No dia seguinte, logo de manhã, às 06h00min, Clarisse chega na porta da casa de Ravi e Lúcio em seu carro. Ela logo desce e ao ir se aproximando da porta, vê que a casa estava bem fechada, então deduziu que talvez ainda estivessem dormindo, então pegou o telefone e decidiu ligar para Lúcio em vez de tocar a campainha e estragar as últimas horinhas de sono do pequeno.
— Oi, senhor Lúcio, eu já estou aqui na porta. Não quis tocar a campainha para não acordar o Ravi.
— Oi, Clarisse. Aguarda só um minuto que vou descer aí e abrir pra você. — diz e desliga o telefone sem nem esperar resposta dela e Clarisse suspira, ficando de braços cruzados, apenas aguardando por ele.
Minutos depois, é isso que acontece, Lúcio abre a porta para a moça, que logo o cumprimenta com um bom dia e entra na casa, então Ravi desce as escadas ainda sonolento, e coçando os olhos, ainda de pijama, mas isso não o impede de ir correndo até Clarisse e abraçá-la.
— Você voltou! — diz ele eufórico.
— Claro que eu voltei. — ela retribui o abraço dele com um sorriso até o canto das orelhas, e Lúcio só observa com um misto de admiração e choque por seu filho ter se apegado a moça tão cedo. — Agora vamos lá até o seu quarto pra você vestir o seu uniforme da escola, tá bom? — Clarisse fala e Ravi apenas balança a cabeça concordando.
Ele dá a mão pra ela e vai a guiando para o andar de cima, enquanto sobe ela dá uma olhada para Lúcio que sibila para ela ficar a vontade. Assim que chegam no andar de cima, Ravi vai tirando toda sua roupa e sai correndo para o banheiro, Clarisse vai atrás apenas para se certificar de que ele não irá cair ou para o caso de ele precisar de ajuda com o banho. Ravi toma seu banho sozinho, então ela volta para o quarto dele, indo até o closet pegar o uniforme e deixá-lo exposto sobre a cama para facilitar o trabalho. Ravi então chega no quarto.
— Já deixei o uniforme preparadinho pra você!
— Obrigado, babá.
E nesse momento eles escutam do andar debaixo Lúcio se despedindo para ir trabalhar, dizendo para Ravi se comportar.
— Tá bom, papai. — Grita bem alto, sem saber se Lúcio iria conseguir escutar, e Clarisse ri.
— Bom, agora que você já está trocado, vamos lá tomar seu café da manhã. — diz ela indo em direção da porta do quarto e olhando para trás para ver se Ravi a segue, e juntos vão descendo até o andar debaixo.
Depois que Ravi foi deixado na escola, Clarisse voltou para a casa de Lúcio e nesse tempo livre que tinha, ficava conversando com Beatrice e ajudando ela em algumas pequenas coisas, e também organizava o quarto e os brinquedos de Ravi, para que quando ele chegasse, pudesse bagunçar tudo de novo.
Clarisse trabalhava no ramo há muito tempo e soube cativar o menino desde o primeiro momento em que se conheceram, buscando algo em comum com ele, e era por esse caminho que ela continuaria a seguir.
Do outro lado, Lúcio estava bem mais tranquilo de chegar no trabalho no tempo certo e não ter que desmarcar mais reuniões. Hoje ele teria uma audiência com seu mais novo cliente a respeito da guarda do filho, e quando chegou Jonathan, seu cliente, já estava se cansando de andar pra lá e pra cá, mesmo que ainda fosse cedo.
— Ei, eu, segura essa ansiedade, Jonathan. — disse Lúcio entrando na sala de reuniões e deixando sua pasta em cima da mesa, depois se sentou.
— Estou tão nervoso de comparecer perante um juiz. — diz e se senta também para tentar controlar o nervosismo.
— Eu sei que é tenso esse momento, mas você quer ganhar a guarda definitiva do Paulo, certo? — Lúcio pergunta e seu cliente apenas concorda com a cabeça. — Então, só que se o juiz ver que está nervoso, ou se você até gaguejar, isso pode mostrar pra ele que você não é uma pessoa de palavra.
— Eu sei, eu acho que só preciso de alguns minutos. — responde depois de um longo suspiro.
— Tudo bem, mas depois iremos repassar todo o plano e você precisa pensar positivo. Você sabe que são etapas muito importantes.
— Sim. Obrigado! — agradece e nisso Lúcio se levanta e sai da sala, deixando seu cliente lá.
Como Lúcio prometeu que iria dar um tempo para ele, foi cuidar de outros assuntos em sua sala, fez ligações, confirmou contratos e orçamentos, deu uma olhada na casa pela câmera espiã, até que chegasse o momento de falar com Jonathan novamente.
[...]
Clarisse foi buscar Ravi na escola e dessa vez, chegou com um pouco de antecedência e conseguiu encontrar vaga no mesmo lado do passeio da escola. Ela desceu do carro e ficou esperando o sinal tocar, quando tocou, todas as crianças começaram a sair, mas elas não liberaram o menino, pelo contrário, chamaram Clarisse até lá e ela foi um pouco apreensiva dele ter aprontado alguma coisa.
— Oi. — Clarisse disse em tom amigável.
— Oi. Então, queria dar uma palavrinha com você antes de irem embora. — a moça morena disse. — Ravi, você pode ir lá conversar com a tia Sônia um pouquinho? — perguntou, ele concordou e saiu correndo. — Eu sou a Alessandra, e a professora dele, tia Marcelina, me relatou que ele está com dificuldades para fazer amigos na escola, que ele tem se isolado num cantinho e não está conseguindo se enturmar. Aí eu queria saber se você pode estar repassando essas informações para o pai dele. Eu sei que o Lúcio é muito ocupado, mas precisamos nos reunir com ele o mais rápido possível, para discutirmos que medidas tomar para poder ajudar o Ravi.
— Tudo bem, eu vou repassar para o pai dele. — diz com um sorriso amigável.
— Obrigada. — ela se vira um pouco fazendo sinal para Ravi, o chamando de volta. — Prontinho, querido, agora você pode ir. Até amanhã!
— Tchau, tia. — disse e pegou na mão de Clarisse novamente.
Chegando em casa, Clarisse fez tudo que estava na lista e esperou por Lúcio chegar para contar o que tinha acontecido.
— Cheguei. — disse entrando pela porta e ela, que estava sentada no sofá, apenas se virou pra ele, enquanto Ravi vinha abraçar seu pai.
— Senhor, precisamos conversar. — Clarisse toma coragem.
— Filho, você pode esperar o papai lá em cima? — Lúcio pergunta e Ravi nem fala nada, apenas sai correndo e sobe. Lúcio chega mais perto do sofá e se senta no braço dele, encarando Clarisse. — O que ele fez dessa vez?