O carro era um casulo de tensão. Eu no volante, Heitor ao lado, Edu atrás. A paz com o Heitor? Não era paz, era um cessar-fogo. Um acordo entre homens que sabem que se um cair, o outro vira alvo. O João tava seguro com a Babi no Tavares. Tinha que ser hoje. — O Dante tá no galpão velho da Zona Leste — o Heitor falou, a voz rouca. — Acha que a gente não sabe dos cantos dele. Tá se achando o rei, o filho da p**a. Eu nem respondi. Só apertei o pé no acelerador. O exame novo tava queimando no meu bolso. Paternidade: 99,9%. O Dante usou o meu próprio filho contra mim. Tentou quebrar o menino. Tava na hora de acertar a conta. O galpão era aquele lixo de sempre. Portão enferrujado, uns dois zé ruela na entrada. Edu nem precisou de ordem. Dois estalos secos e os caras caíram. Limpo. Rápido. Em

