96. Bárbara

1257 Palavras

A recepção da clínica era daquelas que dava até frio na barriga, tudo branco, silencioso, com aquele cheiro característico de álcool que já vira parte da nossa rotina. João estava no meu colo, a cabecinha encostada no meu ombro, os olhinhos semicerrados de cansaço. Quando a porta do consultório se abriu, o Dr. Tavares apareceu. — Podem entrar — disse com aquela voz firme e calma que inexplicavelmente nos acalmava também. Entrei com João nos braços, Lurdes logo atrás de mim. O médico fechou a porta e estendeu os braços num gesto natural. — Como vai, mamãe? Aquela palavra ainda me atingia de um jeito diferente, mas eu apenas concordei e passei João para seus braços. Tavares o segurou com uma delicadeza que contrastava com sua aparência austera, como se estivesse segurando algo preciosam

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