O dia seguinte chega e não temos tempo a perder, todos estamos em clima de enterro. Não sei o que posso fazer para mudar isto, nem eu, que tenho um ótimo senso de humor, consigo levantar o astral.
Caminhamos por horas para chegarmos ao território do Império de Metrimna, o lugar está lotado de gente de toda raça de árvomes, de todos os lugares, vários insetos gigantes estão por toda parte, várias vestimentas exóticas, umas diferentes das outras. Tudo está tão plural e tão singular, estou mais admirada é em usar estes termos, estou muito parecida com eles.
Só quero saber como vão fazer para alimentarem todo este povo.
E mais uma vez, sou o centro das atenções. Não sei qual a maior notícia que percorre o mundo, a minha presença ou uma possível Guerra Mundial de árvomes contra Árvos, ou o fato de uma nova raça de árvomes superiores ter surgido em meio ao furdunço que tá este mundo, os meta-árvomes.
Aquele mundo parece tão pequeno para mim e tão grande para eles. Que esquisito, eu sou a menor criatura inteligente que existe aqui. Só não olhem o meu histórico escolar, aí vou passar vergonha sobre o que tô falando.
A Rainha Matid e o Príncipe Metrim me recebem com muita alegria. Já esperavam que não voltássemos com o apoio das bruxas, nem com a metade de quem foi, mas além de termos voltado todos, trouxemos reforço. Todos os relatos foram abordados na assembleia e principalmente as partes qual eu, uma mulher humana albina, sou protagonista.
No fim da noite, Metrim conversa comigo no meu quarto, ele não consegue parar de olhar para a minha barriga.
— Ei! — chamo atenção dele. — Os meus olhos estão aqui.
— Me desculpe — ele fica totalmente encabulado. — É que você está maravilhosa, mesmo gestante de um bandido como o Isiton.
Eu me incomodo com o tom de voz dele.
— A criança não tem culpa.
— Eu sei que não, mas a genética pode puxar para um lado criminoso.
— Não mesmo, ele será muito bem educado.
— Tudo bem, você é a mãe, você é quem sabe. — Metrim se aproxima de mim e me abraça bem forte. — Quando tudo isto acabar, eu quero renunciar o trono para ficar com você.
— Metrim, eu vou ficar aqui um bom tempo para cuidar da minha criança, mas não sei que vou querer ficar aqui para sempre.
— Eu sei que você vai.
— Como sabe? Você está sendo presunçoso.
— Meu coração diz que você quer.
— O coração é enganoso…
Metrim me silencia com um beijo na boca.
— O que o seu coração te diz agora? — diz ele.
O coração não diz nada, mas a boca queria… Deixa para lá.
Passamos a maior parte do tempo conversando, até que eu pergunto pelo Mandante Isiton e Metrim se ofende, acaba saindo do quarto. Não tenho tempo para infantilidade, e eu realmente quero saber sobre ele e vou procurar.
Descobri que ele está usando um dispositivo no peito que pode ser acionado para injetar um veneno mortal diretamente no seu coração, apenas há duas chaves que estão com a Rainha, uma, que é magnética, aciona o veneno, a outra, comum, é para remover o dispositivo.
É um protótipo, mas parece bem seguro até agora, o engenheiro disse que não há como desativá-lo sem a chave. Só quero saber, como Isiton vai se sair na guerra? Ele também está sendo o centro das atenções por ser um meta-árvome.
Por procurar saber demais, descobri que ele ganhou aquela cicatriz com uma ferroada de escorpião, mas sobreviveu ao veneno quando consumiu, à força pelos Árvos, a Seiva da Vida.
É tanta coisa que eu tô ficando doida.
***
Todo o tempo que passamos no Império é de treinamento para enfrentar os Árvos, não sabemos o que nos espera. Metrim quer namorar comigo às escondidas, mas eu não tô tendo tempo para isto, nem idade.
Que chato falar de idade aqui.
***
Tudo está em perfeita paz e harmonia… Mentira, há alguns conflitos internos, mas tudo é bem controlado, além do mais, não para se chegar gente para ajudar na guerra.
A vitória será nossa, eu tenho fé. A parte que me surpreende é que até os insuportáveis da raça Námda aparecem para se juntarem a nós, não sei o que os convenceu, nem quis saber. Eles conversaram com a rainha depois.
***
Os dias correm e eu fico muito entediada, então saio com a Flor e com o Rocadi para explorarmos os lugares do Reino.
Numa bela noite de lua nova, eu vou para um lugar diferente, qual disseram que eu não podia ir porque é Sagrado.
Parece um bosque murado, porém, as árvores estão bem alinhadas, fora que são pequenas comparadas às árvores daquele mundo que são gigantescas, os seus caules tem um formato quase de um corpo humano e na verdade, elas tem rostos, mas parecem que estão dormindo.
Eu fico admirando aquelas árvores peculiares até que alguém me pega de surpresa ao dizer:
— Belíssimas, não são!?
Eu engasgo com a minha própria saliva. O Mandante Isiton aparece, muito sorrateiro. Eu olho para trás e o observo, tão grande, tão bonito. Os seus cabelos verdes-limão crescem.
Ele está sem camisa, tão musculoso, porém, o dispositivo que pode matá-lo está grudado no seu peito, parece uma aranha de metal, e na área do coração tem uma pedra vermelha que parece uma cúpula.
— Isiton, o que está fazendo aqui? Você tem permissão para sair da sua cela? — pergunto impressionada.
Ele pode sair perambulando pelo Reino? Como assim?
— Eu sempre venho aqui, me trás paz, me faz pensar na morte natural qual não verei, sou imortal. De qualquer modo, não posso sair da cela, mas eu fujo todas as vezes.
Ele está me respondendo de uma maneira tão serena. Será que fumou alguma coisa ou está mudado?
— Você podia ter fugido há muito tempo?
— Sim.
— E por que ficou… Ah! — eu imagino a resposta, me odeio agora por ter perguntado.
— Fiquei por você, Rosy de Aster.
Que d***a, ele responde. Mas eu não digo nada, olho para as árvores peculiares e pergunto.
— Por que estas árvores são tão diferentes?
— Rosy de Aster, isto aqui é o cemitério dos árvomes anciões, cada árvore desta foi um árvome que morreu de velhice.
— O quê? Estas árvores são vocês? Por quê?
— Não sabemos ao certo, muitas informações sobre nós estão arquivadas nas bibliotecas dos Árvos em seus Arquipélagos e eles não compartilham. Só sei que quando envelhecemos, nossa matéria muda de uma maneira misteriosa, como se fosse uma metamorfose nas células, e ao sermos enterrados, nossos corpos brotam como…
— Sementes — eu termino a frase.
— Exatamente, todos nós somos sementes. Após a morte, passamos para a próxima fase da existência. Mas isto acontece com os que têm o privilégio de morrer de velhice neste mundo — Isiton suspira, depois olha para a minha barriga.
Eu fico gelada, ele é o pai da minha criança, tenho medo que ele tenha um sentimento de posse sobre nós — acho que já tem. Ele é perigoso, porém, ainda sinto que não é completamente m*l.
Gente, coloquem ele numa prisão mais firme, é pedir demais?
— Eu vou voltar, com licença — sem ter o que dizer, eu me viro para ir embora, mas ele me segue, diz que vai me acompanhar.
E andamos, juntos e calados.
Largados e pelados, era o que eu queria.
***
Quando chegamos ao Castelo, três guardas correm bem atrás de nós e Isiton levanta as mãos em sinal de rendição, ele está acostumado com isto, só que os guardam disparam às pressas para dentro do Castelo, não parece boa coisa, então os seguimos.
Está um alvoroço lá dentro, há muitas pessoas em volta da rainha que segura um objeto estranho, é uma esfera de metal dourada que se expande para todos os lados, cada ponta tem um pentágono que se retrai e volta ao tamanho original.
— Estão todos aqui? — pergunta a Rainha, todo mundo faz silêncio sem mesmo ela pedir. — Árvomes, me ouçam, este mecanismo foi deixado na entrada deste Castelo pelos Árvos, e contém uma mensagem que diz que estão chegando para este Império, e que irá nos exterminar deste mundo. O grande dia está por vir, não temam, nós crescemos e nos fortalecemos e agora é a hora de provarmos que juntos, somos muito mais poderosos…
A Rainha continua falando e o Príncipe Metrim, ao lado dela, me nota e vem andando em minha direção bem irritado.
— Onde você estava com este maldito miserável? — ele se refere a Isiton, o seu ciúme me deixa tão irritada quanto ele, mas mantenho a serenidade.
— Calma, Metrim, estava passeando até que, por um acaso, o encontrei…
— Pensa que sou algum i****a? — ele sussurra, não quer interromper o discurso da própria mãe com aquela conversa, e provavelmente pagaria um mico terrível.
— Metrim, você está passando dos limites. Não somos nada, não temos nada um com o outro, não fale assim comigo.
Metrim desfaz a sua expressão de irritado e fica bastante triste com o que digo, acabo arfando por me arrepender de ter pegado pesado com ele. Ou não.
— Ouviu? — provoca Isiton a rir.
Antes que Metrim possa causar algum alarde, eu digo para Isiton:
— Mas se eu tiver que escolher entre vocês dois, seria o Metrim, não se empolgue.
Metrim sorri para Isiton com todo o orgulho que pôde expressar.
— Rosy — diz Isiton entristecido.
Eu não tenho paciência para estes dois, parecem suas crianças. Vou acabar cancelando os dois por causa desta perturbação.
De repente, a rainha é interrompida, pois, o próprio mecanismo em sua mão começa a fazer um som de bip e vai acelerando.
— O que é que está havendo com esta coisa? — pergunta a Rainha, porém, eu arregalo os olhos.
Se os filmes que já assisti me ensinaram alguma coisa, aquilo é uma bomba.
Por impulso, corro tão rápido em direção à Rainha que quem está na minha frente é afastada abruptamente. Não dá para ser educada.
Assim que me aproximo de Matid, pego o mecanismo e atiro contra a primeira janela que vejo, só que o objeto explode bem na janela e vários escombros e poeira e vidro caem em quem está embaixo.
Todo mundo se joga no chão e os que estão de longe sacam suas espadas a pensar que é algum tipo de atentado.
— Por Virell, o que foi isto? — grita a Rainha no chão.
— Minha mãe — Metrim vem correndo para socorrer Matid.
— Não se preocupe, eu estou bem —, ela olha para mim ao se levantar —, graças a Rosy de Aster. Obrigada, Milady, você salvou a minha vida de novo.
— Aquilo era uma bomba, Majestade — toco no assunto para ela parar de me agradecer.
— Uma o quê?
— Não sei explicar, mas tem muitas delas no meu mundo, contém pólvora dentro, mas não sei se era pólvora que usaram.
— Não faço a menor ideia do que seja pólvora, ou bomba, mas se os Árvos têm este tipo de poder, parece que temos que ir com tudo contra eles. — A Rainha me segura com força pelos ombros. — Rosy, salve-nos, por favor.
O pedido de socorro de Matid toca profundamente o meu coração. Eu fico sem o que responder, não sou a salvadora da pátria, não sou uma super-h*****a, não posso salvar todo mundo, e eu estou grávida.
Em seguida, Matid vai checar se o pessoal está bem, e os meus amigos vêm para o meu lado para me fazerem companhia. A cada dia, fica mais difícil viver aqui.