Capítulo 3

1601 Palavras
~ Francis ~ Depois daquela conversa que tivemos, tenho andado bastante pensativo. Eu tenho a certeza que amo Oliver, mas não tenho a certeza de quanto tempo nossa relação durará. É normal me sentir ansioso e inseguro. Amei Noah com todas as minhas forças até o último momento e mesmo assim, saí lastimado. Na época, sabia que era muita pretensão querer ser feliz com um Ômega Dominante, sendo eu apenas um Beta. Quando Oliver surgiu, tinha acabado de ter meu coração despedaçado mais uma vez. Com o desaparecimento de Ewan, criei a ilusão de que poderia me aproximar de Noah mais uma vez e pedi mais uma chance de recomeçarmos. Um grande erro. Tive que me dar por vencido e finalmente deixar o passado para trás. Demorou ainda pelo menos 1 ano até deixar meu coração viver novamente, e passei a ter uma relação mais intensa com Oliver. Comecei a acreditar de verdade que poderia ter uma família com ele. Até que um certo dia, o RUT dele começou e eu como Beta, não consegui suprir as necessidades dele. Senti um grande vazio, e a minha insegurança retornou com força total. Não demorou muito e eu já estava procurando pelo Reino, pessoas que teriam o mesmo problema que eu. Infelizmente, não encontrei boas notícias. A maioria dos relacionamentos entre Alfas e Betas, ou davam errado depois de um certo tempo, ou tentavam por anos ter um filho. Como é de conhecimento de todos, Betas podem engravidar, mas são extremamente raros e geralmente é uma gravidez de risco. Os deuses me odiavam. Nessa jornada em encontrar uma solução para meu problema, encontrei um Beta chamado Anthony que vivia com um Alfa por alguns anos. Eles estavam tentando ter um filho sem sucesso, mas isso não os deixavam desanimar. Eram muito felizes juntos, e diziam que se não conseguissem ter um filho biológico, iriam tentar a adoção. Passei a ser muito íntimo deles e os visitava com frequência. Um dia, fui até a casa deles e o ambiente estava estranho. Bati na porta e ninguém respondeu. Continuei achando a situação estranha e entrei na casa. Quando cheguei na cozinha, encontrei Anthony caído no chão e uma poça de sangue estava em volta dele. Gritei desesperado por ajuda e consegui salvá-lo. Quando ele voltou aos sentidos, perguntei o que havia acontecido. Ele me deu um sorriso carregado de dor e tristeza. As lágrimas desciam quando ele disse: - Nathan foi embora... Ele encontrou seu Ômega destinado... Ele foi embora, Francis! Ele me contava que não viveria em um mundo que não tivesse Nathan em sua vida e por isso decidiu tirar a própria vida. Eu entrei em choque. A história dele mexeu com a minha cabeça e a possibilidade de Oliver um dia também me deixar, como Noah me deixou, aumentou mais ainda meu medo. Eu não aguentaria perdê-lo também. Quando consegui por meus sentimentos em ordem, decidi que não iria ir contra o destino. Caso aparecesse o Ômega Destinado de Oliver, eu iria me afastar e deixá-lo ser feliz, assim como fiz com Noah. Assim que decidi isso, Oliver começou a propor casamento. Estava nas nuvens e feliz com o seu pedido, mas não voltei atrás em minha decisão e recusei o pedido. Oliver ficou devastado, mas não desistiu e passou os anos seguintes renovando o pedido. Eu não quero correr esse risco, mas o meu coração já dói só de pensar em Oliver com outra pessoa que não seja eu. Às vezes, sinto que estou dando várias voltas e entrando em contradição, mas estou tão perdido que não faço ideia do que fazer. - Tio Francis! Tio Francis! De repente, escuto uma voz que geralmente aquece meu coração. Quando olho para trás, encontro a pequena Cecilie correndo até mim e Noah vindo logo atrás. - Alteza, não pode correr assim pelos corredores. Lembre que você é uma lady e exemplo para outras meninas. Mesmo chamando a atenção dela, dou um abraço apertado e vários beijinhos em seu pequeno rostinho. Cecilie sempre foi apegada a mim desde o nascimento. Nunca entendemos como essa conexão é tão forte. - Tio Francis! Eu também quero aprender a usar uma espada! Porque só Elliot pode? - Apesar da idade, Cecilie e Elliot são muito avançados. Com 1 ano de idade, já diziam várias palavras, e agora aos 3 anos, já agiam como uma criança de 5 ou 6 anos. Era surpreendente. Olhei para Noah, e ele deu de ombros. Cecilie era a princesa-herdeira, então suas lições eram diferentes das de Elliot. Ela está sendo treinada para ser a futura Rainha de Áquila, e seu irmão irá seguir os passos de Ewan e cuidar da Guarda Real. - Ela cismou com isso nos últimos dias. Não que eu ache errado, mas não fico muito confiante com Cecilie se arriscando desse modo. Não sei quem ela puxou essa teimosia. Olho para Noah, e sorrio ironicamente. - Jura que você não faz ideia de quem ela puxou esse gênio? Noah, acho que você está exagerando na proteção com ela. Se me lembro bem, você dava vários sustos nos seus pais. - É diferente... - Noah abaixa a cabeça e eu o observo por alguns minutos. Depois do que aconteceu com Ewan na queda de Crowley, Noah se tornou superprotetor com a criação dos gêmeos. Ele temia constantemente sobre a segurança deles e as pessoas que cuidavam das crianças, passavam por um rigoroso treinamento para conseguir a confiança dele. A única que foi aliviada dessa pressão foi Elysie, por Noah confiar muito em Oliver e em sua família. De repente, Noah muda o rumo da conversa e me pergunta aonde estava indo. - Vou ao orfanato visitar Anthony. Lembra dele? - Sim. Eu lembro que você contou a história dele. Ele já está melhor? - Se recuperando. Acho que estar a frente dos cuidados das crianças do orfanato o fez voltar à vida. Depois que Anthony se recuperou de seu quase suicídio, propus à ele que trabalhasse em um dos orfanatos que administro. O sonho de Anthony era ter um filho com Nathan e agora que esse sonho não era mais possível, seria uma oportunidade dele indiretamente, ter um pouco dessa esperança ainda. Surpreendentemente, Anthony iluminou o lugar e as crianças o adoram. Converso com Noah e mimo mais um pouco Cecilie, depois sigo meu caminho em direção ao orfanato. Chegando no orfanato, encontro Anthony rodeado de crianças. Assim que ele me vê, dá um largo sorriso e vem em minha direção. - Francis! Que bom que veio! - Sua alegria era contagiante. - Fico feliz de ver você tão bem, Anthony. Já parece outra pessoa. - Devo tudo à você. Não sei o que teria sido de mim sem a sua ajuda. Mas vamos ao escritório conversar em particular. Também quero falar sobre o festival que estamos planejando para arrecadar fundos. Estou tão empolgado! Nos dirigimos ao escritório e Anthony foi me atualizando de todos os detalhes para o festival. Depois de colocarmos essa parte da conversa em dia, ele me pergunta de como anda meu relacionamento com Oliver, e vou desabafando minhas angústias. Anthony meio que sente culpa por todas as dúvidas que surgiram em meus pensamentos devido ao que aconteceu. Ele realmente acredita que Oliver e eu fomos feitos um para o outro e que eu estou desperdiçando um tempo valioso com tanta paranóia. De verdade, eu o admiro por tudo que passou e ainda assim, continuar acreditando no amor. - A única coisa que não entra na minha cabeça, é como você consegue viver no mesmo teto que seu ex-amante. Percebo que você é emocionalmente dependente do Rei ainda. Não seria melhor mudar de ares? Agora que esse fato foi mencionado, percebo que o que Anthony diz não está errado. É verdade que boa parte do meu tempo é dedicado a Noah, mas sempre achei normal já que sou Conselheiro Real dele. Nunca tinha pensado nisso. Enquanto minha cabeça fica pensando nisso, escuto uma batida na porta. Anthony autoriza a entrada e logo surge um lindo jovem, porém tímido. Percebo que carrega uma bandeja com chá e duas xícaras. - Francis, deixe-me apresentá-lo. Este é Thomas. O cumprimento, e ele educadamente me responde. Fico impressionado de como se porta. A primeira coisa que você repara de cara, são seus belos olhos violetas. Uma cor bastante incomum, o que me faz questionar de como um Ômega de alta classe veio parar em orfanato. Thomas apoia a bandeja na mesa e se despede com um breve aceno. Acho que deixo transparecer minhas dúvidas, pois logo Anthony conta a história de Thomas. - Thomas é o filho fora do casamento de um dos Barões mais influentes da Capital. Ele chegou aqui tem 1 mês, depois da morte de sua mãe. Claro que o Barão não quis assumir a criação do menino e como ele não tem parentes próximos, ele veio parar aqui. É um menino muito doce, mas bastante retraído. Anthony continua contando a história de Thomas, e por algum motivo, me sinto incomodado. É como se algo dentro de mim gritasse vários avisos. Não me lembro de ter sentido isso antes na minha vida, e acabo me sentindo m*l por ter esse pensamento de um garoto que perdeu tudo em tão pouco tempo, e não tem mais ninguém em quem se apoiar. Depois de me despedir de Anthony, volto para o Palácio e fico pensando no que ele me disse sobre a minha dependência emocional de Noah e tento entender o porquê me senti incomodado com Thomas. Por fim, acabo adormecendo depois de tentar entender meus sentimentos conflituosos.
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