério Helena?
Rocco colocou a mão no coração, enquanto segurava o volante com a outra.
__ Magoado estou, a menina doce e delicada não me quer.
Ele estava sendo irônico.
__ Acho que vou morr£e por isso.
Helena deu o dedo do meio pra ele.
A mãe de Helena a alertou sobre as birras dela, ela também dava o dedo para as colegas do convento, mas ela não conseguia se controlar quando as coisas saiam do controle.
Rocco balançou a cabeça, Helena era só uma menina, pensou.
Algum tempo depois e ela quebrou o silêncio novamente.
__ Rocco?
Ele demorou alguns segundos pra responder.
__ Diga Helena.
__ Eu estou com fome.
Ele havia se esquecido de alimenta-la.