Angeline Müller DIAS DEPOIS Não sei se fiz certo. Talvez tenha feito a maior burrada da minha vida. Mas aceitei o pedido de noivado do Igor. Minha mãe ficou radiante. Para ela, ele sempre foi o homem certo para mim — estável, educado, presente. Um sonho de genro. Mas eu? Eu sinto como se tivesse assinado um contrato para fugir de mim mesma. As ligações do Henry pararam. Talvez ele tenha cansado de ser ignorado. Ou talvez... tenha desistido. De mim. De nós. Toda vez que olho meu reflexo no espelho, vejo minha barriga crescendo. E junto com ela, a lembrança do único homem que me fez sentir viva. A lembrança dele. Henry Fontinelle. A campainha do celular me arranca dos devaneios. Atendo sem nem olhar quem é. Ligação ON — Alô? — Angeline, minha filha... — Eliza? — Sim, sou eu.

