Lúcio ajeita seu terno e sai pela porta, acompanhado de Margaret.
Lúcio resolveu muitas papeladas que estavam atrasadas, assinou contratos, criou novos contratos e conseguiu ter sucesso em suas reuniões, então foi pra casa com o coração grato e cheio de alegria porque a sua busca pela babá ideal havia acabado.
Passou no mercado e resolveu comprar uma lasanha pronta e congelada para agilizar seu trabalho de não ter que cozinhar naquela noite, pois como o dia havia sido cheio, queria ir o mais rápido possível para sua cama. E chegando em casa, assim que entrou pela porta, a babá Amanda veio em sua direção com uma cara de poucos amigos, e Lúcio ficou bem confuso.
— Boa noite, Amanda. — disse ele em um tom amigável.
— Boa noite? O senhor está brincando comigo? — diz ela com um tom de revolta na voz. — Seu filho é um diabinho em pessoa! Olha, olha aqui o que ele fez comigo. — ela fala e se vira de costas para Lúcio, levantando o cabelo e assim que Lúcio vê que faltava uma parte de cabelo na nuca da babá, sua primeira reação é arregalar os olhos.
— O Ravi fez isso?
— Seu precioso filho não tem mais jeito, ele precisa ir é pra uma escola de boas maneiras, se não, um internato que lá vão colocar ele na linha direitinho.
— Mas eu achei que vocês estavam se dando super bem. — diz Lúcio um pouco decepcionado.
— Achou errado, meu querido. — diz Amanda em tom de ironia. — Eu quero meu dinheiro por hoje pra eu poder ir embora e dar um jeito nisso aqui, e se quer saber, essa é a primeira e última vez que piso nessa casa. — ela fala e olha pra ele com os braços estendidos na direção de Lúcio.
Lúcio, sem demora, se dirige até a sua pasta e pega o dinheiro, o entregando a mulher que logo se despede dele e saiu pela porta da casa, sem olhar pra trás.
Amanda não imaginava que isso iria acontecer com ela, pois já inúmeros anos de experiência com crianças rebeldes, mas Ravi foi a criança mais difícil que ela teve que cuidar em toda sua carreira, e refletindo em seus pensamentos, pôde entender muito bem o motivo pelo qual a outra babá havia dado sonífero para o menino. Saindo dali, Amanda ligou imediatamente para a sua cabeleireira Renata e agendou um horário com ela, porque Renata era sua cabeleireira há anos e sabia cuidar do cabelo de Amanda como ninguém, deixando sempre os resultados de alta performances.
— Renata, só você que pode me socorrer nesse momento.
— O que aconteceu? — perguntou a moça do outro lado da linha.
— Eu vim pra um serviço de babá e não vai acreditar, eu peguei no sono no meio do expediente, e o menino, um diabinho, acabou raspando metade do meu cabelo na parte detrás, na nuca. Será que você pode me ajudar? — pergunta Amanda aflita.
— Deixa eu ver aqui — diz e faz uma pausa. — Eu tenho horário amanhã, às 14h00.
— Marca pra mim, por favor. — diz de uma forma quase que implorando.
— Tá bom. Obrigada!
Ela encerra a ligação, e vai embora.
Lúcio, enquanto isso, vai até seu escritório em casa e começa a fazer suas ligações para Marta, a CEO responsável pela empresa de contratação de babás que ele mais contrava, pois suas 12 candidatas já haviam se esgotado.
— Boa noite, Marta. — diz assim que ela atende.
— Boa noite, senhor Lúcio. Se está me ligando, suponho que das 12 babás, nenhuma delas ficou com a vaga. — diz ela.
— É, Marta. Queria saber se você tem mais indicações que possa me mandar. — diz coçando a nuca.
— Claro, me dê só um minutinho que vou checar no computador. — diz ela e começa a teclar, Lúcio só aguarda em silêncio. — Estou vendo aqui, e vou mandar uma listagem com mais 12 candidatas.
— Ok, muito obrigado, Marta.
— Eu quem agradeço, e desejo que tenha sorte com algumas dessas. Te encaminho a lista por e-mail. — diz ela e encerra a ligação.
Depois disso, ele sai da sala e chama por Ravi, que logo desce as escadas.
— E aí, filho. — diz Lúcio vendo seu filho vim até ele e o abraça pelas pernas.
— Oi, papai. Cadê a Amanda?
— A Amanda foi embora, filho, eu demiti ela. — diz Lúcio, mas sabe que seu filho não vai entender muito o que ele quis dizer com aquilo.
— Ela não vai voltar mais? — pergunta o menino um pouco triste.
— Não. Vem filho, eu vou fazer uma lasanha pra gente jantar hoje. — diz Lúcio indo para a cozinha.
Assim, Ravi o segue para a cozinha, onde Lúcio pega e tira a caixa de lasanha da sacola, ele logo liga o forno e coloca a lasanha lá dentro.
— Vem, filho, o papai vai tomar banho enquanto a lasanha cozinha. — Lúcio diz e segura na mãozinha de Ravi e eles sobem para o andar de cima, onde ele deixa Ravi sentado em sua cama com seu tablet na mão e vai tomar seu banho.
Depois Lúcio já sai vestido do banheiro, e secando o cabelo; vendo Ravi distraído, ele sorri.
— Vamos jantar, filho? — ele pergunta e Ravi já larga o tablet, saindo com o pai para ir jantar.
Eles descem e jantam em silêncio, até que Lúcio vê um e-mail chegar com a listagem das babás. Depois eles escovam os dentes e vão dormir.
(....)
Logo pela manhã, Lúcio acorda ao som estridente do despertador, anunciando que era hora de se levantar, pois hoje sem nenhum tipo de ajuda, teria que se virar para levar Ravi a escola, e pelo horário que o despertador tocou, se ele não se levantasse naquele momento, iriam sair atrasados.
— Filho! — Gritou Lúcio, e para sua surpresa, Ravi já estava acordado e pronto, pois apareceu em sua porta já vestido com o uniforme e segurando sua mochila.
— Oi, papai, estou pronto. — diz dando um sorriso para seu pai.
— Que bom meu filho. — Lúcio diz e já dá um pulo da cama. — Você pode ir lá pro andar debaixo que papai só vai trocar de roupa e já desceu também, tá bom?
— Tá bom, papai. — Ravi responde e sai do quarto.
Lúcio então vai em direção do closet e pega um terno que ele levou recentemente pra uma lavanderia e depois para a passadeira, e o veste rapidamente. Depois ele termina de ajeitar seus cabelos na frente do espelho e recebe uma mensagem no telefone, de Margaret.
Oi, senhor Lúcio, tudo bem?
Bom dia!
Gostaria de saber se posso confirmar as reuniões marcadas para essa manhã?
Bom dia, Margaret.
Já ia até te mandar mensagem.
Remarca pra mim, por favor. Não sei nem se vou conseguir ir pra empresa hoje.
Vou começar mais uma saga procurando uma babá pra Ravi.
Pode deixar, senhor.
Desejo sorte nessa nova jornada, que dessa vez encontre uma moça competente.
Obrigado!
Depois de passar a mensagem, Lúcio desce para o andar debaixo e vê Ravi sentadinho na mesa quieto, apenas o esperando.
— Demorei muito filho? — Lúcio passa por Ravi fazendo um carinho no cabelo dele.
— Não, papai. — Ravi sorri.
— Vou te dar seu café da manhã, mas hoje vamos ter que comprar um lanche pra você levar pra escola no meio do caminho. — diz Lúcio depois de pegar a lancheira de Ravi e ver que estava em cima do balcão e que não havia tido tempo de prepará-la pra ele.
— Tá bom, papai.
Então Lúcio serve o cereal matinal para Ravi, que come em silêncio, e serve para si um gole de café que é a única coisa que ele vai poder tomar agora para não se atrasar. Pouco tempo depois, o despertador da cozinha começa a tocar, mas por sorte, Ravi já tinha terminado de comer, então foi logo escovando os dentes mais uma vez e depois se encontrou com o pai e foram para o carro.
No meio do caminho, passaram em uma padaria e Lúcio comprou mini pãezinhos recheados para Ravi poder lanchar na escola, e também levou um pouco pra ele comer em casa. O restante do caminho até a escola, foi tranquilo e silencioso.