Henry Fontinelle Termino o banho sem sequer lembrar se lavei direito o corpo ou só fiquei lá parado, deixando a água cair. Me seco no automático, visto qualquer coisa e desço as escadas com o rosto cansado, olheiras fundas e o gosto amargo de quem não dorme há dias. Quando estou quase cruzando a porta, sou interceptado pela Elisa. — Vai sair sem comer de novo? — ela pergunta com aquele olhar de mãe cansada. — Não tô com fome. — Henry... — ela suspira, cruzando os braços — você m*l tem se alimentado. Vive de café, bebida e silêncio. Pelo menos hoje, senta. Come alguma coisa. Respiro fundo. Sei que ela tem razão, mesmo que a vontade de mastigar qualquer coisa seja mínima. Me sento e tento comer um pedaço de pão, mas meu estômago se revira com o gosto. A bebida me destruiu por dentro. L

