Eu estava no chão da sala com João, tentando montar um quebra-cabeça simples. Suas mãozinhas tremiam um pouco, e ele precisava parar a cada poucos minutos para descansar, mas ele insistia. Sempre insistia. — Olha, mãe, quase consegui — ele disse, sua voz fraca mas determinada. Meu coração se apertou. Ele estava pálido demais, com aqueles olheiras roxas que não combinavam com o rosto de uma criança. A quimioterapia estava cobrando seu preço, mas ele lutava com uma coragem que me partia ao meio. Foi quando ouvi o carro na garagem. O coração deu um salto. João também ouviu. Seus olhos se arregalaram. — É o pai! — ele sussurrou, um lampejo de energia verdadeira em seu rosto cansado. A porta da frente se abriu e Murilo entrou. E eu... eu quase não o reconheci. Ele estava pálido, ainda mai

