~ Oliver ~
Depois de passar o dia treinando o príncipe Elliot, decido passar pelo quarto de Francis para vê-lo. Noah tinha me dito mais cedo que ele tinha ido visitar Anthony no orfanato da cidade.
Prezo bastante a amizade dos dois por sempre achar que Francis se segura muito na amizade que tem com Vossa Majestade. Por mais que o que tenham vivido estivesse no passado, ainda sentia um pouco de ciúmes. Sempre que havia algum problema, Francis nunca corria para mim, ele sempre procurava Noah.
Teve momentos em que achei que Francis era muito dependente de Noah, como se precisasse da permissão ou consentimento dele para poder tomar qualquer tipo de decisão. Por vezes, isso me magoou, mas com o tempo percebi que não deveria pensar muito a respeito e fui deixando de lado.
Abri a porta lentamente, pois não sabia se estaria concentrado em algo.
Para minha surpresa, ele estava dormindo profundamente por cima dos lençóis e ainda vestido. Devia estar tão cansado, que esqueceu até mesmo de tirar as botas.
Me aproximo dele e dou um leve beijo em seus lábios. Francis percebe e abre os olhos lentamente.
- Oi... - Ele me cumprimenta com a voz rouca de sono, e sorri.
- Oi, meu amor. - Acaricio seus cabelos com carinho. - Acabei de chegar do treinamento. Como foi com Anthony?
Francis se levanta preguiçosamente.
- Oh, ele está bem. As crianças o adoram! Fico tão feliz de poder ajudá-lo. Aliás, você estará livre no próximo final de semana?
- Hum... Pelo que lembro, não terei nenhum compromisso. Por que?
- Anthony está organizando um evento no orfanato. Ele diz que é para arrecadar fundos, mas sei que ele quer animar as crianças e dar um dia especial para elas. Eu gostaria que você me acompanhasse, e também estou pensando em falar com Noah para levar os gêmeos. Acho que seria bom eles conviverem com crianças da idade deles e assim já se familiarizarem com o povo. O que acha?
Francis está animado como não vejo há muito tempo, mas o ciúme que de vez em quando me ataca, estava querendo dar as caras.
- Acho que é uma ótima ideia, meu amor. Vai ser divertido! - Respondo para ele, e Francis dá um longo sorriso.
- Estou animado! Faz muito tempo que não nos divertimos todos juntos. Vai ser bom um dia de folga. - Ele se espreguiça mais uma vez e se levanta da cama. - Vou tomar um banho para relaxar. Me acompanha?
Francis me olha tímido, esperando a minha resposta. Me levanto também e dou um beijo apaixonado em seus lábios. Enquanto acaricio seu rosto, sinto seu rosto se incendiar. Lentamente, vamos nos despindo pelo caminho em direção ao banheiro.
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Os próximos dias que se seguiram foram bastante agitados, então quando chegou o dia do festival no orfanato, estavam todos animados.
Um esquema de segurança foi montado para que Vossas Majestades pudessem comparecer ao evento. O príncipe Elliot estava alegre, mas a princesa Cecilie estava nas nuvens de poder conhecer crianças da idade dela. Era compreensível tal comportamento, pois o príncipe ainda convivia com crianças de idades variadas, graças ao treinamento que estava tendo, mas ela passava a maior parte do tempo com tutores.
Noah tinha um cuidado excessivo com os gêmeos. Para ele aceitar o treinamento do príncipe, Ewan teve bastante trabalho em convencê-lo, o que depois gerou uma grande dor de cabeça, pois Cecilie ficou indignada com o tratamento diferenciado para o irmão. Como são muito unidos, ela deixou de lado e depois descobri sem querer, que o príncipe estava ensinando tudo que aprendia para a irmã. Ewan que já sabia desse fato, pediu que eu não contasse nada a Noah.
Impossível não olhar as crianças e não verem Noah e Ewan espelhado neles.
- Oliver. - Francis toca meu ombro e olha carinhosamente para os gêmeos. - Eles são tão graciosos, né?
- Nossos filhos também serão. - Respondo ele e o sinto apertar levemente o meu ombro.
- Não vamos entrar nesse assunto novamente. Não hoje, por favor? - Francis me olhava atento, esperando minha resposta. Assinto só por não querer destruir sua felicidade. Depois que concordei, seu sorriso doce retornou ao seu rosto.
Subimos nas carruagens que seguiriam ao orfanato e não muito tempo depois, chegamos ao nosso destino.
O orfanato estava bastante agitado e não demorou muito para que os gêmeos se soltassem, para desespero de Noah. Enquanto Ewan tenta acalmar um ansioso Noah, Francis e eu vamos à procura de Anthony. Não demora muito e o encontramos rodeado de crianças.
- Vocês vieram! Estou tão feliz! Que honra poder ter a visita da Família Real! - Anthony diz animado, depois de todos o cumprimentarem.
Entramos em uma conversa alegre, enquanto Anthony conta sobre os planos que tinha para o orfanato. Estou realmente impressionado de como a fisionomia dele havia mudado depois do que aconteceu com Nathan.
Francis não sabe, mas mantenho algum contato com Nathan e sei que vive fora da Capital com o seu atual marido. Há pouco tiveram um filho, mas não via um semblante feliz nele com a nova vida. Sempre perguntava como Anthony estava.
Por conhecer a história trágica dos dois, via que nem sempre o laço do Destino era algo feliz, por isso sempre detestei a ideia de ser ligado por alguém que não conheço, simplesmente porque um laço invisível os uniu.
Enquanto conversamos, de repente sinto um m*l estar e um aperto no meu coração.
- Está tudo bem? - Francis percebe.
- Estou sim. Não se preocupe. - Sorrio para ele, mas na verdade estou soando frio. Francis continua me observando. Ele sabe que estou mentindo.
Todos percebem que algo está errado comigo, e Anthony sugere que eu descanse um pouco no escritório, que ele iria providenciar alguém para me levar algum chá. Francis e Noah me acompanham porque começam a ficar preocupados com o meu estado.
- Oliver, você está pálido! Não seria melhor chamar um Curandeiro? - Noah diz.
- Não precisa. - Eu digo, tentando acalmar os ânimos. - É só uma breve indisposição. Não há porque se colocarem em alerta.
- Será que é seu RUT se aproximando? - Francis continua tentando adivinhar meu m*l-estar. - Mas pensando bem, seus ciclos são de três meses... Ainda falta.
De repente, alguém bate na porta e Anthony pede para a pessoa entrar na sala. Me sinto mais inquieto que antes e agora percebo um aroma que não havia sentido até então. Eram feromônios de algum Ômega.
A porta se abre, e o cheiro se intensifica.
- Oh, Thomas! Que bom que trouxe o chá. Pode deixar... - Anthony para de falar. - O que está acontecendo?
Me viro em direção ao aroma que começa a deixar minha mente em branco, e me deparo com um jovem que aparentava ter uns 17 anos. Seus cabelos eram de um dourado resplandecente e os olhos violeta pareciam um imã que me atraía a ele.
O garoto me via com os olhos arregalados e suas mãos tremiam, segurando a bandeja que por fim, veio ao chão. O barulho da bandeja caindo, chamou a atenção de todos que estavam na sala. Dirigi meu olhar para Francis, e a cor tinha fugido de seu rosto.
- Eu conheço esse olhar... - Francis sussurrava.
Seus olhos já estavam vermelhos, e parecia que a qualquer momento iria desmoronar. Quando pensei em segurá-lo, o aroma que já estava forte, ficou mais intenso e chamou a minha atenção mais uma vez. Demorei para perceber que os feromônios que sentia eram do garoto que estava ofegante e se aproximava de mim. Ele consegue chegar perto, e de repente, toca meu rosto.
- Finalmente te encontrei. - O garoto dizia.
- Você deve estar me confundindo. Nunca nos vimos antes... - Eu respondi, mas a minha cabeça parecia dizer o contrário. Tenho a sensação que sempre o conheci.
Ele sorria para mim, roçando seus dedos em meu rosto.
- Eu pertenço a você. Sou seu Ômega Destinado, meu Alfa.
Nesse momento, sinto meu mundo se despedaçar.