Termino meu banho, olho para a garota loira deitada na cama, ela parece exausta, tanto que pegou no sono. Começo a vestir minhas roupas.
— O que você está fazendo?— A loira acorda.
— Indo pra casa. — Digo calçando as botas.
— Então as histórias são verdadeiras.— Ela se senta na cama. — Um sexo* maravilhoso, que você nunca vai esquecer, e depois ele vai embora sem nem olhar para trás.
— Eu prometi que ia te comer direito, isso eu fiz muito bem, não falei nada de ligar no próximo dia.
— Não sou do tipo grudenta.— Ela sorri com malícia.— Mas se quiser repetir, fico a disposição.
Ela parecia ser esperta, sabia que odiava mulher no meu pé.
— Se vemos por aí.— Coloco minha jaqueta.
Desço para a garagem do Continental, procurando minha moto. Sempre tem quartos reservados apenas para mim e meus primos, minha mãe não gosta de estranhos em casa, fora de cogitação levar garotas para lá. Sem falar que não gostaria de alguém bisbilhotando meu quarto, nem os rapazes gosto que entrem lá.
Subo na moto, coloco o capacete, como é primavera na Rússia é o clima perfeito para andar de moto. Dou a partida, antes de ir para minha casa dou uma volta pela cidade.
[...]
Acordo com uma batida na porta, deve ser o Roman me aloprando por não ter levantado. Olho no celular e já passa das sete e meia, costumo levantar sempre cedo para treinar, a não ser que tenha bebido demais. E para o álcool me derrubar tem que ser muito mesmo.
Desço as escadas para o café da manhã, vou apenas com a calça de moletom que usei para dormir. Quando chego na sala de jantar todos já estão ao redor da mesa.
— Dá pra colocar uma camisa.— Minha mãe diz ao me ver.
— Todos aqui já me viram sem camisa.— Digo sem dar muita atenção.
Ao sentar na mesa percebo que temos visitas, Zayn e Sophie estão aqui. Tinha esquecido que ele viria para dar uma olhada nas papeladas do Continental, mas ela não esperava a ver por aqui.
Durante todo café da manhã o assunto sobre os negócios foi pauta. Nossa família está desfalcada, tio Vlad e tia Layla estão na América lidando com a expansão comercial, já tio Klaus está na divisa com a Bratva, já faz algum tempo que ele divide seu tempo entre aqui e lá, já que tia Helena é herdeira daquela região. Somente tio Serguei e tia Nathália continuam aqui. Mas meus primos ainda moram todos aqui, nosso Dom nos acha muito jovens para dar tanta liberdade para nós.
Não que a casa esteja vazia, apenas era acostumado a ter mais gente aqui.
Depois do desjejum, minha mãe faz uma reunião com Zayn e Sophie, eu acompanho tudo como próximo Dom. Essa parte é chata pra c*****o*, não sou conhecido por ter muita paciência.
Meus olhos se fixam em Sophie, ela está sentada bem na minha frente e não para de girar os anéis nos dedos. Mesmo conhecendo ela à uns quinze anos, não sei muito dela.
Sophie nunca gostou de mim, estava praticamente tatuado na testa dela o medo que sentia pela minha pessoa. Nunca me importei muito com os que os outros pensam sob mim, mas me incomodava os olhos de Ratinha assustada que ela tinha toda hora que olhava para mim.
Eram puro medo.
Acho que a primeira interação de verdade que tive com ela foi naquele passeio de carro. Teve outra vez que dancei com ela, mas a Ratinha estava tão assustada que nem falou nada.
A mais nova dos D'Angelo tem traços delicados, os cabelos castanhos cacheados na altura dos ombros reforçava sua aparência angelical. Ela tinha olhos grandes esverdeados , que dobravam de tamanho quando olhavam para mim, uma boca pequena e carnuda.
Mesmo Sophie não fazendo meu tipo para mulheres tinha que admitir que ela era muito bonita.
Minha preferência é por mulheres mais carnudas, se é que me entendem, e ela era bem magrinha.
Também não sou chegado aos costumes de Reinier e Oliver, me interessando pelas irmãs dos meus amigos. Acho isso muito estranhos, as meninas D'Angelo são como os rapazes para mim.
— Sophie...— Minha mãe está com uma expressão séria.— Você sabe que o Continental é essencial para a Máfia Vermelha e para os negócios da Tríade.
— Sei sim, tia.— Sophie parece inquieta.
— Dmitri que está administrando o hotel, mas ele é consigleire, embreve não terá mais tempo para isso. Preciso de alguém de confiança para tomar conta do hotel, alguém que tenha a cabeça no lugar. Já havia falado com Aurora, ia esperar mais perto de sua formatura para conversar sobre isso. Só que sua vinda para cá, acabou gerando a oportunidade perfeita.— Vejo nos olhos de minha mãe como o assunto é sério.— Quero que você fica à frente do Continental, Sophie.
Uma ratinha no meio das cobras? Chega ser hilário.
Os olhos de Sophie se arregalam, posso ver as engrenagens em sua cabeça se movimentando com todas as possibilidades. E no final uma cara de pavor.
Continental era da família Wallerius, mesmo a grande maioria das pessoas não sabendo disso.
Isso significava que teria que conviver com nós, bem mais do que ela gostaria.
— Tia... obrigado pela confiança, mas tem certeza?— Ela volta a girar o anel impaciente em seu dedo.
— Isso seria apenas depois de você se formar, tem alguns anos ainda. Claro que você pode dizer não.— Minha mãe nota sua insegurança.
A Ratinha baixa a cabeça, ela olha para o chão. As vezes queria saber o que se passa pela cabeça dela.
Ela vai negar o pedido.
— Me sinto muito honrada, espero não a decepcionar, tia Ava.— Abre um pequeno sorriso.
Por essa eu não esperava.
— A Tríade tem que continuar unida quando eu, Aurora e Emma não estivermos mais à frente. Sei que você é muito competente, foi criada pela Aurora.— Minha mãe põe um sorriso de lado.
Depois disso Zayn e Sophie vão para o Continental, minha irmã os acompanha. Aproveito para checar algumas embarcações no porto. Alexei vai comigo.
— Chegou umas garotas novas na boate.— Alexei coloca o cigarro na boca.
Ele me alcança o maço, repito seus movimentos colocando fogo na ponta.
— Acho que vou passar hoje.— Solto a fumaça.— Quero me inteirar da situação do Continental, Anya ficou de me atualizar hoje à noite.
— Está tentando parecer responsável aos olhos da tia.— Alexei coloca seu sorriso zombeteiro.
Minha mãe tinha deixado claro que não me daria o posto de Dom tão cedo.
Todas as vezes que saio para reunião ou festa diplomática termina m*l. Normalmente eu acabo coberto pelo sangue de outra pessoa.
— Não amola, Alexei.— Digo entre dentes.
— Falando do Continental, a princesinha da Itália nunca tinha vindo sozinha pra cá sem os pais.
— Porque esse interesse na Sophie?— Arqueio a sombrancelha.
— Só estou dizendo...— Alexei sorri de lado.— Você que conhece melhor os D'Angelos, qual é a dela?
— Sophie gosta de mulher.
Meu primo para por alguns segundo para depois soltar uma gargalhada.
— Roman não tem sorte mesmo.— Dá uma tragada.
— O que Roman tem haver nessa história?
— Ele estava toda caidinho pela menina.
— Avisa pra ele ficar longe, se a mãe pegar ele tentando algo indecente, corta o p*u dele fora. — Jogo a bituca no chão pisando encima.
A Ratinha já tinha medo de nós, se Roman tentasse algo, capaz dela sair correndo.
Por garantia melhor ficar de olho no quarto dela.
— Nossa, não precisa dessas ameaça.— Alexei termina seu cigarro também.
— Tem certeza?
— Não disso tudo. Roman não é tão burro.
Assim eu espero.
— Numa coisa tenho que concordar, ela é uma gracinha.— Alexei sorri.
— Ela continua gostando de mulher, não faça avisar de novo para ficar longe.— Digo irritado.
— Isso é ciúmes, Damon Wallerius?— Zomba de mim.
— Sim, estou morrendo de ciúmes.— Entro na brincadeira.— Se você ou o Roman chegar perto da Ratinha, vão precisar de uma plástica.— Ameaço.
Alexei explode numa gargalha, põe as mãos na barriga de tanto que ri.
Mais fácil o inferno congelar do que eu me apaixonar um dia.
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