Noite conturbada

1499 Palavras
Após chegar na sede, Josef contou suas recentes descobertas, e relatou o sucesso de sua missão para a comandante. -Então tem alguém comandando os cultistas de lá de Port Jervis? -Sim, acho que eles tão começando a se organizar. -E por que eles iriam começar com isso agora? Por que os cultistas se uniriam para algo? -Não sei, mas acho que se você nos enviasse para investigar podíamos achar o motivo -A tá bom. -resmungou de cara f**a. -Só preciso que você pague a gasolina. -Beleza! -Ela exclamou jogando o dinheiro em cima da mesa. -agora saiam da minha sala. Josef pegou de cima da mesa, os três saíram da de lá, indo direto para o estande de tiro, para treinar um pouco, afinal Ana nunca havia usado uma arma antes, Josef posicionou seu corpo atrás do da mulher e arrumou a postura da mesma, abrindo um pouco mais as pernas para não cair, erguendo os braços na altura certa e até a forma como pegou na arma, Ana então começou a disparar, os primeiros tiros ela errou, acerto a parede de concreto atrás do alvo. -Calma respira fundo, não precisa ter medo, a arma só responde a como você tá e como trata ela. -Ok. Ana então respirou fundo, apertou o gatilho lentamente, josef praticamente pode ver o disparo saindo da arma, sentiu o cheiro de pólvora queimada, ao olhar o alvo, havia um buraco na área do tórax. -Boa, agora você entendeu como faz, ainda não tá perfeito, mas nesse ritimo vi ficar. -Obrigada, eu também tive um bom professor. Eles passaram mais algum tempo ali treinando, até josef achar que ela estava pronta, então finalmente foram para o carro, logo partindo dali, eram nove horas de viagem, nas primeiras horas fizeram algumas paradas para comer abastecer, ao anoitecer pararam em frente a um um hotel, Josef, Ana e Luna adentram o lugar, um hotel comum, até mesmo bastante barato, a recepção sendo apenas um corredor com um balcão, uma escada para os demais andares e um recepcionista jovem, barba rala, cabelo curto castanho e cara de quem não queria tá ali. -Boa noite senhor, gostaríamos de um quarto. -Certo, casal? Dois de solteiro? Como vai ser? Josef e ana se entreolham, a mulher se aproxima do balcão. -Um de casal. -Ok, vai ficar 180 dólares, aqui tá a chave. O garoto fala jogando a chave em cima do balcão, o grupo entregou o dinheiro e foi em direção as escadas, de fundo Josef escuta "que saco, odeio esse lugar, só aparece gente estranha." -Tu ouviu o que ele falou da gente? -Não, acho que ele não falou nada, falou? -Sim, tenho quase certeza, mas vamos pro quarto, amanhã a gente tem que acordar cedo. -Tem razão, temos que chegar lá o quanto antes. Os três subiram até o quarto 108, que estava numerado na plaquinha pendurada na chave, após tomar banho eles se deitam, Ana no peito de Josef e Luna nos pés dos dois. -Obrigado. -Pelo que? -Por tudo, você trouxe emoção de volta pra minha vida, você me trás segurança, eu precisava de você e não fazia ideia. Josef sem saber o que falar apenas a abraçou, eles ficaram algum tempo se olhando e então se beijaram, durante todo aquele momento, naquele silêncio é com aquelas sensações correndo pelo corpo dos dois, ele conseguiu ouvir os batimentos do coração de Ana, além de um forte cheiro, que ele não sabia o que era, Josef também sentia a euforia correndo pelo seu corpo, seu coração acelerava e com isso ele começou a sentir algo que ele não esperava, seus ossos pareciam quebrar e se modificar para algo maior, seus órgãos também expandiram. -Aaaaaaaa m***a! -Meu Deus, tá tudo bem? Tem algo que eu posso fazer? -Corre, pega a Luna e corre… Nesse momento a voz de Josef já estava se modificado, ficando mais grossa, se tornando um rugido, até que ele não conseguir mais falar, seu corpo crescia mais e mais, assim como seu braço que faltava, que se formava aos poucos, sua pele soltava-se de seu corpo se rasgando e de baixo dela surgiam pelos negros como a noite, Ana já havia saído do quarto quando um grande lobisomem pulou pela janela do quarto. Ana embarcou no carro junto de Luna e saíram atrás do monstro, a mulher estava amedrontada, mas sabia que não podia deixar ele daquela forma solto por aí, não demorou muito para achá-lo, afinal era só seguir os gritos de terror de quem o via, ela parou o carro em frente a um beco onde ouviu gritos de um homem e alguns tiros, desembarcou e lentamente se aproximou do local enquanto segurava sua arma. -J-Josef? Sou eu, você precisa s-se acalmar. Ao terminar de falar isso a grande b***a virou-se nas sombras, dando para ver apenas seus olhos brilhantes inicialmente, mas conforme aproximava-se sua pelagem também era iluminada, seus rosto banhado em sangue, assim como seu peito, o grande focinho alongado com a boca entreaberta rosnando, era aterrorizante. -P-por favor, p-para com isso, volta pra mim! A mulher exclamou chorando, nesse momento foi como se a voz dela entrasse na cabeça do grande monstro, Josef podia ouvir sua voz ao longe, aquilo o acalmou, ele se ajoelhou, apoiou suas mãos no chão e a pelagem começou a cair, seu rosto voltou ao formato humano e seu tamanho diminuiu, mas continuava banhado em sangue e sem roupas, Ana ainda chorando com os olhos fechados esperando por sua morte, sentiu Josef a envolvendo em um abraço. -Desculpa. Nesse momento finalmente abrindo seus olhos ela viu o homem ali em sua frente, o que desencadeou um choro maior ainda, mas com um fundo de alívio. -Ei, ei tá tudo bem, me desculpa, sei que te assustei, nem eu sei o que aconteceu direito, foi a primeira vez. Ela não respondia nada, apenas chorava em choque, Josef então a guiou para dentro do carro, abriu o porta malas e vestiu uma calça que tinha lá, os dois voltaram para o hotel, onde tomaram mais um banho e foram dormir, mas não antes dele escrever seu diário. " Hoje foi um dia estranho, mas divertido na maior parte do tempo, começamos a viagem, parece que eu e Ana também começamos a namorar talvez, bom não sei explicar, mas acredito que depois do que aconteceu hoje ela não queira mais ficar comigo, me transformei em um lobisomem, matei um ladrão e quase a matei também, tenho medo do que vai acontecer a partir de agora." Ao terminar de escrever ele notou que Ana havia dormido, então se deitou para fazer o mesmo, Luna havia deitado novamente em seus pés. Aquela foi uma noite difícil, muitos pesadelos, principalmente do momento em que aquele homem apontou a pistola para Josef, em seu rosto havia a expressão de desespero, o grande lobisomem acertou sua barriga o jogando para longe e deixando um longo corte em seu abdômen, o que deixou suas tripas caírem para fora, logo em seguida a criatura pulou em cima e mordeu sua clavícula enquanto ele disparava contra a b***a, Josef arrancou parte de seu ombro e pescoço em uma mordida, segue jorrando para todo lado e de fundo a voz de Ana chamando por ele. Josef acordou por volta das quatro da manhã, ele sentia que tinha algo diferente, sentia que tinha novas habilidades, mas não sabia como usar e nem pretendia descobrir tão cedo, não sabia o que podia acontecer caso se transformasse, mas ele agora tinha certeza de que podia ouvir coisas como o coração de alguém a quartos de distância, sentia muitos cheiros, assim como era notável que estava mais forte, mas agora com mais calma, menos euforia ele notou outra coisa, seu braço, estava ali de volta, como se nunca tivesse o perdido. A noite passou e por volta das sete Ana acordou, Josef estava na escrivaninha que ficava de frente para a mesma janela que ele tinha quebrado ao pular para fora. -Então tudo aquilo não foi só um pesadelo. Ana murmurava em sussurros. -Infelizmente não, obrigado por ter me ajudado. -Não precisa me agradecer, mas foi bem assustador, achei que você ia me m***r. -Eu tive que me esforçar muito, mas sua voz me ajudou a manter minha sanidade. Josef falava enquanto levantava-se de cadeira, indo até Ana, que se afastou um pouco quando o homem chegou perto. -Entendo, o que você acha de irmos tomar café. Em sua voz era notável um ar de tristeza, ele levantou da cama, seu rosto voltou a ter aquele mesmo ar sério de sempre, logo saindo do quarto. -Te encontro lá em baixo. Ana viu o homem deixando o quarto, apoiou seu rosto nas mãos e começou a chorar, Josef do lado de fora da porta escutou tudo, mas sabendo que não poderia fazer nada desceu até a recepção, onde pagou pelo quarto, logo indo para o carro espera-la, algum tempo se passou e ele a avistou descendo as escadas para encontrá-lo.
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