A gente botou o João na cama dele, ele já tava quase dormindo de pé. Murilo deitou ele com um cuidado que sempre me surpreendia, aquele homem gigante se movendo como se o menino fosse de vidro. Ajeitou o ursinho debaixo do braço dele e puxou o cobertor até o queixo. — Dorme, filho — ele sussurrou, passando a mão no cabelo do João. A gente saiu do quarto em silêncio, deixando a porta entreaberta. Naquele corredor com a luz da tarde entrando com o mormaço, a exaustão bateu em mim igual um caminhão. Toda a tensão do dia, a preocupação, o medo... tudo veio de uma vez. Murilo deve ter visto, porque ele pegou minha mão e me puxou pro nosso quarto, sem falar nada. — Vamos tomar um banho — ele disse, e era uma sugestão, mas soou como uma ordem gentil. Daquelas que a gente obedece porque sabe q

