76. Bárbara

1276 Palavras

Acordei com a sensação de estar sendo observada. Não era aquele incômodo de quem sente um olhar estranho, era diferente, pesado, quente, quase protetor. Quando abri os olhos, ele estava ali. Encostado no batente da janela, com o sol da manhã recortando metade do rosto dele. Os olhos escuros em mim, calados, e aquele jeito de quem pensa mil coisas e não diz nenhuma. O cabelo bagunçado, a barba por fazer, a camiseta preta amassada. Mesmo assim... tinha algo de sereno nele. Um tipo de calma que não combinava com o homem que eu conhecia. — Tá me encarando por quê? — murmurei, a voz ainda arrastada de sono. Ele deu um meio sorriso, aquele de canto, quase imperceptível. — Pra ter certeza que cê ainda tá aqui. — Onde mais eu ia estar, Murilo? Ele não respondeu. Só se aproximou. O colchão

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