Vestiu o robe e apertou com força o cinto ao redor do corpo. Correu para a cozinha, abriu a primeira gaveta do balcão, pegou a faca de cortar pão e saiu para o corredor vazio do prédio. Barulhos típicos do cotidiano, televisão, criança chorando, reclamando, ruídos de talheres e cachorros latindo. Tudo abafado pelas paredes. Desceu os degraus sem acender a luz, segurando-se no corrimão. Aspirava o cheiro dele e já não era mais agradável ou sedutor. Era um odor de doença, de obsessão em metástase. Apenas dois andares, cerca de vinte degraus, e encontraria Jacques. Apertou o cabo da faca, engoliu a vontade de chorar e o medo. Medo de deixá-lo solto pela cidade tal qual se deixava um cão com raiva. Medo que voltasse a sua casa. Medo que a loucura o tornasse um homicida. A qualquer momento,

