cap 09 tem traidor

612 Palavras
RAFAEL (Talibã) - Sexta-feira. Sair com Maria Júlia foi até bom, não vou negar. A menina tem um jeito que mexe comigo, mesmo que eu tente negar. Quando ela desceu da casa dela, fiquei sem palavras — ela estava realmente linda, e o cheiro dela invadiu tudo ao meu redor de uma vez só. Conversamos no caminho e percebi que ela é mais do que só uma cara bonita — tem uma boa cabeça, sabe se expressar bem. Quando vi o sorriso dela ao saber que escolhi o restaurante japonês, senti uma alegria que não consigo explicar direito. Comer ali com ela foi fácil, a gente conversou de tudo um pouco, e eu me senti mais relaxado do que há tempos. Mas no meio da refeição, meu celular tocou — foi a mensagem que eu esperava e ao mesmo tempo não. A coisa deu errado, Cauê tinha sido atingido. Fiz de conta que era problema de trabalho pra ela não perceber nada, fui atender do lado de fora e escutei tudo o que Felipe tinha a dizer. Meu plano estava rolando, mas não dessa forma — eu não queria que Cauê se metesse em risco assim. Quando cheguei a hora de levar ela pra casa, tentei manter a calma. O beijo dela no canto da boca me deixou tonto, e quando ela me beijou de verdade no final, senti um nó na garganta. Queria ficar ali mais tempo, mas tinha que ir ver Cauê. Deixei ela na casa dela e logo em seguida fui direto pro postinho na Rocinha. Cheguei e vi Felipe já esperando na entrada. — E aí, como foi com a filha do delegado? — ele perguntou, mas já via no meu rosto que algo tinha mudado. — Depois falamos disso. Como está Cauê? — Ele saiu da cirurgia bem, mas ainda está inconsciente. O médico disse que foi perto, muito perto. As balas acertaram no peito e no ombro — igualzinho ao que ela vestia na costa e no pé. — Felipe falou baixo, e eu senti uma pontada no peito. — Vamos lá ver ele. Subimos até o quarto onde Cauê estava deitado, conectado a aparelhos. Ele estava mais magro do que o normal, mas respirava em paz. Sentei na cadeira ao lado da cama e peguei a mão dele. — Você não pode sumir assim, mano. Ainda não te dei uma surra por aquela conversa de ter usado a menina. — ri de lado, mas a voz saiu embargada. — Eu sei que ela é filha dele, mas eu estou começando a gostar dela de verdade, Cauê. E se eu estragar tudo? — Você nunca estraga nada, Rafinha. — ouvi a voz de Felipe atrás de mim e me virei. — Ele vai ficar bem, tá só precisando de tempo. — Obrigado por tudo, Felipe. — De nada, irmão. Agora vá descansar, amanhã temos que resolver quem foi o traidor que deixou a PM chegar antes do tempo. Saí do postinho e fui pra casa. Liguei o celular e vi que tinha uma mensagem de Maria Júlia. Mensagem on "Obrigada por hoje, Rafael! Foi incrível. Espero que tudo esteja bem com você, até mais! 😊"-Suspirei e respondi rapidinho: "De nada, linda. Amanhã te conto de tudo, durma bem ❤️". Mensagem off Joguei o celular no sofá e me joguei na cama. A cabeça estava uma bagunça — pensava na menina, em Cauê, no plano que deu errado, no traidor que ainda não encontramos. Mas mais do que tudo, pensava no beijo dela. E por mais que eu tente dizer que é só por causa do pai dela, sei que já não é mais só isso.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR