O prédio do consultório era todo espelhado, daqueles que refletem a cidade e te fazem se sentir pequeno. Eu nunca me senti deslocado em lugar nenhum: nem na favela, nem na delegacia, nem na p***a do tribunal. Mas ali, naquela sala de espera silenciosa com gente de terno e cheiro de perfume caro, eu era um peixe fora d'água. Um peixe queimado e feio pra c*****o. A Babi tava do meu lado, com a mão na minha perna, fazendo aquele movimento de vai-e-vem que ela sabe que me acalma. Ela tava linda pra c*****o, com um vestido simples, mas em mim só via o contraste: a flor e o monstro. — Respira, amor — ela sussurrou. Eu tava respirando, mas parecia que o ar não chegava nos pulmões. O coração batia na traqueia, um tambor maldito lembrando que eu tava prestes a me expor de um jeito que nunca tinh

