75. Murilo

1332 Palavras

Amanheceu devagar. A primeira luz atravessava as frestas da janela, cortando o quarto em faixas amareladas. Eu já estava acordado há muito tempo. Não dormi. Não consegui. Passei a noite com a cabeça cheia, o corpo imóvel, sentindo o calor da Bárbara encostado no meu lado. O corpo dela tremia de vez em quando, e eu fingia que não percebia, porque se eu falasse, se eu encostasse um pouco mais, eu ia desabar. Quando o relógio marcou seis e pouco, me levantei. A casa ainda estava mergulhada num silêncio que doía. Peguei a calça que estava jogada na poltrona, vesti sem acender a luz. As botas estavam na porta, e o cheiro do café velho na garrafa térmica me deu um enjoo leve. Tudo ali parecia oco. Antes de sair, olhei pra ela. A Bárbara dormia de lado, o cabelo espalhado no travesseiro, o rost

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