Antônio estava desesperado por falta de notícias da filha, ela nunca se atrasava e nem chegava tarde em casa, não era do feitio dela, ainda mais sem avisar.
Quando ligou para a empresa e para a faculdade e disseram que ela já havia saído há algum tempo ele ficou ainda mais receoso, onde estaria sua filha e por que ainda não chegou em casa até agora ?
Sua última esperança era Aníbal seu afilhado, ligou para ele inocente e sem saber que o sumiço dela era obra dele.
__ Padrinho?
Aníbal estava com a voz carregada de culpa ao atender o celular, pálido e com as mãos sujas de sangue ainda, tentou ao máximo fingir naturalidade.
__ Oi meu filho, desculpe esse velho lhe perturbar, mas eu estou preocupado com Eva, ela não chegou e não está no trabalho e nem na escola dela, já é tarde e ela nunca faz isso, aconteceu alguma coisa eu sei que sim.
__ Se acalme padrinho, eu vou procurar por ela , no caminho e aviso.
__ Você faz isso meu menino? obrigado o que seria de mim sem você.
Não conseguindo mais controlar-se Aníbal desligou o telefone o jogando contra a parede do ambulatório, o sangue de Eva nas suas mãos o lembrava o que fez ou melhor o que não fez para ajuda-la, as lágrimas desciam pesadas pelo seu rosto, ajoelhou-se no chão pedindo a Deus que não permitisse que ela morresse ou que tivesse algo muito sério, pediu que ela esquecesse daquele tormento que não lembrasse dele lá, mas sabia que era impossível, o remorso pelo que fez apenas para estar ao lado de bandidos como ela mesma disse o fizeram se sentir o pior homem da fase da terra, de fato devia ser já que quase matou o próprio amor de sua vida.
Antônio esperou sem conseguir dormir ou relaxar por mais duas horas, não tendo notícias do afilhado saiu pelas ruas a procura da filha, seu coração de pai o avisava que Eva precisava de ajuda, precisava dele.
__ Onde você está Eva? Não faça isso comigo, não você também.
Aníbal prostado no chão do ambulatório ainda chorava pedindo perdão a Deus pelo que fez, desejando estar no lugar de Eva.
ANIBAL
Foi a cena mais terrível que já vi na minha vida, eles rasgando e tocando ela, como ela poderia me perdoar nunca depois daquilo, como eu pude a entregar para aqueles bandidos cruéis o que fizeram com ela foi desumano, não bastou estuprar tinham que espancar e torturar a menina daquele jeito, não sei se sobrou uma parte nela reconhecível.
Mas o pior não foi vê-la naquele estado, muito menos vê-los fazendo dela seu brinquedo e todas as formas inimagináveis e possíveis, o que mais doeu dentro de mim e o que jamais irei esquecer é do olhar dela, aqueles olhos verdes me encarando vazios eram de doer na alma de qualquer pessoa.
Tentei desviar daquele olhar mas por mais que eu tentasse alguma coisa me impedia, era como se estivéssemos ligados por uma linha invisível e não pudéssemos quebrar o contato visual, ela não gritava e nem sequer tentava se defender mais, parecia estar em outro lugar não ali, apenas o olhar dela me dizia algo assustador e do qual Eu tentava fugir.
Quando saíram de cima dela e a derrubaram no chão eu achei que iriam deixá-la em paz e que aquele inferno enfim acabaria, porém eles não acharam suficiente o que fizeram com o corpo dela começaram a bater, chutar e a esfaquear partes especificas de seu corpo, Eu juro que quis impedi-los, mais meu corpo não obedecia os meus comandos e minha voz parecia ter sumido então fiz o que eu parecia estar habituado a fazer fiquei ali parado apenas olhando enquanto eles a torturavam mais ainda, então o líder deles olhou para mim depois de mandar que parassem me disse para procurá-los no dia seguinte e que ela agora era minha, esperei paralisado e chocado ainda com o que eu fiz ou melhor com que eu não fiz depois que já não havia mais nenhum deles a minha vista eu me aproximei do corpo dela, ela se contorcia no chão em uma poça de sangue, do ombro dela saia um jorro de sangue então tirei meu casaco e tentei estancar, ela me dizia que eu consegui o que queria, Eu sabia que ela estava falando de entrar para a gangue dos cobras, mas eu já não sabia se era aquilo mesmo que eu queria não depois de ver o preço que tive que pagar não fala aliás nem mesmo fui eu que paguei aquele preço a culpa e a dor de vê-la daquele jeito já estava consumindo todo o meu ser, vendo cada parte do corpo dela machucado e o que fizeram com ele de tão perto eu me sentia o pior ser humano na face da Terra, ela estava totalmente irreconhecível ninguém queria que aquela criatura tão sofrida caída ali no chão era Bela Eva.
Pego meu celular enquanto ela treme no chão e ligo para o serviço de emergência passa o endereço e explico a situação, enquanto aguardo eles chegarem tento ajudar e aquecer ela da melhor forma possível mas não faço ideia do que estou fazendo, ela não desmaiou mas também não falo mais nada a última coisa que eu ouvi ela dizer foi
__ Eu vou te pegar!
Então ela fechou os olhos, antes que eu pudesse ajudá-lo ver se ela havia morrido ouço a sirene da ambulância e corro até o começo da rua para mostrar o local, os médicos me acompanham até lá e começam a fazer os primeiros socorros olhando para mim desconfiados um deles me pergunta
__ O que aconteceu aqui?
__ Eu não sei, a encontrei assim!
__ Diga a verdade a polícia vai descobrir!
Eu sabia que a polícia não ia fazer merda nenhuma, mas eu não queria correr riscos, eu não vi aquilo não tinha por que temer.
__ Eu já disse que não fiz nada.
Outro homem entra na conversa
__ Não foi ele, olha, tem muito sangue ali os sapatos dele estão limpos, e as roupas também, ninguém que fez algo assim estaria tão limpo e não seria burro de chamar ajuda, isso é coisa de gangue.
__ Tem razão, você conhece ela, o que sabe ?
__ Ela é minha amiga de infância, eu a pego no trabalho, mas me atrasei hoje e ela não estava , ouvi gritos e quando cheguei ela estava aí assim caída.
__ Tudo bem vamos levar ela para o hospital agora, ou ela vai morrer, você vem?
__ Sim, é claro.
Sigo a ambulância na minha moto pedindo que ela não morra embora eu saiba que isso significa que ela vai contar a todos o que eu fiz. Mas talvez eu pudesse faze-la entender e não falar nada.
Eu não quero que ela morra e nem quero o m*l dela, se eu tiver que pagar por isso vou pagar eu mereço afinal.
Duas horas depois que ela entra no hospital eu ainda espero em meu desespero quando o pai dela me liga, eu não posso contar a verdade, o que eu faço? Como digo isso a ele?
Saio do hospital e fico lá fora por ao menos uma hora, meu telefone não toca mais e eu sei que meu padrinho não está conformado esperando em casa, os médicos não me dizem nada, ninguém fala nada comigo, o que eu faço? Bato na minha cabeça com força
__ burro, burro, i****a.
Eu era um i****a , o que eu fiz não tinha descrição, se ela não cumprisse a promessa de me pegar eu mesmo daria um fim na minha vida.
Uma enfermeira sai para fora me chamando
__ Senhor, senhor!
Volto para lá com meu coração aos pulos, meu Deus que ela esteja bem, que ela esteja bem.
__ Uma das cirurgias acabou, foi a mais difícil e ela ficou estável durante o processo, as outras intervenções serão mais simples, pode relaxar.
Agradeço a Deus, mas antes que eu possa relaxar de fato ela recebe outro aviso e sai correndo, pé lá cara dela sei que a coisa não está boa, e alguma coisa me diz que tem a ver com ela.
__ O que foi? Moça por favor me fala!
__ Tenho que ir, volto para avisar depois.
Fico mais uma vez sozinho naquela sala de espera aonde tantas más notícias foram dadas, esperando ansioso um final que não sei qual é, mas que não será bom para mim seja qual for.
Pego o telefone já são quase cinco da manhã, decido ligar para meu padrinho e contar o que houve, ao menos parte
__ Aníbal? Aníbal você achou ela? Achou minha menina?
__ Achei padrinho.
__ Oh, graças a Deus meu filho, traga ela pra mim.
__ Padrinho preciso que seja forte.
__ O que foi?
__ Eu vou até aí, fique em casa e me espere.
Desligo o telefone sem esperar que ele responda preciso agir antes que a coragem me falte vou até a recepção e informa a moça que vou buscar o pai da paciente e que volta em breve caso me procure, ela concorda e eu saio, ligo minha moto e dirijo às cegas pelas estradas não sei como consigo chegar até a casa de meu padrinho e muito menos como não morri pelo caminho, mais lágrimas que desciam pelo meu rosto encharcavam a minha roupa e embaçavam a minha visão agora era tarde demais para chorar o m*l feito já estava feito e de nada adiantavam aquelas lágrimas mesmo assim eu não conseguia fazê-las parar de cair parecia uma chuva de verão insistente.
Meu velho padrinho já estava na frente da casa me esperando caminhava de um lado para outro enquanto suas mãos tremiam o que era sinal de sua abstinência alcoólica e de seu nervosismo também
__ cadê minha Eva meu filho cadê?
__ Vou te levar até ela, sobe ai.
Ele sobe na moto e eu dirijo até o hospital, peço a Deus que ele suporte que irá ver e ouvir, Ele olha para onde estou indo aflito e quando paro no estacionamento do hospital e ele desce está confuso
__ Por que me trouxe aqui Aníbal o que estamos fazendo aqui?
__ Ela esta aí!
__ O quê? O que aconteceu?
__ Eu não sei, achei ela em um beco no caminho do trabalho caída chamei a ambulância e estão operando ela.
__ Ela estava ferida?
__ Muito!
__ Foram eles, os malditos enfim botaram os olhos nela.
Ele se agarra em mim chorando copiosamente enquanto minha consciência já dolorida e amarga aumenta em alguns picos a minha sensação de culpa e desprazer.
Sentado ali naquela sala de espera com o meu padrinho do meu lado sofrendo e sem notícia alguma sobre o estado de saúde real da minha doce Eva me sinto como se já estivesse no inferno pagando pelos meus erros, e quisera eu que o próprio d***o me espetasse com seu garfo e me rodasse em suas fogueiras aquela dor seria nada perto do que eu sentia agora depois do que causei a quem eu mais amava.
Ali na sala de espera um filme passava em minha cabeça enquanto o dia amanhecia, a primeira vez que eu a vi de verdade, quando descobri que a amava, eu tinha uns doze anos sei lá, ela estava sentada em uma bancada suja da escola, os cabelos vermelhos e longos voavam soltos e despenteados ao vento, ela sorria enquanto via outras meninas dançando a sua frente, naquele instante eu descobri que a amava e que queria ela para mim. Com o tempo os sentimentos só aumentaram, depois que eu descobri o prazer de ter uma mulher em meus braços eles só cresceram mais ainda, eu imagina ela comigo, o corpo dela no meu e era tão difícil me controlar que eu me sentia um i****a sem prumo e sem vontade própria, a única coisa que eu queria era ela.
Nossas brincadeiras, nossas conversas tudo me veio a mente, até o dia em que estraguei tudo falando sobre namoro com ela, e ela passou a me evitar de todas as maneiras.
O médico entra interrompendo meus pensamentos
__ Vocês estão com a garota?
__ Sim, estamos.
Antônio levanta nervoso falando com o doutor
__ Eu sou o pai dela, o que aconteceu com minha filha?
__ Bom senhor, sua filha foi torturada de muitas formas, tem vários ferimentos pelo corpo inteiro, principalmente nas partes íntimas.
__ O que fizeram com ela ?
__ Ela foi estuprada de muitas formas, eu sinto muito, não sei como ainda está viva, ela teve sorte de ser achada ou estaria morta com certeza.
__ Oh meu Deus, que esses malditos queimem no inferno.
__ O senhor sabe quem faria isso com ela? notei que seu hímem foi rompido no ato hoje, então não era uma prostituta.
__ Não senhor minha filha tem 16 anos, é boa moça, trabalha numa empresa no centro da cidade, vai pra universidade depois do trabalho toda noite, não se envolve com ninguém errado não doutor.
__ Eu acredito no senhor, vimos os documentos e coisas na bolsa dela, serão entregues ao senhor.
__ Ela vai ficar bem?
__ Não sabemos ainda, foram cinco cirurgias de uma só vez, e com certeza precisaremos fazer mais algumas, só nos resta esperar, recomendo que vá para casa e descanse, sua filha está em coma induzido por tempo indeterminado.
Antônio chorava desconsolado
__ Minha menina, quanto deve ter sofrido.
Eu sabia o quanto ela sofreu, mas eu não podia dizer, o preço para conseguir o que eu queria foi caro demais, é eu estava decidido a não aceitar mais um lugar na gangue, que se danem eu não podia ficar ao lado deles depois do que vi.
No dia seguinte não apareci no lugar marcado, eu ia pra casa e pro hospital, nem no trabalho eu pude ir pedi uma licença, eu não iria me afastar de perto dela, e se ela acordasse e me acussasse? tudo bem que seja, eu iria preso feliz por que ela estaria bem.
Três dias se passaram e os médicos a operaram novamente, não sei para que exatamente, eles não davam notícias exatas.
Uma semana voou sem que eu percebesse e os remédios dela foram diminuídos para que acordasse aos poucos não sentiria mais tanta dor, seus piores ferimentos estavam tratados e seu corpo respondia bem ao tratamento, os médicos diziam que era uma guerreira.
Até que um dia deram a notícia que ela abriu os olhos, eu fiquei parado na porta olhando para ela toda enfaixada e cheia de tubos pelo corpo, o médico verificava seus reflexos enquanto Antônio falava com ela.
Então os aparelhos começam a apitar mais rápido, ela se agita tentando falar alguma coisa, percebo que ela está olhando para mim então saio tropeçando pelos corredores e me deixo cair no chão chorando com a mão na cabeça, ela lembra, sabe do que fiz estou perdido.