~ Francis ~
Estou sentindo meu mundo romper mais uma vez.
Quando saímos essa manhã, nunca imaginei que o destino iria brincar com a minha vida novamente. Eu estava tão feliz porque depois de tanto tempo, tínhamos um tempo livre. Nunca imaginei que isso poderia ocorrer. E no momento seguinte, entendi o porquê fiquei incomodado com a presença de Thomas dias atrás.
Agora parece que meu corpo está preso e não consigo desvencilhar do que está diante de meus olhos.
- Você é meu Destinado, meu Alfa. - Thomas dizia, enquanto tocava em Oliver.
"Pare de tocá-lo! Pare de tocá-lo!"
Eu gritava em minha mente, mas não conseguia fazer a minha voz sair. Eu estava em choque e sentia as lágrimas se acumularem em meus olhos. Eu preciso sair desse torpor! Eu preciso sair daqui agora!
Por fim, as lágrimas rolaram por meu rosto.
Noah se aproxima de mim, segura a minha mão e seu toque me faz voltar a realidade. Olho para ele, e lembro do dia que o vi se entregar a Ewan na Cerimônia Real. Naquele momento, os olhos de Noah não enxergavam nada além do prazer que sentia ao se entregar para Ewan. Era uma face dele que eu desconhecia.
Eram esses mesmos olhos que Thomas olhava para Oliver agora.
Não podia mais suportar! Por que nasci um maldito Beta?!
Domado por meu desespero, consigo fazer meu corpo reacionar e saio da sala correndo. Eu preciso clarear minha mente! Eu preciso sair daqui!
Escuto Noah e Anthony me chamar, mas eu não queria ouvi-los. Só queria ficar sozinho e pensar em como iria sair dessa situação.
Passo pelo pátio do orfanato correndo, com as lágrimas rolando por meu rosto sem controle algum. Entro em uma carruagem e peço para seguir o mais rápido possível. Quero ficar longe desse lugar!
Minha mente está tão fora de si, que não me dou conta quando chegamos ao Palácio. Rapidamente vou para o meu quarto e me tranco lá. Preciso me acalmar, mas não estou conseguindo. Eu preciso pensar o que fazer agora, mas meu coração dói tanto.
Não muito tempo depois de chegar, escuto alguém bater na porta.
- Francis, sou eu! - A voz que está do outro lado da porta é de Anne. - Eu vi você correndo e fiquei preocupada... Posso entrar?
Abro a porta, e quando me deparo com o rosto ansioso dela, volto a chorar.
- Francis! Pelos deuses! O que está acontecendo?
Conto tudo o que aconteceu no orfanato e ela me escuta com atenção, me deixando desabafar tudo que estava preso dentro de mim.
Anne tem sido minha ouvinte nos últimos três anos. Mesmo que nosso relacionamento não tenha dado certo, nos tornamos confidentes um do outro. Ela sabe dos meus medos, da minha insegurança e do tanto que sofri por Noah.
Depois que desabafo tudo e as minhas lágrimas já cessaram, Anne me observa e solta um leve suspiro.
- Francis, não acredito que você fugiu e não deu a chance de Oliver falar o que está sentindo também. - Anne segura a minha mão e a aperta carinhosamente. - Eu sei que você está com medo, mas fugir não é a solução. Você tem que deixar o seu passado para trás.
- Eu não consigo, Anne! Meu coração dói só de lembrar daquele garoto tocando em Oliver, desejando ele... Eu não consegui pensar direito... Eu sabia que isso poderia acontecer, mas no fundo eu não queria acreditar que haveria um Destinado para ele. No meu coração, eu seria o seu Destinado, mesmo sendo um Beta.
- Você tem que conversar com Oliver. Os dois já estão juntos há muito tempo, vai deixar um garoto que surgiu do nada ditar as regras do que sentem um pelo o outro? Oliver ama você! Se não o amasse tanto, não seria tão persistente, mesmo você fugindo dele o tempo todo. Francis, eu sei que você também o ama. Não seja teimoso!
- Eu não consigo evitar de comparar a perda que tive com Noah e a situação de agora. Não estou conseguindo pensar direito. Você não está errada quando diz que eu o amo. O amor que sinto com ele é um sentimento diferente do que tinha por Noah. Nosso relacionamento é mais maduro, mais afetivo. Oliver consegue me fazer esquecer os problemas quando estou com ele, mas o medo de um dia ele me deixar, sempre me deixou ansioso.
- Francis, o que você precisa fazer é dizer tudo isso que está me falando para o Oliver. Esquece o passado. Enquanto você continuar comparando os relacionamentos que teve, você vai deixar escapar o homem que ama. Está na hora de superar Noah de uma vez por todas!
Fico pensando nas palavras de Anne, e decido que vou procurar Oliver. Não posso continuar fugindo.
- Obrigado por me ouvir, Anne. Vou procurar Oliver à noite e esclarecer as coisas.
- Espero que vocês consigam passar por esse obstáculo. - Ela diz com carinho, mas no meu coração, sinto que não será tão fácil.
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Passei o resto do dia pensando na situação que se formou. Noah chegou a vir me visitar e me contou o que houve depois que eu fugi. Oliver estava descansando depois de tomar algum supressor de feromônios, já que Thomas tentou atraí-lo. Anthony conseguiu afastar Oliver dele, e logo depois foi colocado em uma carruagem de volta ao Palácio. O cenário era pior que eu imaginava.
Fui andando até o quarto de Oliver e quando cheguei na porta, senti minha coragem ir embora. O que estava me aguardando? Oliver ainda me amaria?
Tentando colocar todos esses sentimentos em ordem, finalmente entro no quarto. Oliver estava adormecido, mas quando parece que sente a minha presença, ele desperta.
- Francis... - Ele estende a mão para mim, e eu vou em sua direção.
- Como você está? Noah me contou que você precisou tomar uma supressor.
- Estou um pouco tonto e enjoado, mas irei ficar bem. - Oliver se senta, e eu o ajudo a se ajeitar nas almofadas, quando de repente sinto seu toque em meu rosto.
- Francis, eu quero que saiba que o que aconteceu hoje, não muda o que sinto por você. Aquele Ômega não significa nada para mim.
Eu quero acreditar nessas palavras. De verdade, eu quero.
- Tudo bem. Daremos um jeito no que fazer, mas hoje não quero mais tocar nesse assunto.
Me aproximo de seu rosto, e o olho no fundo do mar que são seus olhos. Tento guardar na memória de como esses olhos me observam e de como me deixam extasiados. Depois direciono meu olhar para seus lábios e finalmente o beijo.
Oliver parece surpreso com o meu movimento inesperado, mas retribui meu beijo e me arrasta para seu colo. Não demora para que estejamos absortos em nossos desejos e totalmente entregues as nossas carícias.
- Francis, você é o único homem que amo! Não desista de nós...
- Eu também te amo muito, Oliver. Não vou desistir...
Oliver sorri com a minha declaração, e depois me dá um beijo apaixonado. Suas mãos vão descendo por meu abdômen até chegar no meu m****o. Estremeço com o seu toque e solto um leve gemido. Oliver vai aumentando a intensidade, e quando estou prestes a gozar, ele para. Me sinto levemente frustrado, mas não demora muito porque logo em seguida, Oliver começa a estimular minha entrada, e eu me agarro a ele, ofegante.
- Aaah, Oliver... Aaaah! - Gemo, chamando por ele.
- Francis, te desejo tanto! Eu te amo!
Minha cabeça começa a ficar em branco, conforme ele continua a estimular meu corpo.
- Oliver... Eu quero você... - Digo com a voz embargada de desejo. Oliver então se aproxima de mim, levanta minhas pernas e as apoia em seus ombros.
- Vou entrar. - Ele diz e logo depois, sinto seu pênis entrando lentamente dentro de mim.
Meu corpo se arrepia todo ao senti-lo dentro de mim. Espero um tempo para me acostumar e em seguida, movo meus quadris. Essa é uma parte que sempre amei em nossos momentos. Oliver nunca foi abusivo quando fazíamos amor. Sempre foi carinhoso e deixava eu guiar os nossos movimentos para ganhar confiança. Hoje ele parecia muito mais carinhoso que de costume. Isso me deixa feliz.
Puxo Oliver para um beijo, deixando todos os meus sentimentos fluírem por esse pequeno gesto, mas carregado de significado.
Oliver parecendo entender, junta mais seu corpo ao meu e eu sinto as batidas de seu coração. Ele aumenta a velocidade de seus movimentos, e eu arqueio meu corpo, ansiando por cada investida dentro de mim.
- Aaaah... Eu vou... - Grito, já no ápice da minha luxúria e g**o com força.
Oliver continua se movendo alucinadamente, até que sinto seu orgasmo dentro de mim. Quando ele termina de derramar seu sêmen, Oliver desaba ao meu lado e me puxa para que eu apoie minha cabeça em seu peito.
- Eu amo você, Francis. - Ele acaricia meus cabelos, e sinto o sono me dominar.
- Também amo você. - Respondo a ele, antes de adormecer.
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Acordo horas depois e olho pela janela. Ainda é madrugada.
Observo Oliver dormir profundamente e acaricio seu rosto. Depois, me levanto devagar para não acordá-lo, me visto e antes de sair do quarto, o olho uma última vez.
Uma lágrima desce por meu rosto e a seco rapidamente.
- Espero que um dia você possa me perdoar. Eu te amo.
Saio do quarto e fecho a porta atrás de mim.